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  • Importação por encomenda ou por conta e ordem: qual modelo escolher

    Importação por encomenda ou por conta e ordem: qual modelo escolher

    Resposta direta: na importação por encomenda, uma empresa importadora (muitas vezes uma trading) é contratada para comprar a mercadoria no exterior em seu próprio nome e com recursos próprios, fazer o despacho e revender ao encomendante predeterminado (IN RFB nº 1.861/2018, art. 3º; Lei nº 11.281/2006, art. 11). Na importação por conta e ordem, quem compra no exterior, com recursos próprios, é o adquirente; a importadora só presta o serviço de despacho em nome dele (IN RFB nº 1.861/2018, art. 2º). A diferença está em quem compra e com o dinheiro de quem. Na encomenda, o encomendante pode pagar antecipadamente à importadora pela futura revenda, e esses valores contam como recursos próprios dela (IN RFB nº 1.861/2018, art. 3º, § 3º); o que ele não pode é pagar o fornecedor estrangeiro, porque esse pagamento deve ser feito exclusivamente pela importadora (art. 3º, § 5º). Nos dois modelos, as empresas precisam estar habilitadas no Siscomex (IN RFB nº 1.984/2020), ter contrato prévio e fazer a vinculação no Portal Único antes do registro da declaração; a pessoa física está dispensada da vinculação. Se a operação descumprir os requisitos da encomenda, ela presume-se por conta e ordem (Lei nº 11.281/2006, art. 11, § 2º). E ocultar o real comprador pode caracterizar interposição fraudulenta, sujeita, se constatada pela fiscalização, à pena de perdimento (Decreto-Lei nº 1.455/1976, art. 23, V e § 1º).

    Antes de decidir o modelo, vale entender o processo inteiro de como importar da China e a etapa de encontrar fornecedor na China.

    O que é importação por encomenda

    A Receita Federal define a importação por encomenda como “aquela em que a pessoa jurídica importadora é contratada para promover, em seu nome e com recursos próprios, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria estrangeira por ela adquirida no exterior para revenda a encomendante predeterminado” (IN RFB nº 1.861/2018, art. 3º).

    Três pontos dessa definição decidem tudo:

    ElementoO que significa
    “Em seu nome”A importadora é quem aparece como compradora e importadora
    “Com recursos próprios”O pagamento ao fornecedor estrangeiro é feito exclusivamente por ela (art. 3º, § 5º); valores recebidos do encomendante a título de pagamento, total ou parcial, da revenda da mercadoria nacionalizada, ainda que antes da importação, contam como recursos próprios (art. 3º, § 3º)
    “Para revenda a encomendante predeterminado”A mercadoria já tem destino definido em contrato prévio; a importadora revende a ele no mercado interno

    A Receita acrescenta que, para a importadora contratada, a operação tem os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. O encomendante pode participar ou não da negociação com o fornecedor (Lei nº 11.281/2006, art. 11, § 3º), e a importadora pode pedir garantia, inclusive arras, sem descaracterizar a operação (IN RFB nº 1.861/2018, art. 3º, § 4º).

    O que é importação por conta e ordem

    Na conta e ordem, a importadora “é contratada para promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria estrangeira, adquirida no exterior por outra pessoa jurídica” (IN RFB nº 1.861/2018, art. 2º). O adquirente é quem compra, em seu nome e com recursos próprios. O objeto principal é a prestação de serviço, que pode incluir cotação de preços, intermediação comercial e pagamento ao fornecedor estrangeiro (art. 2º, § 2º).

    Importação própria, por encomenda e por conta e ordem: a comparação

    PontoImportação própriaPor encomendaPor conta e ordem
    Quem compra no exteriorA própria empresaA importadora contratadaO adquirente
    Recursos usadosDa empresaDa importadora, que paga o fornecedor (inclui o que recebeu do encomendante como pagamento, inclusive antecipado, da revenda)Do adquirente
    Relação entre as partes—Compra e venda de mercadoria nacionalizadaPrestação de serviço
    Quem aparece na declaraçãoA empresaA importadora, com o encomendante identificadoA importadora, com o adquirente identificado
    Nota fiscal da importadora para o cliente—Nota de vendaNota de saída da mercadoria do adquirente, conforme regras próprias
    Habilitação no SiscomexA empresaImportadora e encomendante PJImportadora e adquirente PJ
    Vinculação no Portal ÚnicoNão se aplicaSim (PF dispensada)Sim (PF dispensada)
    Infográfico comparando importação própria, por encomenda e por conta e ordem: quem compra, com que recursos e quem revende
    Os três modelos lado a lado. Fonte: IN RFB nº 1.861/2018 e Lei nº 11.281/2006 (consulta em 13/10/2026).

    Requisitos da Receita para a importação por encomenda

    A página oficial da Receita sobre requisitos e obrigações (atualizada em 01/11/2022) lista:

    1. Habilitação no Siscomex da importadora e do encomendante pessoa jurídica, nos termos da IN RFB nº 1.984/2020. O requisito não se aplica à pessoa física.
    2. Vinculação no Portal Único, módulo Cadastro de Intervenientes, feita pelo encomendante, pelo prazo previsto no contrato. A pessoa física está dispensada (IN RFB nº 1.861/2018, art. 4º, parágrafo único).
    3. Recursos da importadora. O pagamento ao fornecedor estrangeiro deve ser feito exclusivamente pela importadora (IN RFB nº 1.861/2018, art. 3º, § 5º). O encomendante pode pagar à importadora, total ou parcialmente e até antecipadamente, pela revenda combinada: esses valores contam como recursos próprios da importadora (art. 3º, § 3º). O que não cabe na encomenda é o encomendante pagar o fornecedor estrangeiro ou ser, de fato, quem compra no exterior; nesse caso, a operação não cumpre os requisitos e se presume por conta e ordem (Lei nº 11.281/2006, art. 11, § 2º).
    4. Contrato prévio, anexado pela importadora num dossiê próprio no Portal Único; o encomendante PJ registra o número do dossiê na vinculação.
    5. Registro da declaração só depois de cumpridos esses procedimentos.

    A página traz ainda orientações de preenchimento da DI para encomendante PJ e um procedimento provisório para encomendante pessoa física. Esses detalhes mudam com os sistemas; o despachante deve conferir a versão vigente na data da operação.

    Obrigações fiscais e contábeis da importadora

    Segundo a mesma página da Receita, a importadora por encomenda deve, entre outras obrigações:

    ObrigaçãoConteúdo mínimo
    Nota fiscal de entradaQuantidades, valores unitários e totais (valores aduaneiros) e o valor de cada tributo incidente na importação
    Nota fiscal de venda ao encomendantePreço de venda, destaque do ICMS na saída e IPI sobre a saída, quando aplicável
    EscrituraçãoConta específica e discriminada para cada encomendante
    Entrega em outro estabelecimentoNotas fiscais adicionais da importadora e do encomendante, com as indicações listadas pela Receita

    Dois efeitos tributários que costumam ser esquecidos:

    • IPI do encomendante: equiparam-se a estabelecimento industrial os atacadistas ou varejistas que adquirirem produtos importados por encomenda ou por conta e ordem (Lei nº 11.281/2006, art. 13). Na prática, o encomendante pode passar a ter obrigações de IPI na revenda; confirme com o contador.
    • Preço de transferência: aplicam-se ao importador e ao encomendante as regras da Lei nº 9.430/1996 (Lei nº 11.281/2006, art. 14), relevantes quando o exportador é vinculado ou está em país de tributação favorecida.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Exemplo de fluxo de uma importação por encomenda

    Exemplo hipotético. Empresas e valores inventados para mostrar a sequência, não o custo de mercado.

    EtapaO que aconteceQuem faz
    1. ContratoEncomendante e importadora assinam o contrato de importação por encomendaAmbos
    2. Habilitação e vinculaçãoOs dois estão habilitados; o encomendante vincula a importadora no Portal Único com o número do dossiê do contratoEncomendante e importadora
    3. CompraA importadora negocia (com ou sem participação do encomendante) e paga o fornecedorImportadora
    4. DespachoDeclaração registrada pela importadora, identificando o encomendante; tributos pagos pela importadoraImportadora (com despachante)
    5. Nota de entradaEmitida após o desembaraçoImportadora
    6. RevendaNota de venda ao encomendante, com ICMS destacado e IPI, quando aplicávelImportadora
    7. PagamentoO encomendante paga o preço combinado (pode ter adiantado parte, como recurso da importadora)Encomendante

    Simulação hipotética: se a importadora compra mercadoria por US$ 20.000 e o contrato prevê que o encomendante adiante 40% do preço de revenda, esse adiantamento, pago à importadora como pagamento antecipado da revenda, é recurso próprio dela (art. 3º, § 3º), e é a importadora quem paga os US$ 20.000 ao fornecedor (art. 3º, § 5º). O que descaracterizaria a encomenda seria o encomendante pagar diretamente o fornecedor estrangeiro, porque aí quem compra é ele; a operação passaria a se presumir por conta e ordem (Lei nº 11.281/2006, art. 11, § 2º).

    Infográfico com o fluxo da importação por encomenda: contrato, vinculação, compra, despacho, nota de entrada e revenda
    A sequência da importação por encomenda. Fonte: Receita Federal (consulta em 13/10/2026).

    Riscos: presunção de conta e ordem e interposição fraudulenta

    A forma da operação precisa refletir a realidade. A legislação prevê consequências quando não reflete:

    SituaçãoConsequência previstaBase legal
    Operação “por encomenda” em desacordo com os requisitosPresume-se por conta e ordem, para fins dos arts. 77 a 81 da MP nº 2.158-35/2001Lei nº 11.281/2006, art. 11, § 2º
    Valor das importações incompatível com o capital ou patrimônio do importador ou do encomendanteA Receita pode exigir garantia como condição para a entregaLei nº 11.281/2006, art. 11, § 1º, II
    Ocultação do real comprador mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulentaSe constatada, é dano ao erário punido com perdimento das mercadoriasDecreto-Lei nº 1.455/1976, art. 23, V e § 1º
    Pessoa jurídica que cede o nome para acobertar os reais intervenientesSe constatado, multa de 10% do valor da operação acobertada, não inferior a R$ 5.000Lei nº 11.488/2007, art. 33
    Infográfico com quatro riscos da importação por encomenda mal estruturada: presunção de conta e ordem, exigência de garantia, perdimento por ocultação e multa por cessão de nome
    Consequências previstas em lei, sempre condicionadas à constatação pela fiscalização. Fonte: Lei nº 11.281/2006, Decreto-Lei nº 1.455/1976 e Lei nº 11.488/2007 (consulta em 13/10/2026).

    Essas consequências não são automáticas: dependem de fiscalização, constatação e processo. Mas mostram por que o contrato, os fluxos de pagamento e as notas fiscais precisam ser coerentes com o modelo escolhido.

    Como escolher o modelo

    Se a empresa…Modelo que costuma se encaixarPor quê
    Tem habilitação, caixa e equipe para importarImportação própriaControle total da operação
    Não quer ou não pode pagar o fornecedor diretamente, e prefere comprar a mercadoria já nacionalizada de uma importadoraPor encomendaA importadora compra e revende; a relação é de compra e venda
    Quer ser a compradora no exterior, com seus recursos, mas terceirizar o despacho e a logísticaPor conta e ordemA importadora presta o serviço
    Precisa de financiamento da operaçãoPor encomenda, se a importadora assumir a compraOs recursos são da importadora

    Também pesam a capacidade financeira estimada no Radar Siscomex, o custo da trading, os efeitos de ICMS conforme o estado e a necessidade de controle sobre o fornecedor. Faça a simulação do custo total de cada modelo com o contador e o despachante.

    Passo a passo para contratar uma importação por encomenda

    1. Defina o modelo com o contador. Propósito: escolher entre própria, encomenda e conta e ordem. Cuidados: compare o custo total, inclusive IPI na revenda.
    2. Escolha a importadora. Propósito: ter um parceiro habilitado e com capacidade financeira. Cuidados: confira a habilitação no Siscomex e a experiência no tipo de produto.
    3. Assine o contrato prévio. Propósito: cumprir o requisito da Receita. Cuidados: preço de revenda, adiantamentos, prazos, responsabilidades e garantias por escrito.
    4. Faça a habilitação e a vinculação. Propósito: liberar o registro da declaração. Cuidados: o encomendante PJ registra o número do dossiê do contrato.
    5. Acompanhe a compra e o despacho. Propósito: saber o que está sendo importado em seu favor. Cuidados: o pagamento ao exterior deve sair da importadora.
    6. Confira as notas fiscais. Propósito: garantir os destaques de ICMS e IPI. Cuidados: nota de venda com o encomendante como destinatário.
    7. Guarde a documentação. Propósito: comprovar a regularidade da operação. Cuidados: contrato, comprovantes de pagamento e notas.

    O que deve ter o contrato de importação por encomenda

    A Receita exige que o contrato seja prévio e anexado ao dossiê no Portal Único, mas não fornece um modelo. Os pontos que costumam ser essenciais, a validar com um advogado:

    CláusulaPor que importa
    Partes, CNPJ e habilitação de cada umaComprova que importadora e encomendante podem operar
    Objeto: compra no exterior pela importadora e revenda ao encomendanteDeixa claro o modelo (encomenda, não conta e ordem)
    Mercadorias, especificações e quantidadesEvita discussão sobre o que foi encomendado
    Preço de revenda e forma de cálculoDefine a remuneração da importadora
    Adiantamentos e garantias (inclusive arras)Previstos na IN RFB nº 1.861/2018, art. 3º, §§ 3º e 4º
    Prazo de vigênciaA vinculação no Portal Único vale pelo prazo do contrato
    Responsabilidades por atrasos, avarias e exigências fiscaisQuem arca com o quê
    Local de entregaSe for outro estabelecimento, há notas fiscais adicionais

    Como escolher a importadora (trading)

    Uma importadora por encomenda assume a compra, o câmbio, os tributos e o despacho em seu nome. Critérios práticos de escolha:

    1. Habilitação e histórico. Propósito: operar sem limitação. Cuidados: confirme a habilitação no Siscomex e peça referências de operações parecidas.
    2. Capacidade financeira. Propósito: a encomenda depende de recursos da importadora. Cuidados: a Receita pode exigir garantia quando o valor for incompatível com o capital ou o patrimônio (Lei nº 11.281/2006, art. 11, § 1º, II).
    3. Transparência de custos. Propósito: comparar propostas. Cuidados: peça a composição do preço de revenda (mercadoria, tributos, despesas e remuneração).
    4. Conformidade documental. Propósito: evitar risco de descaracterização. Cuidados: contrato, dossiê, vinculação e notas fiscais em ordem.
    5. Atendimento e prazos. Propósito: saber quem resolve problemas. Cuidados: contato responsável definido no contrato.

    Custos da operação por encomenda: o que comparar

    Exemplo hipotético, só com a estrutura (sem valores de mercado): ao comparar uma importação própria com uma por encomenda, coloque lado a lado os mesmos itens.

    ItemImportação própriaPor encomenda
    Mercadoria e fretePagos pela empresaPagos pela importadora e embutidos no preço de revenda
    Tributos na importaçãoPagos pela empresaPagos pela importadora
    Despacho e armazenagemPagos pela empresaPagos pela importadora
    Remuneração do serviçoNão háMargem ou honorário da importadora, embutido no preço
    Tributos na revendaNão há etapa intermediáriaICMS e IPI na nota de venda ao encomendante, quando aplicáveis
    Capital de giroDa empresaEm grande parte da importadora

    A comparação certa é o custo total por unidade no estoque, somando a remuneração da importadora, contra o custo de capital e a estrutura que a importação própria exigiria.

    Exemplo: como decidir entre encomenda e conta e ordem

    Exemplo hipotético. Uma empresa de comércio quer importar um lote de equipamentos para revenda, mas não tem caixa para pagar o fornecedor antes da chegada e não quer montar equipe de comércio exterior.

    PerguntaResposta da empresaO que indica
    Quem vai pagar o fornecedor?Prefere que outra empresa pague, podendo adiantar à importadora parte do preço de revendaEncomenda (a importadora paga o fornecedor; o adiantamento da revenda conta como recurso dela)
    Quer negociar diretamente com o fabricante?Sim, mas sem ser a compradoraEncomenda permite participar da negociação (Lei nº 11.281/2006, art. 11, § 3º)
    Tem habilitação no Siscomex?SimRequisito atendido para ser encomendante PJ
    Vai revender a mercadoria?SimAtenção à equiparação a industrial para o IPI (art. 13)

    Nesse cenário, a encomenda tende a se encaixar melhor. Se a empresa tivesse caixa e quisesse ser a compradora no exterior, terceirizando só o despacho, a conta e ordem seria o modelo coerente. Em ambos os casos, o contrato e o fluxo de pagamento precisam refletir o modelo escolhido.

    Erros comuns na importação por encomenda

    • Encomendante pagando o fornecedor estrangeiro diretamente.
    • Operar sem contrato prévio ou sem a vinculação no Portal Único.
    • Chamar de encomenda uma operação que é de conta e ordem (ou o contrário).
    • Esquecer a equiparação a industrial para o IPI na revenda.
    • Escolher a importadora só pelo preço, sem conferir habilitação e capacidade financeira.

    Checklist da importação por encomenda

    • ☐ Modelo escolhido com o contador
    • ☐ Importadora e encomendante PJ habilitados no Siscomex
    • ☐ Contrato prévio assinado, com preço de revenda e responsabilidades
    • ☐ Dossiê do contrato criado pela importadora e vinculação feita pelo encomendante
    • ☐ Pagamento ao fornecedor estrangeiro feito exclusivamente pela importadora; adiantamentos do encomendante pagos à importadora, a título de revenda, previstos no contrato
    • ☐ Declaração registrada só depois da vinculação
    • ☐ Nota de entrada e nota de venda emitidas corretamente
    • ☐ Obrigações de IPI na revenda verificadas

    Perguntas frequentes

    O que é importação por encomenda?

    É a importação em que uma empresa compra no exterior, em seu nome e com recursos próprios, para revender a um encomendante já definido em contrato.

    Qual é a diferença entre importação por encomenda e por conta e ordem?

    Na encomenda, a importadora compra e revende; na conta e ordem, quem compra é o adquirente, e a importadora presta o serviço de despacho.

    O encomendante precisa ter Radar?

    Sim, se for pessoa jurídica: importadora e encomendante PJ devem estar habilitados no Siscomex (IN RFB nº 1.984/2020).

    Pessoa física pode ser encomendante?

    A página da Receita prevê o encomendante pessoa física, dispensado da habilitação e da vinculação, com procedimento provisório de preenchimento da declaração.

    O encomendante pode adiantar dinheiro à importadora?

    Pode, desde que o pagamento seja feito à importadora, a título de pagamento total ou parcial da revenda da mercadoria nacionalizada: esses valores são recursos próprios da importadora, ainda que pagos antes da importação (IN RFB nº 1.861/2018, art. 3º, § 3º). O pagamento ao fornecedor estrangeiro continua sendo feito exclusivamente pela importadora (art. 3º, § 5º).

    O que acontece se a operação não cumprir os requisitos?

    Ela se presume por conta e ordem (Lei nº 11.281/2006, art. 11, § 2º), e, se a fiscalização constatar ocultação do real comprador, pode haver pena de perdimento.

    Quem paga os tributos da importação na encomenda?

    A importadora, que registra a declaração. Depois, ela revende ao encomendante com nota fiscal.

    Importação por encomenda é a mesma coisa que trading?

    Trading é o tipo de empresa que muitas vezes faz a importação; encomenda é o modelo da operação. Uma trading pode operar por encomenda ou por conta e ordem.

    A importação por encomenda reduz impostos?

    Não por si só. Os tributos da importação continuam, e há ICMS e, quando aplicável, IPI na revenda ao encomendante. O modelo muda quem compra e quem financia, não o imposto devido.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Definição de importação por encomenda (IN RFB nº 1.861/2018, art. 3º); mesmos efeitos fiscais de importação própria; preço de transferênciaOrientação oficialReceita Federal — O que é a Importação por Encomenda?13/10/2026Atualizada em 28/09/2022
    Habilitação, vinculação, dossiê do contrato, recursos da importadora, notas fiscais e escrituraçãoOrientação oficialReceita Federal — Encomenda: Requisitos, Condições e Obrigações13/10/2026Atualizada em 01/11/2022
    Encomenda (art. 3º, §§ 3º, 4º e 5º, com redação da IN RFB nº 2.101/2022) e conta e ordem (art. 2º, § 2º)Norma oficial (texto compilado conferido também na reprodução da LegisWeb, consulta em 13/10/2026)IN RFB nº 1.861/2018 (LexML)13/10/2026Em vigor, com alterações
    Encomenda não é conta e ordem (art. 11); garantia (§ 1º, II); presunção (§ 2º); recursos próprios (§ 3º); IPI (art. 13); preço de transferência (art. 14)Norma oficialLei nº 11.281/2006 (Planalto)13/10/2026Em vigor
    Perdimento por ocultação do real comprador (art. 23, V e § 1º)Norma oficialDecreto-Lei nº 1.455/1976 (Planalto)13/10/2026Em vigor
    Multa de 10%, mínimo de R$ 5.000, por cessão de nome (art. 33)Norma oficialLei nº 11.488/2007 (Planalto)13/10/2026Em vigor
    Compra de US$ 20.000 e adiantamento de 40%HipóteseSimulação do autor——
  • O que é dropshipping, como funciona e quando vale a pena

    O que é dropshipping, como funciona e quando vale a pena

    Resposta direta: dropshipping é um modelo de venda em que a loja anuncia e vende o produto sem tê-lo em estoque: quando o cliente compra, a loja repassa o pedido a um fornecedor, que envia direto ao cliente. A vantagem é começar com pouco capital e testar produtos rápido. O custo é ter margem menor, pouco controle de prazo e qualidade e, mesmo assim, responder perante o consumidor: pelo Código de Defesa do Consumidor, os fornecedores da cadeia respondem solidariamente pelos vícios do produto (art. 18), e o cliente que compra pela internet pode desistir em 7 dias a contar do recebimento (art. 49). No dropshipping com fornecedor no exterior, a encomenda segue as regras de remessas da Receita: Imposto de Importação de 60% como regra geral, ou 0% até US$ 50 em sites certificados no Programa Remessa Conforme para pessoa física (desde 12/05/2026), mais ICMS de 17% a 20%. Vale como teste de mercado ou complemento de catálogo; para crescer com margem, muita gente migra depois para estoque próprio, comprando direto de fabricantes.

    Se o seu objetivo final é ter estoque próprio com custo de fábrica, os caminhos estão em como encontrar fornecedor na China e como importar da China.

    O que é dropshipping

    No varejo tradicional, a loja compra estoque, guarda, embala e envia. No dropshipping, a loja cuida da vitrine e do atendimento, e o fornecedor cuida do estoque e do envio. Quem compra vê a loja; muitas vezes nem sabe que existe um fornecedor por trás.

    O modelo não é uma categoria jurídica própria: para a lei, a loja é fornecedora perante o consumidor, como qualquer comércio. Isso define tudo o que vem depois: atendimento, trocas, prazo de entrega, nota fiscal e responsabilidade pelo produto.

    Como funciona, na prática

    Fluxo do dropshipping: cliente compra na loja, loja repassa o pedido, fornecedor envia e cliente recebe
    A loja vende; o fornecedor guarda e envia.
    EtapaQuem fazO que pode dar errado
    1. AnúncioLoja (site próprio ou marketplace)Foto e descrição copiadas do fornecedor, iguais às de dezenas de concorrentes
    2. Venda e pagamentoCliente paga à lojaVenda de produto que já acabou no fornecedor
    3. Repasse do pedidoLoja compra do fornecedor com os dados de entregaErro de endereço ou atraso no repasse
    4. Separação e envioFornecedorEmbalagem ruim, item errado, atraso
    5. Pós-vendaLojaTroca, devolução, reclamação e avaliação negativa

    O lucro é a diferença entre o preço de venda e o custo pago ao fornecedor, menos comissões do canal, taxas de pagamento, frete subsidiado, impostos, anúncios e devoluções. Nenhum desses itens pode ficar fora da conta.

    Dropshipping nacional, internacional ou estoque próprio

    CritérioDropshipping nacionalDropshipping internacionalEstoque próprio (compra em lote)
    Capital inicialBaixoBaixoAlto
    Prazo de entregaDiasSemanas, com fiscalização da remessaDias, saindo do seu estoque
    Tributos na entradaNota fiscal do fornecedorRegras de remessas da Receita, pagas na compra ou na entregaTributos da importação formal ou nota do fornecedor nacional
    Custo por unidadeMédio a altoBaixo na origem, alto com frete e tributosMais baixo, com escala
    Controle de qualidadePossível testarDifícilTotal
    Trocas e devoluçõesMais simplesCaras e lentasNa sua mão
    DiferenciaçãoBaixaBaixaAlta (embalagem, marca, kit)

    O que a lei exige de quem vende on-line

    Dropshipping é legal no Brasil, mas a loja continua sujeita às regras do consumidor:

    RegraO que dizBase
    Responsabilidade pelo produtoOs fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade; o cliente pode cobrar da lojaCDC, art. 18
    Prazo para sanar o vícioSe o vício não for sanado em 30 dias, o consumidor pode exigir a troca, a devolução do valor atualizado ou o abatimento do preçoCDC, art. 18, § 1º
    Direito de arrependimentoCompra fora do estabelecimento (como na internet): desistência em 7 dias da assinatura ou do recebimento, com devolução imediata dos valores pagosCDC, art. 49
    Informação na loja virtualNome empresarial e CPF ou CNPJ, endereço físico e eletrônico, características do produto, despesas adicionais (como entrega) e condições da oferta, inclusive prazoDecreto nº 7.962/2013, art. 2º
    AtendimentoCanal eletrônico eficaz; resposta à demanda do consumidor em até 5 diasDecreto nº 7.962/2013, art. 4º, V e parágrafo único
    Como desistirInformar meios claros para o arrependimento, inclusive pela mesma ferramenta da compra; confirmar o recebimento do pedido de desistênciaDecreto nº 7.962/2013, art. 5º
    Infográfico com as obrigações da loja que vende por dropshipping: informar, entregar no prazo, atender, aceitar arrependimento e responder pelo produto
    O que a loja deve ao consumidor, mesmo sem estoque. Fonte: CDC (arts. 18 e 49) e Decreto nº 7.962/2013 (consulta em 13/10/2026).

    O ponto que mais pega no dropshipping internacional é o arrependimento: o cliente devolve à loja no Brasil, mas o fornecedor está do outro lado do mundo. Na prática, o custo da devolução costuma ficar com a loja. Inclua isso no preço.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Dropshipping internacional: impostos da encomenda

    Quando o fornecedor envia do exterior direto ao cliente, a encomenda entra no Regime de Tributação Simplificada (RTS), para valor aduaneiro (bens + frete + seguro) de até US$ 3.000. Segundo a Receita Federal:

    SituaçãoImposto de ImportaçãoICMS
    Regra geral60% sobre o valor aduaneiro17% a 20%, conforme o estado, calculado “por dentro”
    Site certificado no Programa Remessa Conforme, destinatário pessoa física, até US$ 50 (DIR a partir de 12/05/2026)0%17% a 20%
    Site certificado no Programa Remessa Conforme, destinatário pessoa física, acima de US$ 5060%, com desconto de US$ 30 no imposto17% a 20%

    No RTS, IPI, PIS e Cofins são isentos. Nas compras em sites certificados, os tributos são pagos no momento da compra; nos demais casos, o destinatário paga aos Correios ou ao courier em até 20 dias após a liberação, e a entrega depende do pagamento. Se o seu cliente for surpreendido com uma cobrança na entrega, a reclamação vai para a sua loja.

    Compra pessoal não é o mesmo que venda pela loja. Uma compra pessoal de pessoa física num site certificado é uma situação; uma loja que vende ao consumidor e usa fornecedor internacional é outra. Na venda, quem responde pelos tributos e pelos documentos (quem importa, em nome de quem a encomenda é declarada, quem emite a nota fiscal e quem guarda os comprovantes) depende da estrutura real da operação. O benefício do Remessa Conforme vale para compras em sites certificados destinadas a pessoa física, nas condições da Receita Federal; ele não pode ser presumido para qualquer venda internacional. Confirme o enquadramento da sua operação com o contador e na página de tributação das remessas internacionais da Receita Federal (consulta em 13/10/2026).

    Exemplo hipotético (preços em dólar e câmbio de R$ 5,40 inventados; ICMS de 17%):

    EncomendaRemessa Conforme?Imposto de ImportaçãoICMSTributos em reais
    Produto US$ 40 + frete US$ 8 = US$ 48SimUS$ 0,00US$ 9,83R$ 53,09
    Produto US$ 40 + frete US$ 8 = US$ 48NãoUS$ 28,80US$ 15,73R$ 240,46
    Produto US$ 70 + frete US$ 10 = US$ 80SimUS$ 18,00US$ 20,07R$ 205,59
    Produto US$ 70 + frete US$ 10 = US$ 80NãoUS$ 48,00US$ 26,22R$ 400,77

    Memória de cálculo: II = 60% do valor aduaneiro (menos US$ 30 quando a regra do Remessa Conforme acima de US$ 50 se aplica); ICMS = (valor aduaneiro + II) ÷ (1 − 0,17) × 0,17, conforme a fórmula da Receita. A diferença entre a encomenda vir ou não de um site certificado pode mais que quadruplicar os tributos.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    Quanto sobra numa venda: exemplo hipotético

    Todos os números abaixo são hipotéticos, só para mostrar a conta. Venda nacional de um produto por R$ 129,90:

    ItemValor
    Preço de vendaR$ 129,90
    Custo do produto pago ao fornecedor− R$ 62,00
    Frete cobrado pelo fornecedor− R$ 18,00
    Taxa de pagamento (5%)− R$ 6,50
    Anúncios (10% da venda)− R$ 12,99
    Imposto sobre a venda (6%)− R$ 7,79
    Sobra antes de despesas fixasR$ 22,62 (17,4%)
    Gráfico hipotético mostrando a divisão de uma venda de R$ 129,90 em dropshipping: custo do produto, frete, taxas, anúncios, imposto e sobra
    Exemplo hipotético de uma venda em dropshipping. Simulação hipotética.

    Agora a parte que costuma ficar fora da planilha: se uma devolução não puder ser reaproveitada, a loja perde o custo do produto, o frete e um frete de retorno (hipotético: R$ 12), cerca de R$ 92,00, o que consome a sobra de aproximadamente 4 vendas. Esse valor é um exemplo hipotético, não um prejuízo obrigatório: a perda efetiva depende de conseguir recuperar ou revender o produto, de reembolso ou compensação do fornecedor, do frete de retorno real e de outros custos da operação. Por isso, taxa de devolução, prazo e qualidade do fornecedor valem mais que o preço de compra.

    Como começar com dropshipping: passo a passo

    1. Escolha o canal de venda. Propósito: saber as regras e custos que valem para você. Cuidados: cada marketplace tem política própria de prazo de postagem, cancelamento e tarifas; leia antes de anunciar.
    2. Selecione fornecedores com estoque integrado e prazo comprovado. Propósito: não vender o que acabou. Cuidados: peça histórico de prazo de envio e taxa de devolução.
    3. Peça amostras quando viável. Propósito: conhecer o que você vende. Cuidados: compare o produto real com as fotos e a descrição.
    4. Calcule a margem com todos os custos. Propósito: evitar vender no prejuízo. Cuidados: inclua comissão, taxas, frete, imposto, anúncios e uma reserva para devoluções.
    5. Formalize a operação. Propósito: emitir nota e vender com regularidade. Cuidados: o enquadramento tributário (MEI, Simples ou outro) deve ser decidido com um contador.
    6. Escreva o anúncio com prazo real. Propósito: cumprir o Decreto nº 7.962/2013 e evitar reclamações. Cuidados: prazo de entrega, despesas adicionais e condições de troca visíveis.
    7. Monte a política de trocas e o atendimento. Propósito: responder em até 5 dias e aceitar o arrependimento em 7 dias. Cuidados: defina quem paga o frete de retorno com o fornecedor antes da primeira venda.
    8. Meça e decida. Propósito: saber quais produtos merecem estoque próprio. Cuidados: acompanhe margem real, prazo médio e devoluções por produto.

    Quando trocar o dropshipping por estoque próprio

    O dropshipping é bom para descobrir quais produtos têm demanda. Quando um produto se repete nas vendas, a conta costuma mudar: comprar em lote reduz o custo por unidade, encurta o prazo e dá controle de qualidade, embalagem e marca. Os sinais de que chegou a hora:

    • vendas recorrentes do mesmo produto por várias semanas;
    • reclamações de prazo ou de qualidade que você não consegue resolver com o fornecedor;
    • margem espremida pelo custo unitário;
    • concorrentes vendendo o mesmo item, do mesmo fornecedor, mais barato.

    Os critérios para escolher o que comprar em lote estão em produtos para revender direto da fábrica. Se a ideia for buscar fabricantes no exterior, avalie também se o Alibaba é confiável para o seu caso e quais proteções a plataforma oferece.

    Como avaliar um fornecedor de dropshipping

    No dropshipping, a loja responde ao cliente pelo que o fornecedor faz. Por isso, a escolha do fornecedor é a decisão mais importante do negócio. Antes de anunciar, teste e documente:

    CritérioComo testarSinal de alerta
    Prazo real de envioFaça pedidos de teste para endereços diferentes e anote o tempo até a entregaPrazo informado muito menor que o medido
    RastreamentoConfira se o código é gerado e atualizado desde a postagemCódigo que só aparece dias depois
    Qualidade do produtoCompare a amostra com as fotos e a descriçãoDiferença de material, medida ou acabamento
    Política de troca e devoluçãoPeça por escrito quem paga o frete de retorno e o prazo de reembolsoRegra só verbal ou “caso a caso”
    EstoquePergunte como o estoque é atualizado e com que frequênciaVendas de itens que já tinham acabado
    DocumentosVerifique se o fornecedor emite nota fiscal (fornecedor nacional) ou se o envio internacional está em conformidadeEnvio sem documento ou com valor declarado incorreto

    Registre os resultados numa planilha simples e repita o teste a cada troca de fornecedor. Se a sua loja promete um prazo, ele precisa ser o prazo que o fornecedor de fato cumpre, porque a oferta suficientemente precisa obriga quem anuncia (CDC, art. 30).

    Erros comuns no dropshipping

    • Calcular margem só com o preço do fornecedor. Comissão, taxas, imposto, anúncios e devoluções somem com a sobra.
    • Prometer prazo de envio nacional para produto que vem do exterior. Gera cancelamento e reclamação.
    • Vender o que nunca viu. Foto bonita não garante qualidade.
    • Não combinar trocas com o fornecedor. O cliente devolve para você; sem acordo, o custo é todo seu.
    • Ignorar os tributos da remessa. Cobrança surpresa na entrega vira avaliação negativa.
    • Depender de um único fornecedor. Se ele falhar, sua loja para.
    • Operar sem nota fiscal. Limita o crescimento e o acesso a canais de venda.

    Riscos e como decidir

    O dropshipping troca capital por margem e controle. Se você tem pouco capital e quer validar demanda, ele faz sentido, desde que o fornecedor seja confiável e a margem cubra devoluções. Se você já sabe quais produtos têm saída, quer marca própria ou precisa competir em preço, o estoque próprio tende a ser o caminho. Muitos negócios usam os dois: dropshipping para testar e complementar o catálogo, estoque próprio para os produtos campeões.

    Checklist antes de começar

    • ☐ Canal de venda escolhido e políticas lidas
    • ☐ Fornecedor com estoque integrado, prazo e taxa de devolução comprovados
    • ☐ Amostra testada, quando viável
    • ☐ Margem calculada com comissão, taxas, frete, imposto, anúncios e devoluções
    • ☐ Regras de remessa conferidas, se o fornecedor estiver no exterior
    • ☐ Anúncio com prazo real, despesas adicionais e condições de troca
    • ☐ Política de arrependimento (7 dias) e atendimento (resposta em até 5 dias)
    • ☐ Empresa e nota fiscal em ordem

    Perguntas frequentes

    Dropshipping é legal no Brasil?

    Sim. É um modelo de venda como outro qualquer, sujeito ao Código de Defesa do Consumidor, ao Decreto nº 7.962/2013 e às regras fiscais.

    Quem responde se o produto vier com defeito?

    A loja e o fornecedor respondem solidariamente pelos vícios do produto (CDC, art. 18). O cliente pode cobrar diretamente da loja.

    O cliente pode devolver um produto de dropshipping?

    Sim. Na compra pela internet, o consumidor pode desistir em 7 dias a contar do recebimento (CDC, art. 49), com devolução dos valores pagos.

    Preciso de CNPJ para fazer dropshipping?

    Para vender com regularidade e emitir nota fiscal, sim. O enquadramento (MEI, Simples Nacional ou outro) depende da atividade e do faturamento; decida com um contador.

    Quanto se paga de imposto no dropshipping internacional?

    Pelas regras de remessas da Receita: II de 60% como regra geral; em sites certificados no Remessa Conforme, para pessoa física, 0% até US$ 50 e 60% com desconto de US$ 30 acima disso; mais ICMS de 17% a 20%.

    Dropshipping nacional ou internacional: qual é melhor?

    O nacional entrega mais rápido e facilita trocas; o internacional costuma ter produto mais barato na origem, mas prazo maior, tributos na entrada e devolução cara.

    Quanto preciso investir para começar?

    Menos do que no estoque próprio, porque você não compra estoque antes de vender. Mas há custos de loja ou marketplace, anúncios, amostras e reserva para devoluções.

    Quando vale trocar o dropshipping por estoque próprio?

    Quando um produto vende com recorrência e a margem ou o prazo do fornecedor limitam o crescimento. Aí comprar em lote direto do fabricante tende a compensar.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Responsabilidade solidária por vícios; 30 dias para sanar (art. 18); arrependimento em 7 dias (art. 49)Norma oficialPlanalto — Lei nº 8.078/1990 (CDC), compilada13/10/2026Texto compilado vigente na consulta
    Informações obrigatórias na loja (art. 2º); resposta em até 5 dias (art. 4º); meios de arrependimento (art. 5º)Norma oficialPlanalto — Decreto nº 7.962/201313/10/2026Em vigor
    RTS até US$ 3.000; II de 60%; 0% até US$ 50 no Remessa Conforme para pessoa física (DIR desde 12/05/2026); desconto de US$ 30; ICMS de 17% a 20%; IPI, PIS e Cofins isentos; pagamento em até 20 diasNorma e orientação oficialReceita Federal — Tributação das remessas internacionais13/10/2026Regra vigente desde 12/05/2026
    Fórmula do ICMS “por dentro” na remessaOrientação oficialReceita Federal — Quanto vou pagar de impostos?13/10/2026Página vigente na consulta
    Preços, custos, taxas de 5%, 10% e 6%, frete de retorno de R$ 12 e câmbio de R$ 5,40HipóteseSimulação do autor——

    Demais fontes (acessadas em 13/10/2026):

    • Planalto — Lei nº 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm
    • Planalto — Decreto nº 7.962/2013 (comércio eletrônico): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/decreto/d7962.htm
    • Receita Federal — Tributação das remessas internacionais: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/topicos/tributacao
    • Receita Federal — Quanto vou pagar de impostos?: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/preciso-pagar-impostos-nas-compras-internacionais/quanto-pagarei-de-imposto
  • Licença de importação (LI e LPCO): quando é exigida e como pedir

    Licença de importação (LI e LPCO): quando é exigida e como pedir

    Resposta direta: a licença de importação é a autorização que alguns produtos ou operações precisam obter de órgãos do governo (os órgãos anuentes, como Anvisa, Ministério da Agricultura, Inmetro ou Decex) antes de serem importados. Ela não é exigida para todos os produtos: quem diz se a sua mercadoria precisa é o tratamento administrativo do código NCM, consultado no Simulador de Tratamento Administrativo do Siscomex (Portaria Secex nº 249/2023, art. 2º, § 2º). No fluxo antigo, a licença é a LI, pedida no Siscomex Importação e vinculada à DI; no Novo Processo de Importação, é o LPCO, pedido no Portal Único e vinculado à Duimp. Na maioria dos casos, a licença deve ser obtida antes do registro da declaração; em casos excepcionais, antes do embarque no exterior. Os prazos oficiais de análise são de 10 dias para a licença automática e 60 dias para a não automática (arts. 11 e 12). Importar sem licença exigida pode gerar multa de 30% do valor aduaneiro, com mínimo de R$ 500, apurada em processo pela fiscalização (Regulamento Aduaneiro, arts. 706 e 707).

    A licença entra cedo no planejamento, antes do embarque. Se você está começando, veja o processo completo em como importar da China e a escolha da fábrica em como encontrar fornecedor na China.

    O que é tratamento administrativo e licença de importação

    A Receita Federal define o tratamento administrativo (TA) como qualquer exigência de natureza não aduaneira sobre uma importação: licenças, certificados, autorizações, monitoramento ou exigências específicas antes ou durante o despacho. Quem aplica essas exigências são os órgãos anuentes, cada um na sua área (saúde, agricultura, metrologia, meio ambiente, segurança, comércio exterior).

    A licença de importação é a forma mais comum de tratamento administrativo. O Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009, art. 550) prevê que a importação de mercadoria está sujeita, na forma da legislação específica, a licenciamento por meio do Siscomex. A regra geral está na Portaria Secex nº 249/2023, alterada várias vezes; a última alteração indicada no texto consolidado, consultado em 13/10/2026, é a Portaria Secex nº 523, de 15/07/2026.

    Licença automática e não automática

    A Portaria Secex nº 249/2023 divide as licenças em dois tipos:

    TipoQuando se aplicaPrazo de análise (Portaria Secex nº 249/2023)
    AutomáticaO pedido é aprovado sempre que apresentado de forma adequada e completa, cumpridas as exigências legaisAté 10 dias (art. 11)
    Não automáticaO órgão anuente analisa o mérito: requisitos técnicos, sanitários, cotas, similaridade, bens usados etc.60 dias a partir do registro (art. 12); pode ser menor ou maior, conforme a legislação específica

    Se o órgão encontrar erro, omissão ou falta sanável, ele abre uma exigência no sistema, e o prazo de análise fica suspenso até a resposta. O importador tem até 90 dias para responder (art. 13, § 2º); sem resposta, o pedido é cancelado automaticamente por falta de interesse (art. 13, § 4º). Erros não sanáveis levam ao indeferimento (art. 14).

    Infográfico com os passos para pedir a licença de importação: NCM, simulador, pedido, análise e deferimento
    Na maioria dos casos, a licença vem antes do registro da declaração. Fonte: Receita Federal, Pedido de licenciamento (consulta em 13/10/2026).

    LI ou LPCO: qual pedir

    PontoLI (fluxo DI)LPCO (fluxo Duimp)
    Onde pedirMódulo Siscomex ImportaçãoMódulo LPCO do Portal Único Siscomex
    AbrangênciaUma LI por adição da DI, com todas as exigências; pode ser analisada por mais de um órgãoUm LPCO por requisito de licenciamento; com dois órgãos, são dois LPCO
    FormulárioPadronizadoModelo específico de cada órgão e operação
    DocumentosAnexados no módulo AnexaçãoAnexados no próprio formulário do LPCO
    ValidadeAté 180 dias para o registro da DI, contados da emissão (art. 15)Conforme a regulamentação de cada exigência (art. 16)
    UsoUma adição de DIUma ou mais operações, conforme o órgão

    A Receita dá um exemplo dos dois fluxos: um equipamento para análises clínicas importado usado pode exigir anuência do Decex (bem de capital usado) e da Anvisa (questão sanitária). Na DI, é uma LI analisada pelos dois órgãos; na Duimp, são dois LPCO, um para cada órgão.

    Qual fluxo vale para a sua operação depende do cronograma de migração para a Duimp. A Notícia Siscomex Importação nº 015/2026 alerta: a LI registrada depois da data de desligamento da operação não poderá ser vinculada à DI, mesmo deferida. Confira no simulador de desligamento da DI antes de pedir a licença.

    Como saber se o seu produto precisa de licença

    1. Classifique o produto no NCM correto. Propósito: o tratamento administrativo é definido por código. Cuidados: NCM errado pode esconder uma licença exigida.
    2. Consulte o Simulador de Tratamento Administrativo. Propósito: ver se há licença e de qual órgão. Cuidados: para Duimp, use o simulador do Novo Processo de Importação, no Portal Único; para DI, o simulador do Siscomex.
    3. Leia os “destaques” do NCM. Propósito: entender se a exigência vale para o seu caso. Cuidados: no fluxo DI, quando o destaque não se aplica à mercadoria, o importador informa o código 999 e fica dispensado daquela anuência, segundo a Receita.
    4. Na Duimp, preencha os atributos no Catálogo de Produtos. Propósito: o sistema identifica a necessidade de LPCO pelos atributos. Cuidados: atributo genérico pode levar a uma exigência que não se aplica, ou esconder uma que se aplica.
    5. Confira se a licença precisa ser prévia ao embarque. Propósito: evitar a multa por embarque antes da licença. Cuidados: quando a exigência é prévia ao embarque, a licença traz essa indicação (art. 6º, § 1º).
    6. Confirme com o despachante. Propósito: checar as normas específicas do órgão. Cuidados: as tabelas de tratamento administrativo do Siscomex são informativas; o simulador e a norma do órgão prevalecem.

    Algumas operações são dispensadas de licença, segundo a Receita: a admissão em entreposto aduaneiro, depósito afiançado, depósito franco, depósito especial e loja franca (Portaria Secex nº 249/2023, art. 5º, § 1º), e importações de empresas em ZPE, com exceções sanitárias, de segurança e ambientais. Se a mercadoria sair do entreposto para consumo, a licença passa a ser exigida.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Como pedir o LPCO no Portal Único

    O Manual do Importador do módulo TA/LPCO (versão de 23/07/2026) descreve o pedido em etapas:

    EtapaO que fazerDetalhe do manual
    1. Selecionar o modeloEscolher o modelo de LPCO do órgão e da operaçãoCada órgão tem modelos próprios
    2. Preencher os dadosImportador, produto (do Catálogo), quantidades, valores e campos do órgãoApenas o CPF/CNPJ é obrigatório para salvar um rascunho
    3. Anexar documentosLaudos, certificados, registros e outros exigidosAnexados no próprio formulário
    4. Salvar rascunho ou registrarEnviar para análiseAté 100 rascunhos por CPF/CNPJ; depois de registrado, o LPCO fica “Para análise”
    5. AcompanharVer situação, exigências e prazos de vigênciaA aba “Análise, Exigências e Solicitações” mostra tudo
    6. Responder exigênciasCorrigir ou complementarO prazo de análise fica suspenso até a resposta
    7. Usar o LPCO deferidoInformar na DuimpDeferido e vigente; prorrogação e retificação são pedidas no próprio módulo

    Alguns LPCO exigem pagamento de taxa do órgão anuente, integrada ao pagamento centralizado do Portal, e alguns precisam ser deferidos antes do embarque. A tabela de detalhamento do tratamento administrativo do Siscomex indica, por órgão, a validade do LPCO, se ele é retificável e se é prévio ao embarque.

    Validade e prazos da licença

    SituaçãoPrazoBase (Portaria Secex nº 249/2023)
    Análise de licença automáticaAté 10 diasArt. 11
    Análise de licença não automática60 dias do registro (pode variar)Art. 12
    Resposta a exigência do órgãoAté 90 dias; sem resposta, cancelamentoArt. 13, §§ 2º e 4º
    LI para registro da DIAté 180 dias da emissãoArt. 15
    Embarque quando a licença é prévia ao embarqueAté 90 dias da emissãoArt. 15, § 1º
    ProrrogaçãoUma única vez, pedida ao órgão antes do vencimento, com justificativa, por prazo máximo igual ao originalArt. 15, § 4º
    LPCOConforme a regulamentação de cada exigênciaArt. 16

    Com mais de um órgão na mesma LI, os prazos contam da primeira anuência (art. 15, § 2º). E o órgão pode fixar prazos menores (art. 15, § 3º).

    Infográfico com os prazos da licença de importação: 10 dias para licença automática, 60 dias para não automática, 90 dias para exigências, 90 dias para embarcar e 180 dias para registrar a declaração
    Prazos da licença de importação. Fonte: Portaria Secex nº 249/2023, consolidada até a Portaria Secex nº 523/2026, arts. 11 a 15 (consulta em 13/10/2026).

    Quanto custa importar sem licença ou fora do prazo

    O Regulamento Aduaneiro (art. 706) prevê multas sobre o valor aduaneiro quando o controle das importações é descumprido. Elas não são automáticas: são apuradas em processo administrativo fiscal (art. 707, II), depois que a fiscalização constata a infração.

    InfraçãoMultaLimites
    Importar mercadoria sem licença exigida (inclusive embarque mais de 40 dias após o vencimento da licença)30%Mínimo de R$ 500
    Embarcar antes de emitida a licença30%Mínimo de R$ 500; máximo de R$ 5.000
    Embarcar de 21 a 40 dias depois do vencimento da licença20%Mínimo de R$ 500; máximo de R$ 5.000
    Embarcar até 20 dias depois do vencimento da licença10%Mínimo de R$ 500; máximo de R$ 5.000

    As multas não excluem os tributos nem outras penalidades (art. 706, § 4º). Se houver mais de uma infração ao mesmo tempo, aplica-se só a mais grave (art. 706, § 3º). Não são infração, entre outros casos, diferenças por embarque de até 10% no preço ou de até 5% na quantidade ou no peso, desde que não ocorram juntas (art. 706, § 5º, I).

    Exemplo hipotético (valores aduaneiros inventados para ilustrar):

    SituaçãoValor aduaneiro de R$ 20.000Valor aduaneiro de R$ 50.000
    Sem licença exigida (30%, sem teto)R$ 6.000,00R$ 15.000,00
    Embarque antes da licença (30%, teto de R$ 5.000)R$ 5.000,00R$ 5.000,00
    Embarque 21 a 40 dias após o vencimento (20%, teto de R$ 5.000)R$ 4.000,00R$ 5.000,00
    Embarque até 20 dias após o vencimento (10%, teto de R$ 5.000)R$ 2.000,00R$ 5.000,00
    Gráfico hipotético das multas por falta de licença para uma carga de R$ 50.000: R$ 15.000 sem licença e R$ 5.000 nas demais infrações
    Exemplo hipotético das multas do art. 706 do Regulamento Aduaneiro. Simulação hipotética.

    Memória de cálculo: multa = percentual × valor aduaneiro, respeitados o mínimo de R$ 500 e, onde houver, o teto de R$ 5.000. A Receita lembra outro caso: se a descrição ou o NCM da LI precisarem mudar e o órgão não admitir a alteração, o importador terá de pedir nova LI e pagará a multa por importação sem licença, porque a nova licença virá depois do registro da DI.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    O que precisa estar pronto antes do embarque e o que pode vir depois

    MomentoRegra geralDispositivo
    Antes do registro da declaração (DI ou Duimp)A licença exigida em legislação específica deve ser obtida antes do registro da declaraçãoPortaria Secex nº 249/2023, art. 5º
    Antes do embarque no exteriorSó em casos excepcionais, previstos em regulamentação específica; o órgão anuente marca na licença a restrição de embarque. Com mais de um órgão, prevalece a exigência prévia ao embarque se um deles a impuserPortaria Secex nº 249/2023, art. 6º, §§ 1º e 2º
    Depois do embarqueAdmitida a emissão da licença se a mercadoria embarcou antes de a exigência entrar em vigor (com prova pelo conhecimento de embarque, em certos casos)Portaria Secex nº 249/2023, art. 6º, § 3º

    Esses momentos dependem do tratamento administrativo do seu NCM e do órgão anuente. Não generalize: um código pode exigir licença prévia ao embarque, e outro, do mesmo capítulo, nenhuma licença. Confirme sempre no simulador.

    Retenção, exigência, penalidade e perdimento: não são a mesma coisa

    TermoO que éConsequência práticaBase
    ExigênciaPendência registrada pelo fiscal (ou pelo órgão anuente, no pedido de licença) que impede o prosseguimentoO despacho fica interrompido até a pendência ser atendidaRA, art. 570; Portaria Secex nº 249/2023, art. 13
    RetençãoA mercadoria continua no recinto alfandegado, sem desembaraço, enquanto houver exigência pendenteCusto de armazenagem e atraso; não é punição em siRA, arts. 570 e 571, § 1º
    Penalidade (multa)Sanção pela infração ao controle das importaçõesMulta do art. 706, apurada em processo administrativo fiscalRA, arts. 706 e 707, II
    PerdimentoPerda da mercadoria em hipóteses de dano ao Erário. Para licença, a hipótese específica é importar sem licença quando a emissão estiver vedada ou suspensaA mercadoria é perdida; a multa do art. 706 só pode ser lançada antes da aplicação do perdimentoRA, arts. 689, XX, e 707, I e parágrafo único

    Ou seja: a simples falta de uma licença que poderia ser emitida leva, em regra, à exigência, à retenção até a regularização e à multa; o perdimento é reservado às hipóteses do art. 689.

    Erros comuns com licença de importação

    • Embarcar antes de checar o tratamento administrativo. Quando a licença é prévia ao embarque, embarcar antes dela pode gerar multa de 30%, limitada a R$ 5.000 (RA, art. 706, I, “b”, e § 2º).
    • Pedir LI depois do desligamento da operação. A LI não se vincula à DI; a operação vai para Duimp e LPCO.
    • Descrição da LI diferente da DI. Descrição e NCM da LI migram para a DI e não podem ser alterados; mudar exige licença substitutiva.
    • Não responder exigência no prazo. Depois de 90 dias, o pedido é cancelado.
    • Deixar a licença vencer com a carga a caminho. Pedir prorrogação só é possível antes do vencimento e uma única vez.
    • Confiar só na tabela informativa. As tabelas do Siscomex não substituem o simulador.
    • Esquecer a taxa do órgão. Alguns LPCO só seguem depois do pagamento.

    Riscos e como decidir

    O risco da licença é de calendário: se o produto exige licença não automática, o prazo oficial de análise pode chegar a 60 dias, mais o tempo de exigências. Inclua esse prazo no cronograma de compra e, se a licença for prévia ao embarque, combine com a fábrica que a mercadoria só embarca depois do deferimento. Para produtos com anuência de saúde, agricultura ou metrologia, avalie antes se o fabricante consegue fornecer laudos e certificados exigidos pelo órgão. Sem isso, a licença não sai.

    Checklist antes de embarcar

    • ☐ NCM definido e confirmado com o despachante
    • ☐ Tratamento administrativo consultado no simulador (DI ou Duimp)
    • ☐ Órgãos anuentes e modelos de LPCO identificados
    • ☐ Exigência prévia ao embarque verificada
    • ☐ Documentos técnicos do fabricante (laudos, certificados, registros) em mãos
    • ☐ Licença deferida e vigente antes do embarque, quando exigido
    • ☐ Descrição e NCM da licença iguais aos da declaração
    • ☐ Prazo de validade compatível com a chegada da carga

    Perguntas frequentes

    Todo produto importado precisa de licença de importação?

    Não. Só os produtos e operações com tratamento administrativo que exija licenciamento. Quem não precisa registra direto a declaração.

    Qual a diferença entre LI e LPCO?

    A LI é a licença do fluxo antigo (DI), pedida no Siscomex Importação. O LPCO é a licença do Novo Processo de Importação (Duimp), pedida no Portal Único, uma por requisito de cada órgão.

    Quanto tempo demora para sair a licença?

    Pela Portaria Secex nº 249/2023, até 10 dias para a automática e 60 dias para a não automática, contados do registro, podendo variar conforme a legislação do órgão. Exigências suspendem o prazo.

    Qual a validade da LI?

    Até 180 dias da emissão para o registro da DI e, quando a licença é prévia ao embarque, até 90 dias para embarcar (art. 15). O LPCO segue a regulamentação de cada órgão.

    Preciso de licença antes de embarcar?

    Na maioria dos casos, a licença é exigida antes do registro da declaração. Em casos excepcionais previstos pelo órgão, antes do embarque. O simulador e o próprio LPCO indicam.

    Qual a multa por importar sem licença?

    Se a fiscalização constatar a infração, a multa prevista é de 30% do valor aduaneiro, com mínimo de R$ 500 (Regulamento Aduaneiro, art. 706, I, “a”, e § 2º), apurada em processo administrativo (art. 707). Embarcar antes da licença, quando ela é prévia ao embarque, também pode gerar 30%, limitados a R$ 5.000. Se a emissão da licença estiver vedada ou suspensa, a hipótese passa a ser de perdimento (art. 689, XX).

    Quem pede a licença: o importador ou o despachante?

    O pedido é feito em nome do importador; na prática, o despachante costuma preencher e acompanhar, como representante.

    O que é o código 999 na LI?

    No fluxo DI, quando o NCM tem um “destaque” que não se aplica à mercadoria, o importador informa 999 no campo destaque da LI, e a mercadoria fica dispensada daquela anuência, segundo a Receita.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Licença antes do registro da declaração (art. 5º); prévia ao embarque só em casos excepcionais (art. 6º e §§)Norma oficialSiscomex — Portaria Secex nº 249/2023, texto consolidado (PDF)13/10/2026Consolidada até a Portaria Secex nº 523, de 15/07/2026
    Exigência e interrupção do despacho (art. 570); sem desembaraço com exigência pendente (art. 571, § 1º); multas e limites (art. 706, §§ 2º a 5º); processo e perdimento (art. 707); perdimento por licença vedada ou suspensa (art. 689, XX)Norma oficialPlanalto — Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro)13/10/2026Texto compilado vigente na consulta
    Licença automática em 10 dias; não automática em 60 dias; exigência com 90 dias; LI válida por 180 dias; embarque em 90 dias; prorrogação única; LPCO conforme o órgão; dispensas do art. 5ºNorma oficialPortaria Secex nº 249/2023, texto consolidado (PDF)13/10/2026Consolidada até a Portaria Secex nº 523, de 15/07/2026
    Multas de 30%, 20% e 10% do valor aduaneiro; mínimo de R$ 500 e máximo de R$ 5.000; licenciamento pelo Siscomex (art. 550)Norma oficialPlanalto — Decreto nº 6.759/2009, arts. 550 e 70613/10/2026Texto compilado vigente na consulta
    Tratamento administrativo; simulador; código 999; atributos do catálogo e LPCOOrientação oficialReceita Federal — Tratamento administrativo13/10/2026Página vigente na consulta
    Licença antes do registro (regra) ou antes do embarque (exceção); LI por adição; LPCO por requisito; exemplo do equipamento usado; nova LI e multaOrientação oficialReceita Federal — Pedido de licenciamento13/10/2026Página vigente na consulta
    Etapas do LPCO; até 100 rascunhos; situaçõesManual oficialSiscomex — Manual do Importador TA/LPCO (23/07/2026), PDF13/10/2026Versão de 23/07/2026
    Tabelas informativas de tratamento administrativo; validade, retificação e exigência prévia ao embarque por órgãoOrientação oficialSiscomex — Tratamento administrativo na importação13/10/2026Tabela atualizada conforme necessidade
    LI registrada após o desligamento não se vincula à DIComunicado oficialSiscomex — Notícia Importação nº 015/202613/10/2026Vigente na consulta
    Valores aduaneiros de R$ 20.000 e R$ 50.000HipóteseSimulação do autor——

    Demais fontes (acessadas em 13/10/2026):

    • Siscomex — Simuladores (tratamento administrativo, fluxo DI): https://www.gov.br/siscomex/pt-br/sistemas-de-comercio-exterior/simuladores
    • Portal Único — Simulador de Tratamento Administrativo (Duimp): https://portalunico.siscomex.gov.br/talpco/x/#/simular-ta-importacao
    • Receita Federal — Órgãos anuentes: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/despacho-de-importacao/topicos-1/procedimentos-preliminares/licenciamento-da-importacao/orgaos-anuentes
    • Siscomex — Painel de Licenciamento de Importação (LPCO): https://www.gov.br/siscomex/pt-br/informacoes/paineis-dos-orgaos-anuentes/painel-de-licenciamento-de-importacao-lpco
  • Como precificar produtos para revender: passo a passo com custos e taxas

    Como precificar produtos para revender: passo a passo com custos e taxas

    Resposta direta: para precificar produtos para revenda, siga cinco passos: (1) calcule o custo unitário completo do produto até o seu estoque; (2) liste as despesas variáveis de cada venda em % do preço (imposto, taxa de pagamento, comissão do canal); (3) transforme as despesas fixas mensais em % do faturamento; (4) defina a margem de lucro; (5) aplique o markup: preço = custo ÷ [1 − (despesas variáveis + despesas fixas + margem)/100]. Em seguida, compare o resultado com o preço praticado no mercado e calcule o ponto de equilíbrio. O Sebrae descreve três métodos (custo, markup e valor percebido); para quem revende, o caminho mais seguro é partir do custo e conferir no mercado. No Simples Nacional, o imposto sobre a venda é uma alíquota efetiva calculada pela faixa de receita (Lei Complementar nº 123/2006, art. 18), não a alíquota nominal da tabela. Em marketplaces, a comissão e as tarifas mudam por categoria: confira sempre a tabela vigente na Central do Vendedor.

    O preço começa na compra. Se você ainda está escolhendo de quem comprar, o ponto de partida é como encontrar fornecedor na China.

    Os três métodos de precificação

    O Sebrae aponta três modelos mais comuns de precificação no Brasil:

    MétodoComo funcionaQuando ajudaLimite
    CustoSoma os custos e acrescenta a margemNegócios com poucos produtosFácil errar a base das despesas percentuais
    MarkupAplica um índice fixo sobre o custo, que já embute despesas e margemMuitos produtos com a mesma estrutura de despesasPrecisa ser revisado quando mudam impostos e tarifas
    Valor percebidoParte do quanto o cliente aceita pagarProdutos com diferencial claroNão garante, sozinho, que os custos sejam cobertos

    Na prática, eles se completam: o markup diz o preço mínimo que paga tudo; o mercado e o valor percebido dizem se esse preço é viável. O passo a passo deste guia usa o markup como base. A explicação completa da fórmula está no guia sobre o que é markup, nesta mesma série.

    Passo 1: calcule o custo unitário completo

    O custo unitário é tudo o que foi gasto para o produto chegar ao seu estoque, pronto para vender, dividido pela quantidade.

    ItemExemplo de origemObservação
    Preço do produtoFatura do fornecedorNa moeda do pedido, convertido pelo câmbio efetivo
    Frete de entradaAgente de carga, transportadoraInternacional e nacional
    SeguroApóliceQuando contratado
    Tributos não recuperáveisDeclaração de importação ou nota de compraDepende do regime tributário; o contador define o que é recuperável
    Despesas de liberaçãoDespachante, armazenagem, taxasRateadas pela quantidade
    Perdas previstasHistórico de avariasOpcional, mas realista

    Exemplo hipotético: produto comprado por R$ 40,00 a unidade, com R$ 4,00 de frete e despesas de chegada rateados → custo unitário de R$ 44,00.

    Quem importa encontra o roteiro dos custos até o estoque em como importar da China.

    Passo 2: liste as despesas variáveis da venda

    Despesas variáveis são as que acontecem a cada venda e costumam ser cobradas em % do preço:

    • Imposto sobre a venda (no Simples Nacional, a alíquota efetiva do DAS);
    • Taxa do meio de pagamento (maquininha, intermediador, boleto);
    • Comissão do canal (marketplace, vendedor, afiliado);
    • Tarifas fixas por venda, quando existirem (essas são em reais, não em %).

    O imposto no Simples Nacional: alíquota efetiva

    No Simples Nacional, a tabela do Anexo I (comércio) traz uma alíquota nominal e um valor a deduzir por faixa de receita bruta acumulada em 12 meses. A Lei Complementar nº 123/2006 (art. 18, § 1º-A) manda calcular a alíquota efetiva:

    Alíquota efetiva = (RBT12 × alíquota nominal − parcela a deduzir) ÷ RBT12

    Faixa (Anexo I — Comércio)Receita bruta em 12 mesesAlíquota nominalValor a deduzir
    1ªAté R$ 180.000,004,00%—
    2ªDe R$ 180.000,01 a R$ 360.000,007,30%R$ 5.940,00
    3ªDe R$ 360.000,01 a R$ 720.000,009,50%R$ 13.860,00
    4ªDe R$ 720.000,01 a R$ 1.800.000,0010,70%R$ 22.500,00
    5ªDe R$ 1.800.000,01 a R$ 3.600.000,0014,30%R$ 87.300,00
    6ªDe R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.000,0019,00%R$ 378.000,00

    Exemplo hipotético: empresa do comércio com receita bruta de R$ 300.000,00 nos últimos 12 meses (2ª faixa). Alíquota efetiva = (300.000 × 7,30% − 5.940) ÷ 300.000 = 5,32%.

    Outros regimes (Lucro Presumido, Lucro Real), produtos com substituição tributária do ICMS e a transição da reforma tributária mudam a conta. Em 2026, a CBS e o IBS estão em fase de teste (Lei Complementar nº 214/2025); acompanhe com o seu contador como isso afeta a sua nota e o seu preço.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    Comissões e tarifas do canal de venda

    Cada marketplace publica as suas próprias regras de comissão e de tarifa fixa, que variam por categoria, tipo de anúncio e faixa de preço, e mudam com frequência. Não use percentuais de terceiros: consulte a tabela vigente na Central do Vendedor do seu canal e anote a data da consulta. Nos exemplos deste guia, as comissões são hipotéticas.

    Infográfico com os cinco passos para precificar produtos: custo completo, despesas variáveis, despesas fixas, margem e conferência no mercado
    Os cinco passos da precificação para revenda. Fonte: Sebrae (consulta em 13/10/2026).

    Passo 3: transforme as despesas fixas em percentual

    Despesas fixas são as que existem mesmo sem vendas: aluguel, salários, pró-labore, contador, sistemas, internet. Para usá-las na fórmula, divida o total mensal pelo faturamento mensal estimado.

    Exemplo hipotético: despesas fixas de R$ 6.000 por mês ÷ faturamento estimado de R$ 25.000 por mês = 24%.

    Cuidados: use um faturamento realista. Se o faturamento real ficar abaixo do previsto, cada venda carrega uma parte maior das despesas fixas, e a margem planejada não aparece.

    Passo 4: defina a margem de lucro

    A margem de lucro, na fórmula do markup, é a parte do preço que deve sobrar depois de pagar tudo. Ela depende do risco do produto, do giro, da concorrência e do capital investido. Não existe percentual universal. No exemplo hipotético deste guia, a margem desejada é de 10% do preço.

    Passo 5: aplique o markup e calcule o preço

    Com as premissas hipotéticas dos passos anteriores, veja o preço em dois canais.

    Premissas (hipotéticas): custo unitário de R$ 44,00; imposto de 5,32%; despesas fixas de 24%; margem de 10%. Na loja própria, taxa de pagamento de 4%. No marketplace, comissão hipotética de 14% e tarifa fixa hipotética de R$ 6,00 por venda (somada ao custo, porque é em reais).

    ItemLoja própriaMarketplace (valores hipotéticos)
    Custo consideradoR$ 44,00R$ 44,00 + R$ 6,00 = R$ 50,00
    Soma dos percentuais5,32% + 4% + 24% + 10% = 43,32%5,32% + 14% + 24% + 10% = 53,32%
    Markup divisor0,56680,4668
    Preço calculadoR$ 77,63R$ 107,11

    Memória de cálculo: R$ 44,00 ÷ 0,5668 = R$ 77,63; R$ 50,00 ÷ 0,4668 = R$ 107,11.

    Conferência da loja própria: R$ 44,00 (custo) + R$ 4,13 (imposto) + R$ 3,11 (taxa de pagamento) + R$ 18,63 (despesas fixas) + R$ 7,76 (margem) = R$ 77,63.

    Conferência do marketplace: R$ 44,00 + R$ 6,00 (tarifa fixa) + R$ 5,70 (imposto) + R$ 15,00 (comissão) + R$ 25,71 (despesas fixas) + R$ 10,70 (margem) = R$ 107,11. A margem aparece como R$ 10,70, e não R$ 10,71, por arredondamento de centavos.

    O mesmo produto precisa de preços diferentes em canais diferentes. Usar o preço da loja própria no marketplace, nesse exemplo, consumiria a margem inteira.

    Gráfico hipotético com a composição do preço de R$ 77,63 na loja própria: custo, imposto, taxa de pagamento, despesas fixas e margem
    Para onde vai cada real do preço na loja própria. Simulação hipotética.

    Confira o preço no mercado

    Com o preço calculado, pesquise quanto produtos equivalentes custam nos canais em que você vai vender. Três situações:

    ResultadoO que significaO que fazer
    Preço calculado abaixo do mercadoHá espaço para margem maior ou para ganhar volumeDecidir com base no posicionamento
    Preço calculado próximo do mercadoO produto é viável com a estrutura atualManter e acompanhar
    Preço calculado acima do mercadoCusto ou despesas altos demais para esse preçoReduzir custo, despesas ou margem, ou desistir do produto

    Exemplo hipotético: se o mercado pratica R$ 69,90 para um item equivalente, a loja própria do exemplo ficaria assim: R$ 69,90 − R$ 44,00 (custo) − R$ 6,51 (imposto e taxa, 9,32%) − R$ 16,78 (despesas fixas, 24%) = R$ 2,61 de sobra (3,7%), longe dos 10% planejados.

    Para manter os 10% a R$ 69,90, o custo unitário teria de ser no máximo R$ 69,90 × 0,5668 = R$ 39,62. Esse é o custo-alvo: um número útil na negociação com o fornecedor.

    Ponto de equilíbrio: quanto vender para não ter prejuízo

    O ponto de equilíbrio é o faturamento em que a margem de contribuição de todas as vendas paga exatamente as despesas fixas.

    Margem de contribuição = preço − custo − despesas variáveis

    Ponto de equilíbrio (R$) = despesas fixas ÷ margem de contribuição em %

    Exemplo hipotético (loja própria): margem de contribuição = R$ 77,63 − R$ 44,00 − R$ 7,24 (9,32% de imposto e taxa) = R$ 26,39, ou 33,99% do preço (R$ 26,39 ÷ R$ 77,63). Ponto de equilíbrio = R$ 6.000 ÷ (R$ 26,39 ÷ R$ 77,63) = R$ 17.649,87 por mês. Abaixo desse faturamento, a empresa tem prejuízo; acima, começa a aparecer o lucro.

    Infográfico com a lógica do ponto de equilíbrio: margem de contribuição de cada venda pagando as despesas fixas do mês
    A margem de contribuição de cada venda paga as despesas fixas. Simulação hipotética.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Regras de exibição do preço ao consumidor

    Precificar também é informar. O Código de Defesa do Consumidor garante ao consumidor informação adequada e clara sobre o preço (Lei nº 8.078/1990, art. 6º, III) e exige que a oferta traga informações corretas, claras e precisas, inclusive sobre o preço (art. 31). A Lei nº 10.962/2004 trata da afixação de preços; no comércio eletrônico, ela exige a divulgação ostensiva do preço à vista, junto à imagem do produto ou à descrição, em fonte não inferior a doze (art. 2º, III, incluído pela Lei nº 13.543/2017). Na prática:

    • mostre o preço total, com destaque, antes da compra;
    • informe com clareza o frete e as condições de parcelamento;
    • não anuncie um preço que o sistema não cobra.

    Precificação de produtos importados: cuidados extras

    Para quem revende produtos importados, três pontos mudam a conta:

    • Câmbio. O custo depende do câmbio do dia da compra da moeda estrangeira. Recalcule o custo quando o câmbio mudar de forma relevante.
    • Lote. Despesas de liberação são rateadas pelo lote: lotes maiores costumam diluir essas despesas por unidade, mas imobilizam mais capital.
    • Prazo. Entre o pagamento ao fornecedor e a primeira venda podem passar semanas. Capital parado também tem custo.

    Frete grátis, cupom e parcelamento: custos que entram no preço

    Algumas condições comerciais parecem não ter custo, mas têm. Se elas forem oferecidas, precisam estar na conta:

    CondiçãoOnde entra na fórmulaCuidado
    Frete grátisCusto em reais por pedido (some ao custo) ou % médio sobre o preçoFrete varia por região e peso; use a média real
    Cupom de descontoReduz o preço; refaça a conta com o preço com descontoO imposto e as taxas incidem sobre o valor efetivamente cobrado
    Parcelamento sem jurosTaxa de antecipação ou de parcelamento do meio de pagamento, em %Confira a tabela vigente do seu meio de pagamento
    Brinde ou embalagem especialCusto em reaisConte uma vez só
    Devoluções% médio de perdas sobre as vendasUse o histórico, quando houver

    Exemplo hipotético: se a loja própria do exemplo oferecer frete grátis com custo médio de R$ 9,00 por pedido de uma unidade, o custo considerado passa de R$ 44,00 para R$ 53,00, e o preço calculado vai para R$ 53,00 ÷ 0,5668 = R$ 93,51. Ou a empresa aceita uma margem menor, ou o frete grátis precisa ter valor mínimo de pedido.

    Kits e combos: como precificar mais de um item

    Kits ajudam a aumentar o valor do pedido e a diluir custos por venda, como frete e tarifas fixas. A conta é a mesma, com o custo do kit:

    1. Some o custo de cada item do kit. Propósito: ter o custo do conjunto. Cuidados: inclua a embalagem do kit.
    2. Use os percentuais do canal em que o kit será vendido. Propósito: manter a coerência com os demais preços. Cuidados: tarifas fixas por venda pesam menos num kit de valor maior.
    3. Aplique o divisor. Propósito: chegar ao preço do kit. Cuidados: compare com a soma dos preços avulsos; o kit costuma ter preço menor que a soma, mas não abaixo do calculado.

    Exemplo hipotético: dois itens de custo R$ 44,00 numa embalagem de R$ 2,00, no marketplace do exemplo: custo de R$ 90,00 + tarifa fixa hipotética de R$ 6,00 = R$ 96,00; preço = R$ 96,00 ÷ 0,4668 = R$ 205,66, contra 2 × R$ 107,11 = R$ 214,22 vendendo separado. A diferença vem da tarifa fixa paga uma vez só, descontado o custo da embalagem do kit.

    Quando e como reajustar o preço

    Preço não é definitivo. Os gatilhos mais comuns para revisar:

    • mudança de faixa no Simples Nacional (a alíquota efetiva muda);
    • alteração de comissão ou tarifa do canal de venda;
    • variação relevante do câmbio no próximo lote de compra;
    • aumento das despesas fixas ou queda do faturamento médio;
    • mudança no preço praticado pelo mercado.

    Ao reajustar, mantenha a memória de cálculo da versão anterior, para comparar o que mudou e por quê. Em produtos importados, uma boa prática é recalcular o preço antes de comprar o próximo lote, com o custo estimado desse lote, e não só quando ele chega.

    Erros comuns na precificação

    • Copiar o preço do concorrente sem saber se ele cobre os seus custos.
    • Esquecer despesas fixas e calcular só custo + imposto.
    • Usar a alíquota nominal do Simples em vez da alíquota efetiva.
    • Usar o mesmo preço em todos os canais, mesmo com comissões diferentes.
    • Somar percentuais ao custo em vez de usar o divisor.
    • Não revisar o preço quando mudam câmbio, frete, imposto ou tarifas.
    • Contar com o faturamento otimista para diluir as despesas fixas.

    Riscos e como decidir

    O preço calculado é o mínimo sustentável; o preço de mercado é o teto prático. Se o primeiro ficar acima do segundo, a decisão está no custo e na estrutura, não no preço. Quando viável, trabalhe com um custo-alvo antes de comprar: ele transforma a precificação em critério de escolha do produto e do fornecedor. E guarde a memória de cálculo de cada preço: ela é o que permite revisar rápido quando algo mudar.

    Checklist de precificação

    • ☐ Custo unitário completo, com frete e despesas de chegada
    • ☐ Alíquota efetiva do imposto sobre a venda (ou orientação do contador)
    • ☐ Taxas de pagamento e comissões vigentes, conferidas na Central do Vendedor
    • ☐ Despesas fixas mensais divididas pelo faturamento realista
    • ☐ Margem de lucro definida
    • ☐ Preço calculado com o markup divisor e conferido parcela por parcela
    • ☐ Preço comparado com o mercado e custo-alvo calculado
    • ☐ Ponto de equilíbrio conhecido
    • ☐ Preço total e frete informados com clareza ao consumidor

    Perguntas frequentes

    Como precificar produtos para revenda?

    Calcule o custo unitário completo, some as despesas variáveis, as despesas fixas e a margem em % do preço e divida o custo por [1 − soma]. Depois, compare com o mercado.

    Qual é a fórmula do preço de venda?

    Preço = custo ÷ [1 − (despesas variáveis + despesas fixas + margem)/100].

    Como incluir o imposto do Simples Nacional no preço?

    Use a alíquota efetiva da sua faixa (LC nº 123/2006, art. 18), não a nominal, e coloque-a nas despesas variáveis.

    Preciso ter preços diferentes em cada marketplace?

    Se as comissões e tarifas forem diferentes, normalmente sim. Faça a conta para cada canal.

    O que é custo-alvo?

    É o custo máximo que permite vender pelo preço de mercado mantendo a margem planejada.

    O que é ponto de equilíbrio?

    É o faturamento mensal em que a margem de contribuição paga as despesas fixas; abaixo dele, há prejuízo.

    De quanto em quanto tempo revisar os preços?

    Sempre que mudarem câmbio, frete, imposto, tarifas ou despesas fixas, e pelo menos periodicamente.

    Posso precificar só olhando a concorrência?

    Pode usar a concorrência como referência, mas sem calcular o seu custo e as suas despesas você não sabe se está lucrando.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Métodos de custo, markup e valor percebido; levantamento de custos diretos e fixosOrientação de entidade de apoio (Sebrae)Sebrae RN — Como calcular o preço do seu produto em 202613/10/2026Página vigente na consulta
    Fórmula do markupOrientação de entidade de apoio (Sebrae)Sebrae RN — Markup: o que é, pra que serve e como calcular13/10/2026Conceito estável
    Anexo I (comércio): faixas, alíquotas nominais e valores a deduzir; alíquota efetiva (art. 18, § 1º-A)Norma oficialLei Complementar nº 123/2006 (Planalto)13/10/2026Anexo I com redação da LC nº 155/2016, efeitos desde 01/01/2018
    CBS e IBS em fase de teste em 2026Norma oficialLei Complementar nº 214/2025 (Planalto)13/10/2026Regras de transição sujeitas a regulamentação
    Direito à informação sobre preço (art. 6º, III) e oferta clara (art. 31)Norma oficialLei nº 8.078/1990 — Código de Defesa do Consumidor (Planalto)13/10/2026Em vigor
    Afixação de preços, inclusive no comércio eletrônicoNorma oficialLei nº 10.962/2004 (Planalto)13/10/2026Em vigor
    Custo de R$ 44, receita de R$ 300.000, despesas fixas de R$ 6.000, comissão de 14%, tarifa de R$ 6, preços de R$ 77,63, R$ 107,11 e R$ 69,90HipóteseSimulação do autor——
  • Markup: o que é, como calcular e a diferença para a margem de lucro

    Markup: o que é, como calcular e a diferença para a margem de lucro

    Resposta direta: markup é o índice que se aplica sobre o custo de um produto para chegar ao preço de venda. Ele precisa cobrir, de uma só vez, as despesas variáveis (impostos sobre a venda, taxas de pagamento, comissões), as despesas fixas rateadas e a margem de lucro desejada. A fórmula usada pelo Sebrae é Markup = 100 / [100 − (DV + DF + ML)], com os três itens em porcentagem do preço de venda. O resultado é o markup multiplicador: preço = custo × multiplicador. A forma equivalente é o markup divisor: preço = custo ÷ [1 − (DV + DF + ML)/100]. Markup e margem não são a mesma coisa: markup é medido sobre o custo; margem, sobre o preço. Um markup de 100% (multiplicador 2) corresponde a uma margem bruta de 50%. O erro mais comum é somar os percentuais diretamente ao custo, o que deixa o preço abaixo do necessário.

    Markup é a ferramenta de quem revende: depois de encontrar fornecedor na China e calcular o custo de chegada, é o markup que transforma esse custo em preço.

    O que é markup

    Markup é uma palavra em inglês que, no varejo e na contabilidade gerencial, indica quanto o preço de venda está acima do custo. O Sebrae define markup como o índice “utilizado para determinar o lucro que uma empresa terá em suas vendas”, calculado com base nos custos, nas despesas e na margem de lucro desejada.

    Ele pode ser expresso de três jeitos, que dizem a mesma coisa:

    FormaO que mostraExemplo hipotético (custo de R$ 50 e preço de R$ 90,91)
    Markup multiplicadorPor quanto o custo é multiplicado1,8182
    Markup divisorPor quanto o custo é dividido0,55
    Markup percentualQuanto o preço está acima do custo, em % do custo81,82%

    A vantagem do markup é a padronização: calculado uma vez com a estrutura de custos do negócio, o mesmo índice serve para precificar vários produtos com a mesma estrutura de despesas. O Sebrae alerta para o outro lado: um índice alto demais pode tirar o produto da faixa de preço do mercado, e um índice baixo demais compromete a margem. Por isso ele deve ser revisado periodicamente.

    A fórmula do markup, passo a passo

    A fórmula publicada pelo Sebrae é:

    Markup (M) = 100 / [100 − (DV + DF + ML)]

    Onde:

    SiglaO que entraExemplos
    DVDespesas variáveis, em % do preço de vendaImposto sobre a venda, taxa da maquininha ou do meio de pagamento, comissão de vendedor ou de marketplace
    DFDespesas fixas, em % do preço de vendaAluguel, salários, contador, sistemas, rateados pelo faturamento previsto
    MLMargem de lucro desejada, em % do preço de vendaO que deve sobrar depois de pagar tudo

    O ponto que muda tudo: os três percentuais são calculados sobre o preço de venda, não sobre o custo. É por isso que a fórmula divide, em vez de somar.

    Markup divisor e markup multiplicador

    As duas formas levam ao mesmo preço:

    MétodoFórmulaComo usar
    Divisor1 − (DV + DF + ML)/100Preço = custo ÷ divisor
    Multiplicador1 ÷ divisorPreço = custo × multiplicador

    Quem prefere ver os percentuais explícitos costuma usar o divisor. Quem precifica muitos itens por dia costuma usar o multiplicador, porque é uma conta só.

    Infográfico com as quatro etapas do cálculo do markup: somar despesas e margem, calcular o divisor, calcular o multiplicador e aplicar ao custo
    As quatro etapas do cálculo do markup. Fonte: fórmula do Sebrae (consulta em 13/10/2026).

    Exemplo de cálculo do markup

    Exemplo hipotético. Todos os valores abaixo foram inventados para ilustrar a conta; não são referência de mercado. Confira os seus números reais com o seu contador.

    Premissas (hipotéticas):

    • Custo do produto já no estoque: R$ 50,00
    • Despesas variáveis: 18% do preço (imposto sobre a venda e taxa de pagamento, juntos)
    • Despesas fixas: 15% do preço
    • Margem de lucro desejada: 12% do preço

    Memória de cálculo:

    1. Soma dos percentuais: 18% + 15% + 12% = 45%
    2. Markup divisor: 1 − 0,45 = 0,55
    3. Markup multiplicador: 1 ÷ 0,55 = 1,8182
    4. Preço de venda: R$ 50,00 ÷ 0,55 = R$ 90,91 (ou R$ 50,00 × 1,8182)

    Conferência (o preço precisa pagar tudo):

    ParcelaCálculoValor
    Custo do produto—R$ 50,00
    Despesas variáveis18% de R$ 90,91R$ 16,36
    Despesas fixas15% de R$ 90,91R$ 13,64
    Margem de lucro12% de R$ 90,91R$ 10,91
    TotalR$ 90,91

    A conta fecha: o preço cobre o custo, as despesas e ainda deixa os 12% planejados.

    O erro mais comum: somar os percentuais ao custo

    Muita gente faz a conta “ao contrário”: pega o custo e soma os mesmos 45%. Veja o que acontece com as mesmas premissas hipotéticas:

    CálculoPreçoDespesas (33% do preço)Sobra depois de custo e despesas
    Correto: R$ 50,00 ÷ 0,55R$ 90,91R$ 30,00R$ 10,91 (12% do preço)
    Errado: R$ 50,00 + 45%R$ 72,50R$ 23,93−R$ 1,43 (prejuízo)

    Memória de cálculo da linha errada: R$ 50,00 × 1,45 = R$ 72,50; despesas variáveis e fixas = 33% × R$ 72,50 = R$ 23,93; sobra = R$ 72,50 − R$ 50,00 − R$ 23,93 = −R$ 1,43.

    O motivo: as despesas e o imposto são cobrados sobre o preço, que é maior que o custo. Quem soma os percentuais ao custo calcula sobre uma base menor e não paga as próprias despesas.

    Gráfico hipotético comparando o preço de R$ 90,91 calculado pelo markup divisor com o preço de R$ 72,50 obtido somando 45% ao custo
    Mesmo custo e mesmos percentuais, dois preços. Simulação hipotética.

    Markup x margem de lucro: qual é a diferença

    O Sebrae resume assim: markup é o índice aplicado ao custo; margem de lucro é a porcentagem do preço de venda que é lucro, depois de cobrir custos e despesas.

    Na prática, existem duas margens que as pessoas confundem:

    ConceitoBaseFórmulaNo exemplo hipotético
    Markup percentualCusto(preço − custo) ÷ custo(90,91 − 50) ÷ 50 = 81,82%
    Margem brutaPreço(preço − custo) ÷ preço(90,91 − 50) ÷ 90,91 = 45%
    Margem de lucro (líquida, no método)PreçoML da fórmula12%

    A tabela de conversão entre markup percentual e margem bruta mostra por que os números parecem “não bater”:

    Markup sobre o custoMultiplicadorMargem bruta sobre o preço
    25%1,2520,0%
    50%1,5033,3%
    80%1,8044,4%
    100%2,0050,0%
    150%2,5060,0%
    200%3,0066,7%

    Fórmula da conversão: margem bruta = markup ÷ (100 + markup). Essa margem bruta ainda não é lucro: dela saem impostos, taxas, despesas fixas e publicidade.

    Infográfico comparando markup, medido sobre o custo, e margem, medida sobre o preço de venda
    Markup se mede sobre o custo; margem, sobre o preço. Fonte: Sebrae (consulta em 13/10/2026).

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    O que entra no custo antes de aplicar o markup

    O markup multiplica um custo. Se o custo estiver incompleto, o preço sai errado, por melhor que seja o índice. Para quem compra para revender, o custo unitário costuma incluir:

    ItemEntra no custo?Observação
    Preço pago ao fornecedorSimNa moeda do pedido, convertido pelo câmbio efetivo da operação
    Frete até o seu estoqueSimInclui frete internacional e nacional, quando houver
    Seguro da cargaSim, quando contratado—
    Tributos de importação não recuperáveisSimDependem do regime tributário da empresa; confirme com o contador
    Despesas de desembaraço (despachante, armazenagem, taxas)SimRateadas pela quantidade importada
    Embalagem de envio ao clienteDependePode entrar no custo ou nas despesas variáveis, desde que não entre nos dois
    Imposto sobre a vendaNãoVai na DV, em % do preço
    Aluguel, salários, sistemasNãoVão na DF, em % do preço

    A regra é não contar o mesmo gasto duas vezes e não deixar nenhum de fora. Quem importa encontra o roteiro dos custos de chegada no guia de como importar da China.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    Como transformar despesas fixas em percentual

    A DF é a parte que mais gera dúvida, porque as despesas fixas são em reais por mês, não em porcentagem. O caminho mais simples:

    1. Some as despesas fixas mensais. Propósito: saber quanto o negócio gasta mesmo sem vender. Cuidados: inclua pró-labore, contador, sistemas e o que mais for mensal.
    2. Estime o faturamento mensal. Propósito: ter a base de rateio. Cuidados: use um número realista, de preferência a média dos últimos meses; previsão otimista reduz a DF artificialmente.
    3. Divida as despesas fixas pelo faturamento. Propósito: chegar à DF em %. Cuidados: recalcule quando o faturamento ou as despesas mudarem.
    4. Some DV + DF + ML e aplique a fórmula. Propósito: obter o divisor e o multiplicador. Cuidados: se a soma chegar a 100% ou mais, não existe preço possível; reduza despesas ou a margem.
    5. Compare o preço com o mercado. Propósito: saber se o produto é vendável. Cuidados: se o preço calculado ficar acima do mercado, o problema está no custo ou nas despesas, não na fórmula.

    Exemplo hipotético: despesas fixas de R$ 4.500 por mês e faturamento estimado de R$ 30.000 por mês → DF = 4.500 ÷ 30.000 = 15%. É esse o percentual usado no exemplo do início.

    Quando usar um markup diferente por produto

    Um markup único é prático, mas nem sempre é o melhor. Situações em que costuma fazer sentido separar:

    SituaçãoPor que separar
    Canais de venda diferentes (loja própria e marketplace)A comissão e as tarifas mudam a DV; o mesmo produto pode precisar de preços diferentes
    Produtos com frete muito diferenteFrete pesa mais em itens volumosos de valor baixo
    Produtos com giro muito diferenteItem parado consome capital por mais tempo
    Produtos de entrada (que atraem clientes)O negócio pode aceitar margem menor em alguns itens, desde que o conjunto feche a conta

    Em marketplaces, as comissões e tarifas mudam com a categoria e o tipo de anúncio. Use sempre a tabela vigente na Central do Vendedor do seu canal, com a data de consulta anotada, antes de fechar a DV.

    Descontos e promoções: o efeito sobre a margem

    O desconto sai inteiro da margem, e as despesas em percentual continuam incidindo sobre o novo preço. Exemplo hipotético, com as mesmas premissas do início:

    SituaçãoPreçoDespesas variáveis e fixas (33%)Sobra
    Preço cheioR$ 90,91R$ 30,00R$ 10,91 (12,0%)
    Desconto de 10%R$ 81,82R$ 27,00R$ 4,82 (5,9%)

    Memória de cálculo: R$ 90,91 × 0,90 = R$ 81,82; 33% × R$ 81,82 = R$ 27,00; R$ 81,82 − R$ 50,00 − R$ 27,00 = R$ 4,82.

    Um desconto de 10% no preço reduziu a sobra em mais da metade. Antes de anunciar promoção, refaça a conta com o preço promocional.

    Markup para quem importa: do custo em dólar ao preço

    Para quem revende produtos importados, o custo que entra no markup é o custo de chegada, não o preço da fatura. Exemplo hipotético, com todos os valores inventados:

    EtapaCálculoValor por unidade
    Preço na faturaUS$ 4,00 × câmbio fictício de R$ 5,40R$ 21,60
    Frete, seguro e despesas de chegada rateadosValor inventadoR$ 6,40
    Tributos de importação não recuperáveis rateadosValor inventadoR$ 12,00
    Custo de chegadaSomaR$ 40,00
    Preço com o multiplicador 1,8182R$ 40,00 × 1,8182R$ 72,73

    Memória de cálculo: R$ 40,00 ÷ 0,55 = R$ 72,73 (mesmo divisor do exemplo do início).

    Se você aplicasse o markup sobre os R$ 21,60 da fatura, o preço seria R$ 39,27, abaixo do próprio custo de chegada. É um erro que só aparece quando o dinheiro já saiu. Os tributos de importação variam por produto e regime; quem calcula a parte real deles é o despachante, com o contador.

    Como usar uma calculadora de markup

    Calculadoras de markup facilitam a conta, mas pedem os dados certos. Antes de confiar no resultado, confira:

    O que a calculadora pedeComo preencher
    CustoO custo de chegada por unidade, não o preço da fatura
    ImpostosA alíquota efetiva sobre a venda, em % do preço
    Taxas e comissõesEm % do preço; tarifas fixas em reais somam ao custo
    Despesas fixasEm % do faturamento estimado
    Margem desejadaEm % do preço

    Se a calculadora mostrar o mesmo preço da conta manual (custo ÷ divisor), ela está usando a mesma lógica do Sebrae. Se mostrar um preço menor, provavelmente está somando percentuais ao custo.

    A conta numa planilha

    Numa planilha, bastam quatro linhas: na primeira, o custo; na segunda, a soma dos percentuais (por exemplo, 45%); na terceira, o divisor, com a fórmula “= 1 − soma”; na quarta, o preço, com a fórmula “= custo ÷ divisor”. Uma quinta linha de conferência, que soma custo, despesas e margem em reais, mostra se a conta fecha.

    Mesmo produto, duas estruturas de despesa

    O markup não é do produto; é da estrutura de quem vende. Exemplo hipotético, com o mesmo custo de R$ 50,00 e a mesma margem de 12%, em duas empresas diferentes:

    ItemEmpresa enxutaEmpresa com mais estrutura
    Despesas variáveis18%18%
    Despesas fixas10%25%
    Margem desejada12%12%
    Soma40%55%
    Multiplicador1,66672,2222
    Preço calculadoR$ 83,33R$ 111,11

    Memória de cálculo: R$ 50,00 ÷ 0,60 = R$ 83,33; R$ 50,00 ÷ 0,45 = R$ 111,11.

    A diferença de quase R$ 28 vem só das despesas fixas. Por isso, copiar o markup de outra empresa, ou de uma tabela pronta, raramente funciona: o índice certo é o calculado com os seus números.

    Erros comuns ao usar o markup

    • Somar os percentuais ao custo. O preço fica abaixo do necessário, como no exemplo acima.
    • Esquecer o frete e as despesas de chegada no custo. O markup multiplica um número errado.
    • Contar o mesmo gasto duas vezes. Embalagem no custo e de novo na DV, por exemplo.
    • Usar a margem bruta como se fosse lucro. Dela ainda saem despesas e publicidade.
    • Não revisar o índice. Mudou o imposto, a comissão ou o faturamento, muda a DV ou a DF.
    • Ignorar o mercado. O Sebrae lembra que um índice alto demais pode deixar o produto fora da faixa de preço praticada.

    Riscos e como decidir

    O markup é um ponto de partida, não uma decisão automática. Ele responde à pergunta “qual preço cobre tudo e deixa a margem que o negócio quer?”. Depois disso, entram o preço que o mercado aceita, a concorrência e o posicionamento do produto. Se o preço do markup ficar muito acima do praticado, há três caminhos: reduzir o custo (negociar com o fornecedor, comprar em outro volume, revisar o frete), reduzir despesas ou aceitar uma margem menor, com consciência do efeito. Nenhum deles deve ser feito sem refazer a conta inteira.

    Checklist do markup

    • ☐ Custo unitário completo (produto, frete, seguro, tributos não recuperáveis, despesas de chegada)
    • ☐ Despesas variáveis em % do preço (imposto sobre a venda, taxas de pagamento, comissões)
    • ☐ Despesas fixas mensais divididas pelo faturamento estimado
    • ☐ Margem de lucro desejada definida em % do preço
    • ☐ Soma dos percentuais abaixo de 100%
    • ☐ Preço calculado conferido (custo + despesas + margem = preço)
    • ☐ Preço comparado com o mercado
    • ☐ Índice revisado quando mudarem impostos, tarifas ou despesas

    Perguntas frequentes

    O que é markup em palavras simples?

    É o número pelo qual se multiplica o custo para chegar a um preço que paga as despesas e deixa lucro.

    Como calcular o markup?

    Some as despesas variáveis, as despesas fixas e a margem desejada, todas em % do preço. Depois aplique Markup = 100 / [100 − soma]. O resultado é o multiplicador do custo.

    Qual é a diferença entre markup e margem?

    O markup é medido sobre o custo; a margem, sobre o preço de venda. Markup de 100% equivale a margem bruta de 50%.

    Markup de 100% significa lucro de 100%?

    Não. Significa que o preço é o dobro do custo. Desse valor ainda saem impostos, taxas e despesas fixas.

    O que é markup divisor?

    É 1 menos a soma dos percentuais sobre o preço. Dividindo o custo por ele, chega-se ao preço de venda.

    Qual é um markup bom?

    Não existe um número universal. O markup certo é o que cobre a estrutura de custos do seu negócio e deixa a margem planejada, num preço que o mercado aceite.

    Posso usar uma calculadora de markup?

    Pode, desde que você saiba o que ela pede: percentuais sobre o preço, não sobre o custo. Confira o resultado refazendo a conta uma vez à mão.

    Com que frequência devo revisar o markup?

    Sempre que mudarem o imposto, as tarifas de venda, as despesas fixas ou o faturamento médio.

    Markup serve para serviços?

    Serve. A lógica é a mesma: o custo direto do serviço (horas, materiais) é dividido pelo divisor que embute impostos, despesas fixas e margem.

    Qual é a diferença entre markup e lucro líquido?

    O markup forma o preço; o lucro líquido é o que sobra no fim do período, depois de todas as despesas reais. Se as vendas ficarem abaixo do previsto, o lucro líquido fica abaixo da margem planejada.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Definição de markup; fórmula M = 100/[100 − (DV + DF + ML)]; diferença para margem de lucroOrientação de entidade de apoio (Sebrae)Sebrae RN — Markup: o que é, pra que serve e como calcular13/10/2026Conceito estável; página vigente na consulta
    Índice de markup como multiplicador; risco de índice alto ou baixo; revisão periódicaOrientação de entidade de apoio (Sebrae)Sebrae RN — Como calcular o preço do seu produto em 202613/10/2026Página vigente na consulta
    Custo de R$ 50, percentuais de 18%, 15% e 12%, preço de R$ 90,91, desconto de 10%HipóteseSimulação do autor——
    Conversão markup × margem brutaCálculo matemáticoSimulação do autor, a partir das fórmulas acima——
  • Como vender no TikTok Shop: passo a passo para começar, taxas e quanto sobra por venda

    Como vender no TikTok Shop: passo a passo para começar, taxas e quanto sobra por venda

    Resposta direta: para vender no TikTok Shop, você cadastra a loja na Central do Vendedor com CNPJ válido (segundo o próprio TikTok Shop), integra a emissão de nota fiscal, cadastra os produtos e vende por vídeos, lives, vitrine e afiliados. O custo de cada venda tem duas partes principais, segundo a página oficial “Tarifa de Comissão da Plataforma” (consulta em 13/10/2026): desde 15/07/2026, itens abaixo de R$ 50 pagam 10% de comissão + R$ 4 por item, e itens a partir de R$ 50 pagam 6% + R$ 6 por item, sobre o preço depois dos descontos do vendedor. Quem participa do Programa de Taxas de Envio, em que os vendedores entram automaticamente, paga ainda 6% do preço por produto entregue, com teto de R$ 50 por item. Num item de R$ 79,90, essas três cobranças somam R$ 15,58 (19,5% do preço). Confira as taxas vigentes na Central do Vendedor antes de precificar: o TikTok informa que pode alterá-las mediante aviso. Não há garantia de vendas: o resultado depende de produto, conteúdo, preço e operação.

    Antes de anunciar, vale entender de onde vem o produto: como encontrar fornecedor na China mostra como comparar fabricantes pelo custo final.

    Como o TikTok Shop funciona

    O TikTok Shop junta o vídeo curto e a loja: o comprador vê o produto num vídeo, numa live ou na vitrine de um criador e compra sem sair do aplicativo. Para o vendedor, isso muda a lógica: o anúncio não depende só de busca, mas de conteúdo que faça o produto ser descoberto.

    Canal de vendaComo funciona
    Vídeos com produtoO vídeo leva o comprador direto à página do produto
    LivesDemonstração ao vivo, com compra durante a transmissão
    Vitrine da lojaPágina com os produtos da loja
    Afiliados (criadores)Criadores divulgam o produto e recebem a comissão definida pelo vendedor

    Passo a passo para começar a vender no TikTok Shop

    1. Tenha CNPJ e conta bancária da empresa. Propósito: cumprir o requisito de cadastro. Cuidados: o TikTok Shop informa que é preciso registro como pessoa jurídica com CNPJ válido; o enquadramento se decide com o contador.
    2. Cadastre a loja na Central do Vendedor. Propósito: habilitar as vendas. Cuidados: a plataforma verifica as qualificações da empresa e exige a integração com a NF-e para ativar logística e pedidos.
    3. Calcule a margem antes de comprar estoque. Propósito: não descobrir o prejuízo depois. Cuidados: use as taxas oficiais e a simulação deste guia.
    4. Cadastre os produtos. Propósito: ter a página de venda. Cuidados: fotos, título, descrição, variações, peso e medidas corretos.
    5. Planeje o conteúdo. Propósito: fazer o produto ser descoberto. Cuidados: demonstre o uso real; não prometa o que o produto não entrega.
    6. Defina a comissão de afiliados, se for usar. Propósito: ampliar o alcance com criadores. Cuidados: a comissão do afiliado é custo seu e entra na margem.
    7. Acompanhe despacho, avaliações e devoluções. Propósito: manter a loja saudável. Cuidados: prazos e métricas de envio são monitorados pela plataforma.
    Infográfico com os sete passos para começar no TikTok Shop: CNPJ, cadastro, margem, produtos, conteúdo, afiliados e acompanhamento
    Os passos para começar a vender no TikTok Shop. Fonte: TikTok Shop, Central do Vendedor e blog oficial (consulta em 13/10/2026).

    As taxas do TikTok Shop

    Preço do item após os descontos do vendedorTarifa de comissãoTaxa por item vendido
    Abaixo de R$ 50,0010%R$ 4,00
    A partir de R$ 50,006%R$ 6,00

    Fonte: TikTok Shop, “Tarifa de Comissão da Plataforma” (página datada de 12/06/2026), valores vigentes desde 15/07/2026 às 00:00 (horário do Brasil), consulta em 13/10/2026; na consulta, a página não trazia alteração posterior. Antes dessa data, a comissão era de 6% e a taxa por item, de R$ 4,00, em todas as faixas.

    Outros pontos da mesma página e do programa de envio (consulta em 13/10/2026):

    • Base de cálculo: o preço do item depois dos descontos do vendedor, sem incluir o desconto da plataforma.
    • Programa de Taxas de Envio: 6% do preço de venda de cada produto enviado com sucesso, com teto de R$ 50 por produto, para oferecer frete reduzido ou grátis ao comprador. Segundo os Termos de Serviço do Vendedor, a taxa é cobrada nos pedidos entregues, inclusive nos depois devolvidos por solicitação de devolução e reembolso.
    • Novos vendedores: desde 01/03/2026, quem conclui a missão de novo vendedor e resgata a recompensa pode ter comissão de 0% por 60 dias, com limite de R$ 17.000, segundo a página oficial. A missão precisa ser concluída antes de expirar, e a plataforma pode mudar incentivos a qualquer tempo.
    • Adesão ao programa de envio: segundo a página do programa (atualizada em 31/08/2026), o vendedor é inscrito automaticamente e pode sair pela Central do Vendedor; quem sai deixa de pagar os 6% e também perde o frete subsidiado ao comprador.
    • Devoluções: a taxa do programa de envio não é cobrada se o pedido for cancelado antes do envio, mas não é devolvida se o produto foi entregue e depois devolvido. Quando a devolução é por responsabilidade do vendedor (item com defeito, errado ou diferente do anúncio), ele paga também o frete de ida e o de volta.
    • Notas fiscais das tarifas: emitidas mensalmente pela Bytedance Brasil Tecnologia Ltda., na área de Finanças da Central do Vendedor.

    O valor de fronteira está no texto oficial: “< R$ 50,00” e “≥ R$ 50,00”, ou seja, R$ 50,00 exatos já entram na faixa de 6% + R$ 6. A base é o preço do item após os descontos do vendedor, sem incluir o desconto da plataforma. Não acessei a Central do Vendedor (exige login), então não há confirmação do painel além das páginas públicas. Ainda assim, confira o enquadramento efetivamente aplicado na Central do Vendedor antes de definir o preço, porque descontos do vendedor mudam a faixa.

    Quanto o TikTok Shop leva por faixa de preço

    Cálculo com as taxas oficiais (comissão + taxa por item + Programa de Taxas de Envio), antes de imposto, custo do produto, embalagem e afiliados:

    PreçoComissãoTaxa por itemPrograma de envio (6%)Total% do preçoRepasse antes dos outros custos
    R$ 19,90R$ 1,99R$ 4,00R$ 1,19R$ 7,1836,1%R$ 12,72
    R$ 39,90R$ 3,99R$ 4,00R$ 2,39R$ 10,3826,0%R$ 29,52
    R$ 49,90R$ 4,99R$ 4,00R$ 2,99R$ 11,9824,0%R$ 37,92
    R$ 50,00R$ 3,00R$ 6,00R$ 3,00R$ 12,0024,0%R$ 38,00
    R$ 79,90R$ 4,79R$ 6,00R$ 4,79R$ 15,5819,5%R$ 64,32
    R$ 129,90R$ 7,79R$ 6,00R$ 7,79R$ 21,5816,6%R$ 108,32

    Memória de cálculo: comissão = preço × 10% (abaixo de R$ 50) ou × 6% (a partir de R$ 50); taxa por item de R$ 4 ou R$ 6; programa de envio = preço × 6%, limitado a R$ 50; arredondamento em centavos. A parte fixa pesa muito mais no item barato: em R$ 19,90, as taxas levam mais de um terço do preço.

    Gráfico com o percentual do preço que fica com o TikTok Shop em itens de R$ 19,90, R$ 39,90, R$ 79,90 e R$ 129,90
    Comissão, taxa por item e programa de envio como % do preço. Cálculo com as taxas oficiais (vigentes desde 15/07/2026; consulta em 13/10/2026).

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Quanto sobra de cada venda: simulação hipotética

    Exemplo hipotético. Produto, custos, imposto e comissão de afiliado abaixo foram inventados. As taxas da plataforma são as oficiais.

    Premissas: preço de R$ 79,90; imposto sobre a venda de 6% (alíquota hipotética); custo do produto de R$ 30,00; embalagem de R$ 2,50; no segundo cenário, comissão de afiliado de 10% (definida pelo vendedor, hipotética).

    ItemSem afiliadoCom afiliado (10%)
    Preço de venda79,9079,90
    (−) Comissão, taxa por item e programa de envio15,5815,58
    (−) Imposto sobre a venda (6%)4,794,79
    (−) Custo do produto30,0030,00
    (−) Embalagem2,502,50
    (−) Comissão do afiliado—7,99
    = Margem de contribuição27,0319,04
    % do preço33,8%23,8%

    Memória de cálculo: 79,90 × 6% = 4,79; 79,90 × 10% = 7,99; margem = preço − taxas − imposto − produto − embalagem − afiliado. Frete não subsidiado, anúncios pagos e devoluções ficam de fora; a margem de contribuição não é lucro.

    Infográfico com os custos de uma venda no TikTok Shop: comissão, taxa por item, programa de envio, imposto, produto, embalagem e afiliado
    O que sai de cada venda no TikTok Shop. Fonte: Central do Vendedor do TikTok Shop (consulta em 13/10/2026).

    O degrau dos R$ 50

    Abaixo de R$ 50, a comissão é maior (10%) e a taxa por item é menor (R$ 4); a partir de R$ 50, a comissão cai para 6% e a taxa sobe para R$ 6. Na tabela acima, um item de R$ 49,90 deixa R$ 37,92 de repasse, e um de R$ 50,00 deixa R$ 38,00. Perto do degrau, a diferença é pequena; o efeito grande da parte fixa aparece nos itens baratos. Uma prática citada no mercado é montar kits para tirar o pedido da faixa de preço mais cara em percentual. Faça a conta para o seu produto.

    O que o vendedor precisa cumprir

    • Prazos de despacho e métricas de envio monitoradas pela plataforma.
    • Direito de arrependimento: em compras pela internet, o consumidor pode desistir em 7 dias a contar do recebimento (Código de Defesa do Consumidor, art. 49).
    • Responsabilidade por vício do produto: os fornecedores da cadeia respondem solidariamente (CDC, art. 18).
    • Nota fiscal de cada venda, integrada à plataforma.
    • Regras da plataforma sobre produtos permitidos e conteúdo.

    Erros comuns de quem está começando

    • Precificar sem somar o programa de envio às taxas.
    • Vender itens muito baratos, em que a parte fixa leva boa parte do preço.
    • Esquecer a comissão de afiliado na margem.
    • Conteúdo que promete o que o produto não entrega, que vira devolução e avaliação ruim.
    • Contar com a comissão de 0% de novo vendedor como se fosse permanente.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de vender ou importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu contador.

    Checklist para começar no TikTok Shop

    • ☐ CNPJ e conta bancária da empresa
    • ☐ Loja cadastrada e NF-e integrada
    • ☐ Taxas conferidas na Central do Vendedor
    • ☐ Programa de envio incluído na conta
    • ☐ Margem de contribuição calculada, com e sem afiliado
    • ☐ Produtos cadastrados com peso e medidas corretos
    • ☐ Plano de conteúdo (vídeos e lives)
    • ☐ Prazo de despacho que você consegue cumprir

    Perguntas frequentes

    Como começar a vender no TikTok Shop?

    Cadastre a loja na Central do Vendedor com CNPJ, integre a nota fiscal, cadastre os produtos e venda por vídeos, lives, vitrine e afiliados.

    Quanto o TikTok Shop cobra por venda?

    Segundo a página oficial (consulta em 13/10/2026), 10% + R$ 4 por item abaixo de R$ 50 e 6% + R$ 6 a partir de R$ 50, mais 6% do Programa de Taxas de Envio, com teto de R$ 50 por item. Confira na Central do Vendedor.

    Preciso de CNPJ para vender no TikTok Shop?

    Sim, segundo o TikTok Shop, o cadastro exige registro como pessoa jurídica com CNPJ válido.

    O que é o Programa de Taxas de Envio?

    É o programa que cofinancia cupons de frete para o comprador; o vendedor paga 6% do preço de cada produto entregue, com teto de R$ 50.

    Novos vendedores pagam comissão?

    Quem conclui a missão de novo vendedor pode ter comissão de 0% por 60 dias, com limite de R$ 17.000, segundo a página oficial.

    Vale a pena vender no TikTok Shop?

    Depende da margem do seu produto depois de todas as taxas e da sua capacidade de produzir conteúdo. Faça a conta antes de comprar estoque.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Comissão de 10% + R$ 4 (abaixo de R$ 50) e 6% + R$ 6 (a partir de R$ 50); base após descontos do vendedor; 0% por 60 dias com limite de R$ 17.000 para novos vendedores; notas fiscais da Bytedance BrasilPreço praticado (texto oficial)TikTok Shop — Tarifa de Comissão da Plataforma13/10/2026Vigente desde 15/07/2026; confira na Central do Vendedor
    Programa de Taxas de Envio: 6% do preço de venda após desconto do vendedor, nos produtos entregues, teto de R$ 50 por produto; inscrição automática, com saída opcional; regra de devoluçõesPreço praticado (texto oficial; página atualizada em 31/08/2026)TikTok Shop — Shipping Fee Program13/10/2026Página vigente na consulta
    Taxa do programa cobrada em pedidos entregues, inclusive os devolvidos depoisTermos oficiaisTikTok Shop — Termos de Serviço do Vendedor13/10/2026Página vigente na consulta
    Cadastro com CNPJ válido; integração com NF-eOrientação oficialTikTok Shop — Blog do vendedor (Brasil)13/10/2026Página vigente na consulta
    Arrependimento em 7 dias (art. 49); responsabilidade solidária por vício (art. 18)Norma oficialLei nº 8.078/1990 — Código de Defesa do Consumidor (Planalto)13/10/2026Em vigor
    Preço de R$ 79,90, imposto de 6%, custo de R$ 30, embalagem de R$ 2,50, afiliado de 10%HipóteseSimulação do autor——
  • Mercado Livre Full: o que é, custos, requisitos e quando vale a pena

    Mercado Livre Full: o que é, custos, requisitos e quando vale a pena

    Resposta direta: o Mercado Livre Full é o serviço de logística em que o vendedor envia o estoque para um centro de distribuição do Mercado Livre, e a plataforma armazena, prepara e entrega os pedidos, com entregas no mesmo dia ou no dia seguinte onde houver cobertura. Segundo a página oficial (consulta em 13/10/2026), além de continuar pagando as tarifas de venda, o vendedor paga uma armazenagem diária por unidade, conforme medidas e peso: R$ 0,007 (pequeno), R$ 0,015 (médio), R$ 0,050 (grande) e R$ 0,107 (extragrande). Pode haver outros custos conforme a gestão no Full, como o de estoque antigo, e a coleta a domicílio, quando disponível, tem custo calculado pelo volume e pela distância. Os produtos precisam ser novos e industrializados, com até 25 kg e medidas permitidas; itens com vencimento precisam ter validade superior a 90 dias. Para entrar, o vendedor preenche um formulário de interesse e o Mercado Livre avalia se a conta tem os requisitos. Vale a pena quando o estoque gira rápido; parado, ele custa todo dia.

    Para quem importa para revender, o Full é uma das opções de logística depois da nacionalização descrita em como importar da China.

    O que é o Mercado Livre Full

    No envio tradicional, o vendedor guarda o produto, embala e posta ou entrega à transportadora a cada venda. No Full, o vendedor envia um lote de estoque de uma vez para o centro de distribuição, e o Mercado Livre cuida do resto: armazenagem, separação, embalagem, entrega e parte do pós-venda.

    EtapaEnvio tradicionalMercado Livre Full
    ArmazenagemVendedorMercado Livre
    Embalagem do pedidoVendedorMercado Livre (o produto vai com embalagem individual e etiqueta)
    EntregaTransportadora ou agênciaMercado Livre
    Pós-venda após a entregaVendedorTime do Full trata algumas situações, como reclamações e devoluções
    Custo extraTempo e estrutura própriaArmazenagem diária e outros custos conforme a gestão

    Segundo a página oficial, os anúncios no Full ganham o filtro do Full nas buscas, podem anunciar entrega no mesmo dia ou no dia seguinte, inclusive aos sábados e feriados, e participam do frete grátis a partir de R$ 19 quando o comprador monta o carrinho com produtos Full, conforme as condições da oferta.

    Quanto custa o Mercado Livre Full

    O custo do Full tem três partes:

    1. Tarifa de venda, que continua sendo cobrada de acordo com o tipo de anúncio e a categoria.
    2. Armazenagem diária por unidade, conforme as medidas e o peso.
    3. Outros custos conforme a gestão no Full, como o de estoque antigo e o da coleta a domicílio, quando usada.

    Armazenagem diária por unidade, segundo a página oficial na consulta de 13/10/2026:

    TamanhoMedidas e pesoExemplo da páginaCusto diário por unidade
    PequenoAté 12 × 15 × 25 cm e até 18 kgTabletR$ 0,007
    MédioAté 28 × 36 × 51 cm e até 18 kgCafeteiraR$ 0,015
    GrandeAté 60 × 60 × 70 cm e até 18 kgMicro-ondasR$ 0,050
    ExtragrandeMais de 60 × 60 × 70 cm e/ou mais de 18 kgLata de tintaR$ 0,107

    A página também menciona benefícios no armazenamento de produtos acima de R$ 200, com condições próprias. Confira no painel do vendedor os valores e as condições vigentes antes de enviar estoque.

    Infográfico com o custo diário de armazenagem no Mercado Livre Full por tamanho: R$ 0,007, R$ 0,015, R$ 0,050 e R$ 0,107 por unidade
    Armazenagem diária por unidade no Mercado Livre Full. Fonte: página oficial do Mercado Envios Full (consulta em 13/10/2026).

    Tarifas de venda que continuam valendo

    O Full não substitui a tarifa de venda. Segundo a Universidade de Vendedores do Mercado Livre, com as tarifas vigentes na consulta de 13/10/2026 (a página não informa data de atualização):

    ItemRegra informada
    Anúncio ClássicoTarifa entre 10% e 14% do valor da venda, conforme a categoria
    Anúncio PremiumTarifa entre 15% e 19%, com parcelamento em até 12 vezes sem juros para o comprador
    Produtos abaixo de R$ 12,50Custo fixo de 50% do valor da unidade, além do percentual
    Produtos de R$ 12,50 a R$ 79Custo fixo em três faixas de preço
    Produtos acima de R$ 79Sem custo fixo

    As tarifas mudam e têm reduções em algumas categorias e condições. Use o simulador de custos do Mercado Livre e confira no painel. As taxas do Mercado Livre têm artigo próprio no blog, que será linkado aqui quando publicado.

    Requisitos para entrar no Full

    Segundo as perguntas frequentes da página oficial:

    • Entrada por formulário. O vendedor preenche o formulário de interesse; se a conta tiver os requisitos, o time do Mercado Livre entra em contato para ativar o serviço.
    • Produtos novos e industrializados, com peso máximo de 25 kg e medidas permitidas.
    • Produtos proibidos. Há itens que não podem ir para o Full.
    • Validade. Produtos com data de vencimento precisam ter validade superior a 90 dias.
    • Estoque separado. O vendedor deve retirar dos anúncios ativos em outras logísticas a quantidade de itens enviada para o Full.

    Os requisitos da conta (reputação, volume e outros) não estão detalhados na página de apresentação; confira na central de vendedores. Recomendações de quantidade, benefícios promocionais, cobertura de coleta e custos exibidos no painel podem ser específicos da sua conta, região ou período; não os trate como regra geral do Full.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Como enviar o estoque para o Full

    1. Escolher produtos e quantidades. Propósito: enviar o que vai girar. Cuidados: a página recomenda seguir a quantidade sugerida pelo Mercado Livre para evitar custos por estoque antigo.
    2. Preparar os produtos. Propósito: ter o lote aceito no centro de distribuição. Cuidados: embalagem individual (saco plástico transparente ou caixa) e etiqueta do Mercado Livre em cada unidade; kits embalados juntos com uma etiqueta.
    3. Agrupar e etiquetar os volumes. Propósito: organizar o recebimento. Cuidados: produtos pequenos agrupados em caixas, sacolas ou pallets com etiqueta de volume.
    4. Agendar o envio. Propósito: entregar o lote no centro de distribuição. Cuidados: siga as regras de acesso ao centro.
    5. Escolher como levar. Propósito: definir o custo do transporte até o Full. Cuidados: veículo próprio, transportadora, entrega pelo fornecedor (seguindo o padrão do Full) ou coleta a domicílio, onde houver cobertura, com custo pelo volume e pela distância.
    6. Acompanhar o recebimento e as vendas. Propósito: saber quando o estoque está à venda. Cuidados: confira divergências de quantidade no painel.
    Infográfico com as etapas de envio ao Mercado Livre Full: escolher quantidades, preparar, etiquetar, agendar, transportar e acompanhar
    Como enviar o estoque para o Mercado Livre Full. Fonte: página oficial do Mercado Envios Full (consulta em 13/10/2026).

    Efeito da armazenagem do Full na margem: simulação hipotética

    Esta simulação isola o efeito da armazenagem do Full, mantendo os demais custos hipoteticamente iguais. Não representa uma comparação completa entre Full e envio próprio. Os custos reais dependem das tarifas de envio, transferência de estoque, armazenagem, operação e condições específicas do vendedor.

    Exemplo hipotético. Preço, custo do produto, frete, embalagem e imposto foram inventados para ilustrar a conta. A armazenagem diária segue a página oficial na consulta de 13/10/2026; confira tarifas e custos no painel.

    Premissas: produto de tamanho médio vendido por R$ 149,90 em anúncio Clássico com tarifa de 12%; custo de envio pago pelo vendedor de R$ 24,00 (igual nos dois cenários, para isolar o efeito da armazenagem); imposto sobre a venda de 6%; custo do produto de R$ 55,00; embalagem de R$ 3,00.

    ItemCálculoValor
    Preço de venda—R$ 149,90
    Tarifa de venda (Clássico, 12%)149,90 × 12%− R$ 17,99
    Envio pago pelo vendedor (hipotético)—− R$ 24,00
    Imposto sobre a venda (6%, hipotético)149,90 × 6%− R$ 8,99
    Custo do produto—− R$ 55,00
    Embalagem—− R$ 3,00
    Sobra por unidade sem Full149,90 − 17,99 − 24,00 − 8,99 − 55,00 − 3,00R$ 40,92

    Agora o efeito da armazenagem do Full (R$ 0,015 por dia para produto médio), conforme o tempo que cada unidade fica no estoque:

    Dias no FullArmazenagem por unidadeSobra por unidade com Full
    3030 × 0,015 = R$ 0,45R$ 40,47
    4545 × 0,015 = R$ 0,68R$ 40,24
    120120 × 0,015 = R$ 1,80R$ 39,12

    Memória de cálculo: tarifa e imposto sobre o preço; armazenagem = dias × R$ 0,015; sobra com Full = 40,92 − armazenagem; arredondamento em centavos. Não inclui custo de levar o estoque ao Full, custos por estoque antigo nem eventuais benefícios.

    Gráfico hipotético com a sobra por unidade: R$ 40,92 sem Full e R$ 40,47, R$ 40,24 e R$ 39,12 com 30, 45 e 120 dias no Full
    Efeito isolado da armazenagem na sobra por unidade de um produto médio, com os demais custos mantidos iguais. Simulação hipotética; não é uma comparação completa entre Full e envio próprio.

    Como ler a simulação: para um produto médio que gira em um mês, a armazenagem é pequena perto da margem. O custo cresce com o tempo parado e com o tamanho: um produto extragrande (R$ 0,107 por dia) parado 120 dias custaria R$ 12,84 por unidade só de armazenagem. Do outro lado, o Full pode aumentar visitas e vendas, segundo a página oficial, mas isso não é garantido e depende de cada anúncio.

    Quanto estoque enviar: conta simples

    O custo do Full depende de quanto tempo cada unidade fica parada. Uma forma simples de planejar é pensar em dias de cobertura: quantos dias de venda o lote enviado deve cobrir.

    Exemplo hipotético. Produto médio (R$ 0,015 por dia), com venda média de 3 unidades por dia.

    Cobertura do loteUnidades enviadasTempo médio parado por unidadeArmazenagem média por unidadeArmazenagem total do lote
    15 dias457,5 diasR$ 0,11R$ 5,06
    30 dias9015 diasR$ 0,23R$ 20,25
    60 dias18030 diasR$ 0,45R$ 81,00

    Memória de cálculo: unidades = venda diária × dias de cobertura; considerando venda constante, cada unidade fica em média metade da cobertura no estoque; armazenagem média = tempo médio × R$ 0,015; total = unidades × tempo médio × R$ 0,015; arredondamento em centavos.

    Dobrar a cobertura quadruplica o custo total de armazenagem do lote, porque há mais unidades e cada uma fica mais tempo parada. Em compensação, lotes menores exigem envios mais frequentes, cada um com o seu custo de transporte até o centro de distribuição. O ponto certo depende do giro real do produto, que só o histórico de vendas mostra. A recomendação de quantidade que a própria plataforma apresenta é um bom ponto de partida.

    Full para produtos importados

    Para quem importa para revender, o Full tem alguns cuidados próprios:

    • Documentação. O produto precisa estar regularmente nacionalizado e com nota fiscal; as regras fiscais de envio ao centro de distribuição devem ser seguidas.
    • Embalagem individual e etiqueta. Dá para combinar com o fabricante uma embalagem que já atenda ao padrão do Full, com código de barras, reduzindo o trabalho de preparação no Brasil.
    • Certificações. Categorias com certificação obrigatória continuam exigindo a regularidade do produto antes da venda.
    • Ciclo de caixa. Entre a compra no exterior, a chegada, o envio ao Full e a venda, o dinheiro fica parado por semanas. Inclua esse prazo no planejamento.

    Full x envio próprio: como decidir

    CritérioFull tende a fazer sentidoEnvio próprio tende a fazer sentido
    Giro do estoqueProduto que vende com regularidadeProduto de venda lenta ou sazonal
    TamanhoItens pequenos e médiosItens grandes ou extragrandes com giro lento
    EstruturaPouco espaço ou equipe para embalarEstrutura própria eficiente
    PrazoConcorrência entrega no dia seguinteCliente aceita prazo maior
    CapitalCaixa para manter estoque no centroPreferência por estoque próprio e flexível

    Muitos vendedores combinam as duas formas: os produtos de maior giro vão para o Full, e o restante segue no envio próprio.

    As tarifas e condições citadas foram consultadas nas páginas oficiais em 13/10/2026 e podem mudar. Confira os valores vigentes no painel do vendedor antes de enviar estoque e precificar.

    Erros comuns com o Mercado Livre Full

    • Enviar estoque demais e pagar armazenagem e custos de estoque antigo.
    • Achar que o Full substitui a tarifa de venda.
    • Não considerar o custo de levar o lote ao centro de distribuição.
    • Embalar fora do padrão e ter o lote recusado ou atrasado.
    • Esquecer de ajustar o estoque dos anúncios em outras logísticas.
    • Contar com aumento de vendas como certo.

    Checklist do Mercado Livre Full

    • ☐ Produto novo, industrializado, até 25 kg e com medidas permitidas
    • ☐ Produto fora da lista de proibidos e com validade acima de 90 dias, se houver
    • ☐ Tamanho e custo diário de armazenagem conferidos
    • ☐ Quantidade baseada no giro e na recomendação da plataforma
    • ☐ Tarifa de venda e custo de envio simulados
    • ☐ Embalagem individual e etiquetas no padrão
    • ☐ Transporte até o centro de distribuição orçado
    • ☐ Estoque ajustado nas outras logísticas

    Perguntas frequentes

    O que é o Mercado Livre Full?

    É o serviço em que o vendedor envia o estoque para um centro de distribuição do Mercado Livre, que armazena, prepara e entrega os pedidos.

    Quanto custa o Mercado Livre Full?

    A tarifa de venda continua, mais armazenagem diária por unidade de R$ 0,007 a R$ 0,107, conforme o tamanho, e outros custos conforme a gestão (consulta em 13/10/2026).

    Como entrar no Mercado Livre Full?

    Pelo formulário de interesse na página oficial; se a conta tiver os requisitos, o time do Mercado Livre entra em contato.

    Quais produtos podem ir para o Full?

    Produtos novos e industrializados, com até 25 kg e medidas permitidas, fora da lista de proibidos; itens com vencimento precisam ter validade superior a 90 dias.

    O Full aumenta as vendas?

    A página oficial afirma que o Full pode aumentar visitas e vendas, mas o resultado depende do produto, do preço e da concorrência; não é garantido.

    Posso usar o Full e o envio próprio ao mesmo tempo?

    Sim. A página oficial informa que é possível continuar com os outros serviços de envio e usar o Full como mais uma opção.

    O que é custo por estoque antigo no Full?

    A página oficial menciona que podem existir custos conforme a gestão no Full e recomenda seguir a quantidade sugerida para que as unidades não fiquem muito tempo no centro de distribuição. As regras e os valores desse custo ficam na central de vendedores; confira antes de enviar lotes grandes.

    Quem atende o cliente quando o pedido sai pelo Full?

    Antes da venda, o vendedor continua respondendo às perguntas. Depois da entrega, segundo a página oficial, o time de pós-venda do Full trata algumas situações, como reclamações e devoluções.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Armazenagem diária de R$ 0,007, R$ 0,015, R$ 0,050 e R$ 0,107 por unidade; tarifa de venda mantida; outros custos conforme a gestão; requisitos (novos, industrializados, até 25 kg, validade acima de 90 dias); formulário de interesse; preparação e envio; coleta pelo volume e distânciaPublicado pela plataformaMercado Livre — Mercado Envios Full13/10/2026Conforme a página na data da consulta; confira no painel
    Clássico de 10% a 14%; Premium de 15% a 19%; custo fixo abaixo de R$ 79Publicado pela plataformaMercado Livre — Como funcionam as taxas do Mercado Livre13/10/2026Conforme a página na data da consulta; confira no painel
    Preço de R$ 149,90, tarifa de 12%, envio de R$ 24,00, imposto de 6%, produto de R$ 55,00, embalagem de R$ 3,00 e dias em estoqueHipóteseSimulação do autor——
  • Como vender no Mercado Livre: guia para começar com taxas, anúncios e preço certo

    Como vender no Mercado Livre: guia para começar com taxas, anúncios e preço certo

    Resposta direta: para vender no Mercado Livre, você cria a conta de vendedor, cadastra o anúncio (fotos, título, ficha técnica, preço e estoque), escolhe o tipo de anúncio e a forma de envio e acompanha as vendas e a reputação. O ponto que decide se a operação dá resultado é o custo de cada venda. Segundo a Central de Vendedores (consulta em 13/10/2026), a tarifa de venda é de 10% a 14% do preço no anúncio Clássico e de 15% a 19% no Premium, conforme a categoria; produtos abaixo de R$ 79 podem ter também um custo fixo por unidade, que, segundo a documentação oficial, depende da logística; e entra ainda o custo de envio. Some imposto sobre a venda, custo do produto e embalagem, e só então você sabe quanto sobra. Confira a tarifa da sua categoria no painel do vendedor, no Simulador de Custos, antes de definir o preço. Não há garantia de vendas: o resultado depende de produto, preço, concorrência e operação.

    Antes de anunciar, vale entender de onde vem o produto: como encontrar fornecedor na China mostra como comparar fabricantes pelo custo final.

    Passo a passo para começar a vender no Mercado Livre

    1. Crie a conta de vendedor. Propósito: habilitar as vendas. Cuidados: use dados que você consiga comprovar; a Central de Vendedores informa os requisitos de cadastro vigentes.
    2. Defina como vai vender: CPF ou empresa. Propósito: emitir nota fiscal e pagar os impostos corretos. Cuidados: para vender com regularidade e crescer, o caminho é ter empresa; o enquadramento (MEI, Simples ou outro) se decide com o contador.
    3. Escolha o produto e calcule a margem antes de comprar estoque. Propósito: não descobrir o prejuízo depois. Cuidados: use o Simulador de Custos e a fórmula da margem deste guia.
    4. Crie o anúncio. Propósito: ser encontrado e convencer. Cuidados: título com o nome do produto, ficha técnica completa, fotos nítidas e descrição sem promessas que você não cumpre.
    5. Escolha Clássico ou Premium. Propósito: equilibrar tarifa e visibilidade. Cuidados: compare a margem dos dois.
    6. Escolha a forma de envio. Propósito: prazo e custo de entrega. Cuidados: a logística muda o custo fixo abaixo de R$ 79.
    7. Acompanhe vendas, perguntas e reputação. Propósito: manter o anúncio saudável. Cuidados: atrasos, cancelamentos e reclamações pesam na reputação.
    Infográfico com os sete passos para começar a vender no Mercado Livre: conta, CPF ou empresa, margem, anúncio, tipo de anúncio, envio e acompanhamento
    Os passos para começar a vender no Mercado Livre. Fonte: Central de Vendedores do Mercado Livre (consulta em 13/10/2026).

    As taxas do Mercado Livre

    CustoComo funcionaFonte oficial
    Tarifa de venda — Clássico10% a 14% do valor da venda, conforme a categoria; sem parcelamento em 12x sem juros para o compradorCentral de Vendedores
    Tarifa de venda — Premium15% a 19%, conforme a categoria; mais visibilidade e parcelamento em até 12x sem jurosCentral de Vendedores
    Custo fixo por unidade (abaixo de R$ 79)Abaixo de R$ 12,50, 50% do valor da unidade; de R$ 12,50 a R$ 79, três faixas de preço; segundo a documentação oficial, no Mercado Envios só o Flex cobra, e logística própria ou envio personalizado sempre cobramCentral de Vendedores e Mercado Livre Developers
    Custo fixo a partir de R$ 79Não existeCentral de Vendedores
    Custo de envioDepende do produto e da forma de envioSimulador de Custos

    Fontes: Central de Vendedores, “Como funcionam as taxas do Mercado Livre”, e Mercado Livre Developers, “Custos por vender” (última atualização em 03/09/2026), consulta em 13/10/2026.

    As duas páginas oficiais descrevem o custo fixo de forma diferente: a de taxas fala só em faixas de preço; a de desenvolvedores separa por logística. A página de taxas também não publica os valores das três faixas entre R$ 12,50 e R$ 79. Os valores de fronteira, como R$ 12,50 e R$ 79,00, dependem do enquadramento aplicado pela plataforma. Por isso, confira no painel, no Simulador de Custos, o custo exato do seu anúncio.

    Clássico ou Premium

    ClássicoPremium
    Tarifa de venda10% a 14%15% a 19%
    Parcelamento em até 12x sem juros para o compradorNãoSim
    VisibilidadePadrãoMaior, segundo o Mercado Livre
    Tende a fazer sentidoPreço baixo, margem apertadaPreço mais alto, em que o parcelamento ajuda a vender

    A diferença de 5 pontos percentuais pesa. Teste com dados reais de conversão antes de decidir para todo o catálogo.

    Quanto sobra de cada venda: simulação hipotética

    Exemplo hipotético. Produto, custos, tarifa e imposto abaixo foram inventados. A tarifa usada está dentro das faixas oficiais, mas a da sua categoria pode ser outra.

    Premissas: preço de R$ 149,90 (acima de R$ 79, sem custo fixo); tarifa hipotética de 12% no Clássico e 17% no Premium; envio por conta do vendedor de R$ 24,00 (fictício); imposto sobre a venda de 6% (alíquota hipotética); custo do produto de R$ 55,00; embalagem de R$ 3,00.

    ItemClássico (12%)Premium (17%)
    Preço de venda149,90149,90
    (−) Tarifa de venda17,9925,48
    (−) Custo de envio24,0024,00
    (−) Imposto sobre a venda (6%)8,998,99
    (−) Custo do produto55,0055,00
    (−) Embalagem3,003,00
    = Margem de contribuição40,9233,43
    % do preço27,3%22,3%

    Memória de cálculo: 149,90 × 12% = 17,99; 149,90 × 17% = 25,48; 149,90 × 6% = 8,99; margem = preço − tarifa − envio − imposto − produto − embalagem. A margem de contribuição ainda precisa pagar despesas fixas, publicidade e devoluções; não é lucro.

    Gráfico hipotético comparando a margem de contribuição de R$ 40,92 no Clássico e R$ 33,43 no Premium para um produto de R$ 149,90
    Margem de contribuição no Clássico e no Premium. Simulação hipotética; confira a tarifa da sua categoria no Simulador de Custos.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Formas de envio

    LogísticaEm resumoCusto fixo abaixo de R$ 79 (documentação oficial)
    FullO estoque fica no centro de distribuição do Mercado Livre, que embala e enviaNão cobra (há custos de envio e de operar com Full)
    Coleta, Drop Off, Places e TurboO vendedor embala; a coleta ou a entrega em ponto é do Mercado EnviosNão cobra
    FlexO vendedor entrega na mesma região, com prazo curtoCobra
    Logística própria ou envio personalizadoO vendedor contrata o transporteCobra

    A escolha depende de volume, região, tipo de produto e capacidade de operação. Confira as condições de cada modalidade na Central de Vendedores.

    O que o vendedor precisa cumprir

    • Prazos de despacho e qualidade do atendimento, que afetam a reputação.
    • Direito de arrependimento: em compras pela internet, o consumidor pode desistir em 7 dias a contar do recebimento (Código de Defesa do Consumidor, art. 49).
    • Responsabilidade por vício do produto: os fornecedores da cadeia respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade (CDC, art. 18).
    • Nota fiscal e impostos conforme o regime da sua empresa.
    • Regras da plataforma sobre produtos permitidos e anúncios.

    Como calcular o preço mínimo

    Se você quer que a margem de contribuição seja um percentual m do preço:

    Preço mínimo = (custo do produto + embalagem + envio) ÷ (1 − tarifa − imposto sobre a venda − m)

    Com as premissas da simulação, para uma margem de 20% no Clássico: (55,00 + 3,00 + 24,00) ÷ (1 − 0,12 − 0,06 − 0,20) = 82,00 ÷ 0,62 = R$ 132,26. A fórmula vale para preços a partir de R$ 79, sem custo fixo, e com envio fixo; refaça com os valores do Simulador.

    Infográfico com os custos de uma venda no Mercado Livre: tarifa, custo fixo abaixo de R$ 79, envio, imposto, produto e embalagem
    Os custos que entram em cada venda. Fonte: Central de Vendedores e Mercado Livre Developers (consulta em 13/10/2026).

    Erros comuns de quem está começando

    • Precificar pelo preço do concorrente sem calcular a própria margem.
    • Esquecer o custo fixo em produtos abaixo de R$ 79, conforme a logística.
    • Esquecer o imposto sobre a venda.
    • Escolher Premium para tudo sem medir conversão.
    • Anúncio com ficha técnica incompleta, que gera perguntas e devoluções.
    • Prometer prazo que não consegue cumprir.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de vender ou importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu contador.

    Checklist para o primeiro anúncio

    • ☐ Conta de vendedor criada e dados conferidos
    • ☐ Regime tributário definido com o contador
    • ☐ Tarifa da categoria conferida no Simulador (Clássico e Premium)
    • ☐ Custo fixo da logística conferido (preço abaixo de R$ 79)
    • ☐ Custo de envio anotado
    • ☐ Margem de contribuição calculada em R$ e em %
    • ☐ Preço mínimo calculado
    • ☐ Fotos, título e ficha técnica completos
    • ☐ Prazo de despacho que você consegue cumprir

    Perguntas frequentes

    Como começar a vender no Mercado Livre?

    Crie a conta de vendedor, cadastre o anúncio, escolha tipo de anúncio e forma de envio e calcule a margem antes de comprar estoque.

    Quanto o Mercado Livre cobra por venda?

    Segundo a Central de Vendedores (consulta em 13/10/2026), 10% a 14% no Clássico e 15% a 19% no Premium, conforme a categoria, mais custo fixo abaixo de R$ 79 (conforme a logística) e custo de envio. Confira no painel.

    Qual a diferença entre Clássico e Premium?

    O Premium tem tarifa maior, mais visibilidade e parcelamento em até 12x sem juros para o comprador.

    Preciso de CNPJ para vender no Mercado Livre?

    Os requisitos de cadastro estão na Central de Vendedores. Para vender com regularidade, emitir nota fiscal e crescer, o caminho é ter empresa; decida o enquadramento com o contador.

    Vale a pena vender no Mercado Livre?

    Depende da margem do seu produto depois de todos os custos. Faça a conta antes de comprar estoque.

    O que é o Full?

    É a logística em que o estoque fica no centro de distribuição do Mercado Livre, que embala e envia os pedidos.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Tarifa de 10% a 14% (Clássico) e 15% a 19% (Premium); custo fixo abaixo de R$ 79 (50% abaixo de R$ 12,50 e três faixas até R$ 79); sem custo fixo acima de R$ 79; tarifas reduzidas; Simulador de CustosPreço praticado (texto oficial)Mercado Livre — Como funcionam as taxas do Mercado Livre13/10/2026Página vigente na consulta; confira no painel
    Custo fixo por logística abaixo do limite de frete grátis (só Flex no Mercado Envios; ME1, personalizado e não especificado sempre)Documentação oficialMercado Livre Developers — Custos por vender13/10/2026Última atualização em 03/09/2026
    Arrependimento em 7 dias (art. 49); responsabilidade solidária por vício (art. 18)Norma oficialLei nº 8.078/1990 — Código de Defesa do Consumidor (Planalto)13/10/2026Em vigor
    Preço de R$ 149,90, tarifas de 12% e 17%, envio de R$ 24, imposto de 6%, custo de R$ 55HipóteseSimulação do autor——
  • Como vender na Shopee: guia para começar do jeito certo em 2026

    Como vender na Shopee: guia para começar do jeito certo em 2026

    Resposta direta: para vender na Shopee, você cria a conta de vendedor (CPF ou CNPJ), cadastra os produtos com fotos e descrição completas, define o preço já descontando a comissão e envia os pedidos no prazo. O texto da Política de Comissão da Shopee, publicada em 18/09/2026, informa que, a partir de 01/10/2026, o valor fixo da comissão por item para produtos de até R$ 79,99 passou de R$ 4,00 para R$ 4,50, e que o percentual de comissão, o subsídio Pix e as demais faixas de valor permaneceram iguais. O texto também diz que a comissão já contempla a taxa de transação e não é cobrada em cancelamento, devolução, reembolso ou desistência. Um ponto importante: os percentuais de comissão (20% e 14%) e os limites de cada faixa não estão escritos no texto da política; aparecem só na tabela publicada como imagem na mesma página. Neste guia, reproduzimos essa tabela indicando a origem e fazemos as contas com ela. Antes de precificar, confira a política vigente na sua Central do Vendedor.

    Se o produto que você vai vender é importado, o custo que entra na conta é o custo nacionalizado; veja como importar da China e como encontrar fornecedor na China.

    Como vender na Shopee: o que a plataforma cobra

    O que o texto da política oficial (página “Confira a Política de Comissão para vendedores CNPJ e CPF”, publicada em 18/09/2026 e atualizada em 01/10/2026) afirma:

    RegraO que o texto diz
    Mudança de 01/10/2026Valor fixo por item de produtos até R$ 79,99 passa de R$ 4,00 para R$ 4,50; percentual, subsídio Pix e demais faixas permanecem
    Taxa de transação“O valor da taxa de comissão já contempla a taxa de transação”
    Quando não há comissãoCancelamento, devolução, reembolso ou desistência da compra
    Produtos abaixo de R$ 9O adicional por item é a metade do preço do produto; com o ajuste para R$ 4,50, o limite passou de R$ 8 para R$ 9
    Valores fixos por faixaR$ 4,50, R$ 16, R$ 20 ou R$ 26, “de acordo com a faixa de valor do item”
    Subsídio PixProdutos com subsídios de 5% a 8%, conforme a faixa de preço; o vendedor continua recebendo o mesmo valor por item
    Frete grátisCupons para fretes de até R$ 20 (itens até R$ 79,99), R$ 30 (R$ 80 a R$ 199,99) e R$ 40 (acima de R$ 200); cupons de 50% em compras acima de R$ 10, conforme os termos
    PenalidadesCom penalizações ativas, os cupons de frete grátis podem ser limitados ou indisponíveis

    O que o texto não traz: o percentual de cada faixa e os limites de preço de cada valor fixo. Eles aparecem na tabela-imagem da mesma página, reproduzida abaixo.

    Comissão por faixa (tabela-imagem da política, vendedor CNPJ)

    Valor do item (como está na imagem)ComissãoSubsídio Pix
    Até R$ 79,9920% + R$ 4,50—
    Acima de R$ 80 até R$ 99,9914% + R$ 165%
    Acima de R$ 100 até R$ 199,9914% + R$ 205%
    Acima de R$ 200 até R$ 499,9914% + R$ 265%
    Acima de R$ 50014% + R$ 26Até 8%

    Origem: tabela publicada como imagem na página oficial da política (consulta em 13/10/2026). Tipo de valor: preço praticado da plataforma. Os valores fixos coincidem com os citados no texto; os percentuais e as faixas estão apenas na imagem. A imagem diz “acima de R$ 80”, enquanto o texto do frete grátis fala em “R$ 80 a R$ 199,99”: um item de exatamente R$ 80,00 foi tratado aqui como da 2ª faixa. Confirme na sua Central.

    A mesma página traz, também em imagem, um exemplo oficial para um item de R$ 500: no cartão ou boleto, comissão de R$ 96 e valor líquido de R$ 404; no Pix, o item sai por R$ 460 na nota fiscal, com subsídio de R$ 40, comissão de R$ 56 e o mesmo líquido de R$ 404. A conta bate com a tabela: 14% × R$ 500 + R$ 26 = R$ 96.

    CPF ou CNPJ?

    PontoVendedor CPFVendedor CNPJ
    ComissãoMesmos percentuais e valores fixos por faixa, mais R$ 3 por item quando a taxa adicional se aplica (tabela-imagem para CPF da página da política)Tabela por faixa acima
    Taxa adicionalR$ 3 por item vendido para quem ultrapassa 450 pedidos em 90 diasNão há
    Produtos baratosAbaixo de R$ 12, a taxa por item é regressiva (exemplo da Shopee: R$ 6,50 num produto de R$ 10; R$ 6 num de R$ 8)Abaixo de R$ 9, o adicional é a metade do preço
    Nota fiscalQuem fatura R$ 81 mil ou mais por ano deve emitir nota e ter CNPJ, segundo a ShopeeEmite nota
    MigraçãoApós migrar para CNPJ, o adicional de R$ 3 deixa de ser cobrado em até 7 dias úteis—

    Uma divergência entre páginas oficiais: a página específica para vendedores CPF informa no topo o reajuste para R$ 4,50, mas, no parágrafo sobre quem tem menos de 450 pedidos, ainda lista “R$ 4, R$ 16, R$ 20 ou R$ 26”. Qual regra vale: as duas páginas foram atualizadas em 01/10/2026, e tanto o aviso no topo da página CPF quanto a página geral e a tabela-imagem para CPF trazem R$ 4,50 a partir de 01/10/2026. O “R$ 4” do parágrafo é, portanto, um resquício do texto anterior, e não uma regra diferente. Mesmo assim, antes de precificar, confira a comissão aplicada no painel da sua loja (Central do Vendedor), que é onde a cobrança efetivamente aparece.

    Para vender com regularidade, emitir nota fiscal e crescer, o caminho é ter empresa. O enquadramento (MEI, Simples ou outro) deve ser decidido com um contador.

    O degrau de preço: onde subir o preço faz você receber menos

    Os valores de fronteira, como R$ 80,00, R$ 100,00 e R$ 200,00, foram classificados nas faixas seguintes para fins de simulação. Confira o enquadramento efetivamente aplicado na Central do Vendedor antes de definir o preço.

    Aplicando a tabela da imagem (vendedor CNPJ, antes de impostos, frete e custo do produto):

    PreçoComissãoRepasse antes dos outros custosRepasse sobre o preço
    R$ 29,90R$ 10,48R$ 19,4264,9%
    R$ 79,90R$ 20,48R$ 59,4274,4%
    R$ 80,00R$ 27,20R$ 52,8066,0%
    R$ 99,90R$ 29,99R$ 69,9170,0%
    R$ 100,00R$ 34,00R$ 66,0066,0%
    R$ 199,90R$ 47,99R$ 151,9176,0%
    R$ 200,00R$ 54,00R$ 146,0073,0%
    Gráfico com quanto sobra por venda na Shopee em preços de R$ 79,90, R$ 80, R$ 99,90 e R$ 100
    Cálculo com a tabela-imagem da política de comissão (vigente desde 01/10/2026; consulta em 13/10/2026); antes de frete, impostos e custo do produto.

    Subir de R$ 79,90 para R$ 80 faz a loja receber R$ 6,62 a menos; de R$ 99,90 para R$ 100, R$ 3,91 a menos; de R$ 199,90 para R$ 200, R$ 5,91 a menos. Memória de cálculo: comissão = percentual × preço + valor fixo da faixa.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Como calcular quanto sobra por venda

    Margem de contribuição = preço − comissão da Shopee − impostos sobre a venda − frete pago pela loja − embalagem − reserva para devoluções − custo do produto.

    Exemplo hipotético (custo, embalagem e imposto inventados; comissão pela tabela-imagem):

    ItemPreço R$ 79,90Preço R$ 89,90
    Comissão Shopee− R$ 20,48− R$ 28,59
    Custo do produto (hipotético)− R$ 38,00− R$ 38,00
    Embalagem (hipotética)− R$ 2,50− R$ 2,50
    Imposto sobre a venda (6%, hipotético)− R$ 4,79− R$ 5,39
    Sobra antes de despesas fixasR$ 14,13R$ 15,42
    Gráfico hipotético comparando a sobra de uma venda na Shopee a R$ 79,90 e a R$ 89,90 com custo de R$ 38
    Exemplo hipotético: R$ 10 a mais no preço viram só R$ 1,29 a mais de sobra. Simulação hipotética.

    Repare: R$ 10 a mais no preço viram só R$ 1,29 a mais de sobra, porque o item muda de faixa. Pelo mesmo cálculo, para sobrar 15% do preço na faixa de R$ 80 a R$ 99,99 com esses custos hipotéticos, o preço mínimo seria R$ 86,92.

    Se o produto é importado, o custo do produto é o custo nacionalizado (fábrica, frete internacional, tributos e despesas até o estoque). Essa conta está no guia de impostos de importação. Para comparar com outro canal, veja as taxas do Mercado Livre.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    Produtos baratos: a regra abaixo de R$ 9 e a estratégia de kit

    Em itens baratos, o valor fixo pesa muito. O texto da política diz que, para produtos abaixo de R$ 9, o adicional por item é a metade do preço. Aplicando a tabela-imagem a um item de R$ 8 (vendedor CNPJ): 20% × R$ 8 = R$ 1,60, mais o adicional de R$ 4,00 (metade do preço), totalizando R$ 5,60 de comissão. A loja recebe R$ 2,40, ou 30% do preço, antes de qualquer custo.

    Exemplo hipotético de kit: o mesmo produto vendido em kit de 3 unidades por R$ 24,00 paga 20% × R$ 24 = R$ 4,80 mais R$ 4,50 de valor fixo, ou seja, R$ 9,30. Vendendo as 3 unidades separadas, a comissão somaria 3 × R$ 5,60 = R$ 16,80. O kit economiza R$ 7,50 de comissão nas mesmas 3 unidades.

    Forma de vendaPreço totalComissãoRepasse antes dos custos
    3 unidades avulsas de R$ 8R$ 24,00R$ 16,80R$ 7,20
    1 kit com 3 unidadesR$ 24,00R$ 9,30R$ 14,70

    Memória de cálculo: comissão = 20% × preço + valor fixo (R$ 4,50, ou metade do preço abaixo de R$ 9). Para vendedor CPF, a política descreve uma taxa regressiva diferente abaixo de R$ 12; refaça a conta com a regra da sua conta.

    Passo a passo para começar a vender na Shopee

    1. Crie a conta de vendedor. Propósito: abrir a loja. Cuidados: escolha entre CPF e CNPJ olhando a taxa adicional de R$ 3 e a exigência de nota fiscal.
    2. Configure a loja. Propósito: passar confiança. Cuidados: nome, logotipo, descrição e política de atendimento claros.
    3. Cadastre os produtos. Propósito: ser encontrado e converter. Cuidados: título com o termo que o comprador busca, fotos nítidas, descrição com medidas, material e conteúdo da embalagem; peso e dimensões corretos, porque definem o frete.
    4. Precifique por faixa. Propósito: não cair num degrau desfavorável. Cuidados: use a tabela de comissão e todos os custos; confira a faixa de cada preço.
    5. Planeje o subsídio Pix e o frete grátis. Propósito: aproveitar os benefícios. Cuidados: o subsídio Pix, segundo a Shopee, não reduz o valor recebido; os cupons de frete dependem da faixa e podem ser limitados com penalidades.
    6. Envie no prazo. Propósito: evitar penalidades. Cuidados: atrasos e cancelamentos afetam benefícios e a reputação.
    7. Atenda e acompanhe os indicadores. Propósito: manter a loja saudável. Cuidados: responda rápido, cuide das avaliações e reveja preços sempre que a política mudar.
    Infográfico com o passo a passo para começar a vender na Shopee: conta, loja, anúncios, preço por faixa, envio e atendimento
    Os passos para começar a vender na Shopee. Fonte: Shopee, Centro de Educação do Vendedor (consulta em 13/10/2026).

    Erros comuns de quem começa

    ErroConsequênciaComo evitar
    Precificar sem olhar a faixaReceber menos ao subir o preçoCalcule a comissão nos preços de fronteira (R$ 79,90 x R$ 80; R$ 99,90 x R$ 100; R$ 199,90 x R$ 200)
    Esquecer o valor fixo em produtos baratosMargem negativaAbaixo de R$ 9, o adicional é a metade do preço; teste kits
    Ignorar a taxa adicional de CPFR$ 3 a menos por item acima de 450 pedidos em 90 diasPlaneje a migração para CNPJ
    Peso e dimensões errados no cadastroFrete divergente e reclamaçãoMeça o produto embalado
    Copiar a descrição do fornecedorAnúncio igual ao de concorrentesFotos e descrição próprias, com medidas e uso
    Prazo de envio que não consegue cumprirPenalidades e perda de benefíciosPrometa o que consegue entregar
    Confiar em tabela de terceirosComissão desatualizadaUse a política oficial e confira na Central

    Riscos e como decidir

    A Shopee tende a favorecer produtos de ticket baixo e médio com giro alto, e a estrutura de comissão faz o valor fixo pesar mais quanto mais barato o item: num produto de R$ 29,90, a comissão leva cerca de 35% do preço; num de R$ 199,90, cerca de 24% (pela tabela-imagem). Se o seu produto é barato, avalie vender em kits para diluir o valor fixo. Compare sempre com outros canais antes de concentrar as vendas num só.

    Checklist antes do primeiro anúncio

    • ☐ Conta criada como CPF ou CNPJ, com a decisão justificada
    • ☐ Política de comissão conferida na Central do Vendedor (data da consulta anotada)
    • ☐ Preço de cada produto conferido na faixa certa
    • ☐ Custo do produto, embalagem, imposto e reserva para devoluções na planilha
    • ☐ Peso e dimensões do produto embalado medidos
    • ☐ Fotos e descrição próprias, com medidas e conteúdo da embalagem
    • ☐ Prazo de envio que a operação consegue cumprir
    • ☐ Nota fiscal e enquadramento definidos com o contador

    Perguntas frequentes

    Quanto a Shopee cobra por venda?

    Pela tabela-imagem da política vigente desde 01/10/2026 (vendedor CNPJ): 20% + R$ 4,50 até R$ 79,99 e 14% + R$ 16, R$ 20 ou R$ 26 nas faixas acima. O texto da política confirma os valores fixos; os percentuais estão só na imagem.

    A comissão inclui a taxa de transação?

    Sim. O texto da política diz que o valor da comissão já contempla a taxa de transação.

    Pago comissão se o cliente cancelar ou devolver?

    Não. Segundo a política, a comissão não é cobrada em cancelamento, devolução, reembolso ou desistência.

    Posso vender na Shopee com CPF?

    Sim. Acima de 450 pedidos em 90 dias, há taxa adicional de R$ 3 por item. Com faturamento anual a partir de R$ 81 mil, a Shopee informa que é preciso emitir nota e ter CNPJ.

    O que é o subsídio Pix?

    Um desconto de 5% a 8%, conforme a faixa de preço, dado ao comprador que paga com Pix. Segundo a Shopee, o vendedor continua recebendo o mesmo valor por item.

    Como funciona o frete grátis da Shopee?

    A Shopee oferece cupons de frete grátis para fretes de até R$ 20, R$ 30 ou R$ 40, conforme o valor do item, e cupons de 50% em compras acima de R$ 10, segundo os termos do programa.

    Vale mais a pena vender na Shopee ou no Mercado Livre?

    Depende do produto, do ticket e da operação. Compare as tarifas de cada canal com os mesmos custos; veja as taxas do Mercado Livre.

    Onde confirmo a comissão atual?

    Na página da Política de Comissão no Centro de Educação do Vendedor e na sua Central do Vendedor. As regras mudam; anote a data da consulta.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Valor fixo de R$ 4,00 para R$ 4,50 (até R$ 79,99); percentual, Pix e demais faixas mantidos; comissão inclui taxa de transação; sem comissão em cancelamento e devolução; regra abaixo de R$ 9; valores fixos R$ 4,50, R$ 16, R$ 20 e R$ 26; subsídio Pix de 5% a 8%; cupons de frete de R$ 20, R$ 30 e R$ 40; R$ 3 adicional (CPF acima de 450 pedidos em 90 dias); R$ 81 milPreço praticado (TEXTO da política oficial)Shopee — Confira a Política de Comissão para vendedores CNPJ e CPF13/10/2026Publicada em 18/09/2026; vigente desde 01/10/2026; última atualização em 01/10/2026
    Percentuais de 20% e 14% e limites das faixas; exemplo de R$ 500 (R$ 96 e R$ 404)Preço praticado (TABELA-IMAGEM da mesma página; não consta do texto)Shopee — mesma página, imagens “Comissão para vendedores Shopee 2026” e “Comissão, Descontos PIX e Frete Grátis”13/10/2026Idem
    CPF: tabela-imagem com 20% + R$ 4,50 até R$ 79,99 e 14% + R$ 16/R$ 20/R$ 26 nas demais faixas, sempre “+ R$ 3 de taxa vendedor CPF”Preço praticado (TABELA-IMAGEM da página 26839)Shopee — Política de Comissão para vendedores CNPJ e CPF, imagem “Comissão para vendedores CPF Shopee 2026”13/10/2026Vigente desde 01/10/2026 (página atualizada em 01/10/2026)
    CPF: taxa regressiva abaixo de R$ 12 (R$ 6,50 em R$ 10; R$ 6 em R$ 8); subsídio Pix de 5% (R$ 80 a R$ 499,99) e 8% (acima de R$ 500); valores fixos ainda citados como “R$ 4” num parágrafoPreço praticado (texto oficial)Shopee — Como funciona a Política de Comissão para vendedores CPF?13/10/2026Última atualização em 01/10/2026
    Custo de R$ 38, embalagem de R$ 2,50, imposto de 6% e margem-alvo de 15%HipóteseSimulação do autor——

    Demais fontes (acessadas em 13/10/2026):

    • Shopee — Política de Comissão para vendedores CNPJ e CPF: https://seller.shopee.com.br/edu/article/26839/Comissao-para-vendedores-CNPJ-e-CPF-em-2026
    • Shopee — Política de Comissão para vendedores CPF: https://seller.shopee.com.br/edu/article/18484/como-funciona-o-adicional-de-comissao-para-vendedores-CPF
  • DUIMP: o que é a Declaração Única de Importação e o que muda em 2026

    DUIMP: o que é a Declaração Única de Importação e o que muda em 2026

    Resposta direta: a Duimp (Declaração Única de Importação) é a declaração do Novo Processo de Importação, registrada no Portal Único Siscomex, que está substituindo a antiga Declaração de Importação (DI). A troca é faseada: segue a Portaria Coana nº 165/2024 e o Cronograma de Desligamento DI do Portal Único. Na versão de 02/10/2026 (consulta em 13/10/2026), a maior parte das operações já está desligada da DI; o desligamento das operações que ainda restam está previsto para 10/12/2026, com datas próprias para alguns casos, como Radar limitado e Suframa (01/12/2026). As datas podem mudar: confirme a sua operação no simulador oficial de desligamento da DI. Na Duimp, os produtos vêm de um Catálogo de Produtos da própria empresa (uso obrigatório), as licenças são pedidas como LPCO, a conferência resulta num canal único que junta Receita e órgãos anuentes, e a declaração pode ser registrada antes da chegada da carga. A Taxa Siscomex é a mesma da DI: R$ 115,67 por declaração mais um valor por adição (IN RFB nº 2.024/2021). Atenção: registrar DI numa operação que já exige Duimp leva ao cancelamento da DI pela fiscalização (Portaria Coana nº 165/2024, art. 16, § 2º).

    A Duimp é a peça central da etapa de liberação. O processo inteiro, da escolha do fornecedor à retirada, está em como importar da China; a escolha da fábrica, em como encontrar fornecedor na China.

    O que é a Duimp

    A Duimp é a declaração eletrônica que dá início ao despacho aduaneiro de importação no Portal Único de Comércio Exterior. Ela faz parte do programa Portal Único, que reorganiza a importação em módulos integrados, em vez de sistemas separados para cada órgão:

    MóduloPara que serveQuando entra
    Catálogo de ProdutosCadastro dos produtos da empresa, com NCM e atributos, e dos operadores estrangeiros (fabricantes e exportadores)Antes da declaração
    LPCOLicenças, permissões, certificados e outros documentos dos órgãos anuentesAntes do registro ou antes do embarque, conforme o órgão
    DuimpA declaração em si: itens, valores, tributos e documentosNo despacho
    Gerenciamento de riscosSeleção do canal único de conferência (Receita e anuentes)Após o registro
    Pagamento centralizado (PCCE)Recolhimento de taxas de órgãos anuentes integradas ao Portal, quando o LPCO exigirJunto do LPCO

    A Receita organiza a elaboração da Duimp em abas: Identificação, Carga, Documentos, Item, Tratamento Administrativo e Resumo. As informações que compõem a declaração estão no Anexo III da IN SRF nº 680/2006.

    Infográfico com o fluxo da Duimp: catálogo de produtos, LPCO, registro da Duimp, canal e liberação
    O catálogo e o LPCO vêm antes do registro da Duimp. Fonte: Receita Federal e Siscomex (consulta em 13/10/2026).

    DI x Duimp: o que muda na prática

    PontoDI (Siscomex Importação)Duimp (Portal Único)
    Descrição do produtoTexto em cada declaraçãoProduto do Catálogo, com atributos padronizados e reaproveitáveis
    LicençasLI no Siscomex, uma por adiçãoLPCO no Portal Único; pode servir a uma ou mais operações, conforme o órgão
    Canal de conferênciaDa ReceitaCanal único: o mais rigoroso entre Receita e anuentes
    Momento do registroRegras próprias da DIPode ser antes da chegada ou após o armazenamento
    RetificaçãoRegras próprias da DIFeita pelo importador, no curso da conferência ou após o desembaraço
    Situação em 2026Desligada por tipo de operaçãoObrigatória conforme o cronograma

    O cronograma: como saber se a sua operação já exige Duimp

    A Receita explica que a utilização obrigatória da Duimp e o desligamento da DI são paulatinos, conforme o Anexo Único da Portaria Coana nº 165/2024, com ajustes detalhados em Notícias Siscomex (art. 16, § 3º). O documento que vale na prática é o Cronograma de Desligamento DI do Portal Único (versão 28, atualizada em 02/10/2026; consulta em 13/10/2026):

    Data de desligamento da DIOperações (resumo do cronograma oficial)
    Já desligado (de 2025 a 27/04/2026)A maior parte das operações marítimas e aéreas, com e sem controle administrativo, incluindo produtos de Anvisa, MAPA, Inmetro, CNEN, ANP, ANM, DPF, ECT e MCTI
    31/08/2026Loja franca (aéreo) e carga aérea de voos não regulares
    11/10/2026Marítimo, embalagem tipo granel
    01/12/2026Radar limitado; ZFM, ALC e AOC; produtos da Suframa
    10/12/2026Todas as operações que ainda não estão desligadas no Siscomex Importação (incluída na versão de 02/10/2026)
    27/03/2027Siscomex Internação, só operações sem controle administrativo

    Atenção: pelo cronograma oficial de desligamento da DI, a data de 27/03/2027 vale só para o Siscomex Internação em operações sem controle administrativo; para as operações com controle administrativo, o cronograma ainda não traz data. Como as demais datas futuras, essa depende de validações pelo setor privado, previstas no Plano de Ação citado na página do cronograma, e pode ser revista: acompanhe o cronograma oficial de desligamento da DI.

    Regras do mesmo cronograma que mudam a decisão:

    • Exceções (impossibilidades): operações listadas como indisponíveis na Duimp continuam por LI/DI até a data delas. Exemplos da lista atual: órgãos públicos que usam SIAFI, carga marítima transferida para aeroporto (Mantra) e duas situações de Drawback ligadas a entreposto.
    • Mais de um órgão anuente ou mais de um regime tributário: a DI só é desligada quando todos tiverem sido desligados.
    • LI e DI: o sistema desligado é a DI. LI com controle administrativo registrada antes da data de desligamento ainda pode ser vinculada a uma DI depois dela; LI registrada depois da data, mesmo deferida, não consegue mais ser vinculada, e o sistema indica Duimp obrigatória.
    • Pessoa física: os desligamentos também valem para importadores pessoas físicas, que devem seguir os fluxos de LPCO e Catálogo de Produtos.
    • Atualizações posteriores: a Notícia Siscomex Importação nº 104/2026 (08/10/2026) informou que, a partir de 13/10/2026, importações sujeitas à anuência prévia da Suframa podem ser registradas por Duimp, com LPCO prévio.
    Ferramenta oficialO que respondeOnde
    Simulador de desligamento da DISe a sua operação já é obrigatória na Duimp e a data de desligamento da DI; também se exige LPCOSiscomex, sistemas de comércio exterior
    Cronograma de Desligamento DIA tabela oficial, as situações especiais e o histórico de versõesSiscomex, programa Portal Único
    Notícias Siscomex ImportaçãoOs comunicados de ajuste de datasSiscomex, notícias

    A Notícia nº 015/2026 apresentou o simulador como o canal oficial para verificar as operações que não podem mais ser registradas por DI.

    Um ponto de atenção sobre o Radar limitado: a página “Elaboração da Duimp” da Receita (consulta em 13/10/2026) informa que podem ser processadas por Duimp as importações de pessoa física ou de pessoa jurídica habilitada em modalidade diferente de limitada, e o cronograma lista o Radar limitado como impossibilidade, com desligamento da DI previsto para 01/12/2026. Ou seja: até essa data, quem tem Radar limitado segue na DI; depois dela, confirme no simulador e com o despachante.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    O Catálogo de Produtos: o que cadastrar e quem pode

    Pelo documento de perguntas e respostas da Receita sobre o Catálogo (versão de 04/10/2024), o Catálogo é de uso obrigatório na Duimp: a declaração obtém as informações dos produtos diretamente dele. Os produtos e os operadores estrangeiros (fabricantes e exportadores) precisam estar cadastrados antes do registro; pelas telas do Portal, dá para cadastrar durante a elaboração, mas isso deixa o processo menos ágil.

    Campo do produtoObrigatório?Pode retificar?
    CPF ou CNPJ raiz da empresa responsávelSimNão
    Modalidade de operaçãoSimNão
    NCMSimNão
    Denominação do produtoSimSim
    Atributos exigidos para o NCMDepende do NCMConforme o atributo

    Três regras práticas do mesmo documento:

    • Quem cadastra: apenas o usuário indicado como Gestor do Catálogo de Produtos no Cadastro de Intervenientes; o importador pode indicar quantos gestores quiser, inclusive o despachante.
    • De quem é o catálogo: do importador, vinculado ao CPF ou ao CNPJ raiz (8 primeiros dígitos), e vale para matriz e filiais. Outros importadores não têm acesso.
    • Erro em campo não retificável: o produto precisa ser desativado e um novo, cadastrado. Por isso, o NCM tem de estar certo antes do cadastro.

    Segundo a Receita, é a partir dos atributos preenchidos no catálogo que o sistema identifica se o produto precisa de LPCO quando o código do produto é informado na Duimp. Um catálogo bem feito evita licenças esquecidas. Se ainda tem dúvida sobre classificação, resolva-a com o despachante antes de cadastrar.

    Infográfico com os cinco cuidados no Catálogo de Produtos: gestor indicado, NCM certo, atributos completos, operador estrangeiro e versões
    Cuidados no Catálogo de Produtos. Fonte: Receita Federal, Perguntas e Respostas do Catálogo (04/10/2024; consulta em 13/10/2026).

    O canal único na Duimp

    Na Duimp, a Receita e os órgãos anuentes fazem seus gerenciamentos de risco em paralelo, e o canal atribuído é o mais gravoso entre eles. A declaração só é desembaraçada depois de concluídas a conferência aduaneira e a do anuente. Os exemplos oficiais:

    CenárioReceita FederalMapaAnvisaCanal único
    Duimp 1Não selecionadaNão selecionadaExame documentalAmarelo
    Duimp 2Combate à fraudeInspeção físicaNão selecionadaCinza
    Duimp 3Verificação da mercadoriaExame documentalExame documentalVermelho
    Duimp 4Não selecionadaNão selecionadaNão selecionadaVerde

    Para entender o que acontece em cada canal, veja o passo a passo da alfândega com o seu despachante, e lembre-se: o canal mais rigoroso de qualquer órgão define o ritmo da liberação.

    Quanto custa registrar uma Duimp

    A Taxa de Utilização do Siscomex vale igualmente para DI e Duimp (IN SRF nº 680/2006, art. 13, com redação da IN RFB nº 2.024/2021): R$ 115,67 por declaração e um valor por adição que diminui conforme a quantidade.

    Número de adiçõesTotal da Taxa Siscomex
    1R$ 154,23
    2R$ 192,79
    3R$ 223,64
    5R$ 285,34
    10R$ 401,04

    Exemplo hipotético: uma empresa que importa 3 produtos de NCM diferentes numa só Duimp (3 adições) paga R$ 223,64 de Taxa Siscomex; se registrasse 3 declarações separadas, de 1 adição cada, pagaria 3 × R$ 154,23 = R$ 462,69. Memória de cálculo: R$ 115,67 + 2 × R$ 38,56 + R$ 30,85 = R$ 223,64.

    Gráfico hipotético comparando a Taxa Siscomex de uma Duimp com 3 adições, R$ 223,64, com a de três Duimp de 1 adição, R$ 462,69
    Exemplo hipotético com a Taxa Siscomex da IN RFB nº 2.024/2021. Simulação hipotética.

    Os tributos (II, IPI, PIS, Cofins e ICMS) seguem a mesma lógica da DI; o detalhamento está no guia de impostos de importação.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    Se precisar cancelar uma Duimp

    Erro grave depois do registro não se resolve apagando a declaração. Segundo o manual da Receita Federal, o cancelamento de Duimp é realizado pela fiscalização aduaneira, e não pelo importador. Para pedir, o importador apresenta requerimento na unidade de análise fiscal da declaração, instruído com os documentos que comprovam o motivo do cancelamento. Antes do pedido, os documentos obrigatórios de instrução do despacho precisam estar anexados ao dossiê eletrônico vinculado à Duimp, inclusive quando a declaração foi para o canal verde.

    SituaçãoQuem ageO que o importador faz
    Dado errado que pode ser corrigidoImportadorPede a retificação no Portal Único, conforme o manual “Retificar Duimp”
    Declaração que não deveria existirFiscalização aduaneiraRequerimento à unidade de análise fiscal, com documentos que justificam o motivo
    DI registrada quando a operação já exigia DuimpFiscalização aduaneiraA DI é cancelada (Portaria Coana nº 165/2024, art. 16, § 2º)

    Na prática, isso significa tempo de carga parada. Revisar catálogo, NCM e valores antes de registrar custa muito menos que um cancelamento.

    Passo a passo para a sua primeira Duimp

    1. Verifique a operação no simulador de desligamento da DI. Propósito: saber se a Duimp já é obrigatória. Cuidados: repita a consulta a cada operação; o cronograma muda por Notícia Siscomex.
    2. Confirme a habilitação e o acesso ao Portal Único. Propósito: poder elaborar e registrar. Cuidados: a empresa precisa estar no Radar Siscomex; o acesso usa certificado digital ou conta gov.br do responsável.
    3. Indique o gestor do Catálogo e o representante. Propósito: autorizar quem vai cadastrar e registrar. Cuidados: faça no Cadastro de Intervenientes; o despachante pode ser gestor.
    4. Cadastre os produtos e os operadores estrangeiros. Propósito: ter o catálogo pronto antes do embarque. Cuidados: NCM e modalidade não são retificáveis; erro vira produto novo.
    5. Consulte o tratamento administrativo e peça os LPCO. Propósito: não travar o registro. Cuidados: alguns LPCO precisam ser deferidos antes do embarque.
    6. Elabore a Duimp e rode o diagnóstico. Propósito: ver erros e o tratamento administrativo antes de registrar. Cuidados: a aba Tratamento Administrativo só é preenchida após o diagnóstico.
    7. Registre a Duimp e acompanhe o canal único. Propósito: iniciar o despacho. Cuidados: se houver retificação, ela é feita pelo importador.

    Erros comuns na transição para a Duimp

    • Registrar DI para operação que já exige Duimp. A DI é cancelada pela fiscalização.
    • Deixar o catálogo para o dia da chegada. Cadastrar na hora atrasa o registro; a armazenagem corre.
    • Cadastrar o produto com NCM errado. O campo não é retificável; o produto precisa ser desativado e recadastrado.
    • Pedir LI quando a operação já está no fluxo LPCO. Segundo a Notícia nº 015/2026, a LI registrada após o desligamento não se vincula à DI.
    • Atributos genéricos ou incompletos. São eles que definem se há LPCO; atributo errado pode esconder uma licença exigida.
    • Ignorar a modalidade do Radar. A página de elaboração da Duimp trata a modalidade limitada de forma específica; confirme no simulador.

    Riscos e como decidir

    Para quem importa pela primeira vez em 2026, o mais provável é que a operação já esteja no fluxo da Duimp; a decisão é quem vai montar o catálogo e registrar. Com poucos produtos, o próprio despachante pode ser o gestor do catálogo. Com muitos produtos e operações frequentes, a Receita indica a gestão por integração (webservice) entre o sistema da empresa e o Portal Único. Em qualquer caso, o risco maior está no cadastro: NCM e atributos errados geram retrabalho, licença esquecida e multa.

    Checklist de preparação para a Duimp

    • ☐ Operação conferida no simulador de desligamento da DI
    • ☐ Empresa habilitada no Radar Siscomex (modalidade confirmada)
    • ☐ Acesso ao Portal Único com certificado digital ou conta gov.br
    • ☐ Gestor do Catálogo e representante indicados no Cadastro de Intervenientes
    • ☐ Produtos cadastrados no Catálogo, com NCM e atributos corretos
    • ☐ Operadores estrangeiros (fabricante e exportador) cadastrados
    • ☐ Tratamento administrativo consultado e LPCO deferidos, se exigidos
    • ☐ Despachante habituado ao Novo Processo de Importação

    Perguntas frequentes

    O que significa Duimp?

    Declaração Única de Importação, a declaração do Novo Processo de Importação, registrada no Portal Único Siscomex.

    A DI acabou?

    Não para todas as operações. O desligamento é por etapas, conforme o cronograma oficial. Use o simulador do Siscomex para saber a situação da sua operação.

    O que acontece se eu registrar DI numa operação que já exige Duimp?

    A DI é cancelada pela fiscalização aduaneira (Portaria Coana nº 165/2024, art. 16, § 2º).

    Posso registrar a Duimp antes de a carga chegar?

    Sim. Segundo a Receita, a Duimp pode ser registrada antes da chegada da carga ou após o armazenamento no recinto da unidade de despacho informada. Se a carga for removida por trânsito (DTA), só depois da conclusão do trânsito.

    O Catálogo de Produtos é obrigatório?

    Sim, para a Duimp. A declaração busca os dados do produto no catálogo do importador.

    Preciso de despachante para registrar a Duimp?

    Não é obrigatório por lei: a empresa pode ser representada por dirigente ou empregado habilitado. Na prática, a maioria usa um despachante aduaneiro.

    O que é LPCO?

    Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos exigidos pelos órgãos anuentes, pedidos no Portal Único e vinculados à Duimp.

    Quanto custa a Duimp?

    Não há custo próprio da declaração além da Taxa Siscomex: R$ 115,67 por declaração mais um valor por adição (IN RFB nº 2.024/2021). Os tributos e os honorários do despachante são à parte.

    Para continuar aprendendo

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    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Uso obrigatório faseado; DI cancelada se a operação exige Duimp (art. 16, § 2º); ajustes por Notícia Siscomex (art. 16, § 3º)Norma oficialReceita Federal — Migração da DI para Duimp (Portaria Coana nº 165/2024)13/10/2026Cronograma atualizado por Notícias Siscomex
    Desligamentos de 23 e 30/03/2026 adiados para 22 e 27/04/2026Comunicado oficial (histórico; datas já superadas)Siscomex — Notícia Importação nº 020/202613/10/2026Datas sujeitas a novos ajustes
    Datas de desligamento (já desligado, 31/08, 11/10, 01/12 e 10/12/2026; 27/03/2027), impossibilidades, regras de LI, múltiplos anuentes, pessoa físicaCronograma oficialSiscomex — Cronograma de Desligamento DI e tabela completa (PDF)13/10/2026Versão 28, atualizada em 02/10/2026; sujeita a revisão por erro impeditivo
    Suframa na Duimp a partir de 13/10/2026, com LPCO prévioComunicado oficialSiscomex — Notícia Importação nº 104/202613/10/2026Publicada em 08/10/2026
    Simulador como canal oficial; LI registrada após o desligamento não se vincula à DIComunicado oficialSiscomex — Notícia Importação nº 015/202613/10/2026Vigente na consulta
    Quem pode usar a Duimp; registro antes da chegada; retificação pelo importador; abasOrientação oficialReceita Federal — Elaboração da Duimp13/10/2026Página vigente na consulta
    Catálogo obrigatório; campos obrigatórios e não retificáveis; gestor; CNPJ raizOrientação oficialReceita Federal — Perguntas e Respostas do Catálogo de Produtos (04/10/2024), PDF13/10/2026Documento de 04/10/2024; sem versão posterior localizada
    Canal único e exemplosOrientação oficialReceita Federal — Canais de conferência aduaneira13/10/2026Página vigente na consulta
    Taxa Siscomex: R$ 115,67 por DI ou Duimp + valor por adiçãoValor oficialIN RFB nº 2.024/2021 (DOU)13/10/2026Em vigor desde 01/06/2021
    Atributos do catálogo indicam a necessidade de LPCOOrientação oficialReceita Federal — Tratamento administrativo13/10/2026Página vigente na consulta
    3 adições numa Duimp × 3 Duimp de 1 adiçãoHipóteseSimulação do autor——
    Cancelamento feito pela fiscalização; requerimento com documentos; dossiê inclusive no canal verdeManual oficialReceita Federal — Cancelamento de Duimp13/10/2026Página vigente na data da consulta
    Retificação pedida pelo importador no Portal ÚnicoManual oficialReceita Federal — Retificar Duimp13/10/2026Página vigente na data da consulta

    Demais fontes (acessadas em 13/10/2026):

    • Receita Federal — Declaração Única de Importação (Duimp): https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/despacho-de-importacao/sistemas/duimp/declaracao-unica-de-importacao-duimp
    • Siscomex — Simulador de desligamento da DI: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/sistemas-de-comercio-exterior/simulador-desligamento-di
    • Siscomex — Cronograma de desligamento da DI: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/programa-portal-unico/cronograma-de-desligamento-di
    • Receita Federal — Perguntas e Respostas da Duimp (28/11/2024), PDF: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/despacho-de-importacao/sistemas/duimp/perguntas-e-respostas/p-r-duimp-vs-28-11-24.pdf/view