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  • Feira de Cantão: o que é, datas de 2026 e como aproveitar para achar fornecedor

    Feira de Cantão: o que é, datas de 2026 e como aproveitar para achar fornecedor

    Resposta direta: A Feira de Cantão (Canton Fair, oficialmente China Import and Export Fair) é uma feira de comércio exterior realizada em Guangzhou, no sul da China, duas vezes por ano: uma edição de primavera e uma de outono. Cada edição é dividida em três fases, cada uma com um grupo de setores. Segundo o site oficial, a 140ª edição (outono de 2026) acontece em três fases: 15 a 19 de outubro, 23 a 27 de outubro e 31 de outubro a 4 de novembro de 2026. Para quem importa, a feira é uma forma de ver muitos fabricantes num só lugar, comparar produtos e iniciar contatos. Ela não substitui a checagem do fornecedor, as amostras e um contrato bem feito.

    Antes de planejar a viagem, vale entender o processo completo de como encontrar fornecedor na China.

    O que é a Feira de Cantão

    Segundo o site oficial, a Feira de Cantão é organizada pelo China Foreign Trade Centre e acontece no complexo de exposições da feira em Guangzhou, capital da província de Guangdong. O nome “Cantão” é a forma histórica em português para Guangzhou.

    A feira reúne expositores chineses de muitos setores e compradores do mundo inteiro. Segundo anúncio divulgado pelo portal do governo chinês antes da abertura, mais de 32 mil empresas expositoras estavam previstas para participar da 140ª edição.

    Dois cuidados de leitura:

    • Expositor não é sinônimo de fábrica. Há fabricantes, mas também empresas comerciais (trading companies) que revendem produtos de várias fábricas.
    • Estar na feira não é garantia de qualidade. A presença mostra que a empresa investiu num estande, não que o produto atende às regras do Brasil.

    Datas da Feira de Cantão 2026 (140ª edição, outono)

    FaseDatas (site oficial)Foco divulgado
    Fase 115 a 19 de outubro de 2026Manufatura avançada: máquinas, ferragens, eletrônicos e eletrodomésticos, automação, novas energias
    Fase 223 a 27 de outubro de 2026Casa: construção e móveis, utilidades domésticas, presentes e decoração
    Fase 331 de outubro a 4 de novembro de 2026Vida e consumo: saúde e lazer, brinquedos, bebês e maternidade, moda
    As três fases da Feira de Cantão no outono de 2026
    Datas do site oficial da feira, consultado em 14/10/2026.

    Entre as fases há intervalos de montagem: 20 a 22 e 28 a 30 de outubro. As datas e a distribuição dos setores podem mudar de uma edição para outra. Confirme sempre no site oficial antes de comprar passagem.

    As Fases 2 (23 a 27/10) e 3 (31/10 a 04/11) ainda estão por vir; se você pretende ir nesta edição, confira os setores de cada uma.

    Feira de Cantão x outras formas de achar fornecedor

    CritérioFeira de CantãoPlataformas B2B onlineVisita direta à fábrica
    Variedade num só lugarMuito alta, por faseMuito altaBaixa (uma fábrica)
    Contato pessoalSimNãoSim
    Ver o produto físicoSim, amostras no estandeSó com amostra enviadaSim, e a produção
    CustoViagem, hospedagem e tempoBaixoViagem por fábrica
    Checagem da empresaAinda necessáriaNecessáriaMais direta

    A feira funciona bem como primeiro filtro: você conhece muitas empresas em poucos dias e depois aprofunda a checagem com as melhores.

    Como se preparar para a Feira de Cantão

    Propósito: aproveitar dias caros de viagem com um roteiro claro.

    Como funciona:

    1. Escolha a fase de acordo com o setor do produto.
    2. Faça o cadastro de comprador no site oficial da feira e acompanhe as instruções para o crachá.
    3. Confira as regras de entrada na China no Portal Consular do Itamaraty e nos canais oficiais da representação chinesa no Brasil.
    4. Monte uma lista de produtos, com especificação, faixa de quantidade e exigências que o produto terá no Brasil.
    5. Leve cartões de visita, um modo de anotar cotações e um plano de tradução.

    Cuidados: reserve hospedagem e transporte com antecedência, porque a cidade recebe muitos visitantes nas fases.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Como aproveitar os dias de feira

    O que fazer no estandePor quê
    Perguntar se a empresa é fabricante ou tradingMuda preço, prazo e controle da produção
    Fotografar o produto e o cartão juntosFacilita lembrar quem ofereceu o quê
    Pedir preço por faixa de quantidade, por escritoEvita mal-entendidos depois
    Perguntar prazo de produção e de amostraAjuda a planejar o pedido
    Pedir medidas e peso da caixa de transportePermite simular o frete
    Perguntar sobre certificações do produtoAlgumas categorias exigem avaliação no Brasil

    Evite fechar pedido grande no estande. O melhor uso da feira é sair com uma lista curta de fornecedores para amostras, checagem e negociação.

    Depois da feira: do contato ao pedido

    1. Organize os contatos por produto e compare as cotações na mesma base.
    2. Quando viável, peça amostras aos fornecedores mais promissores e teste antes de decidir.
    3. Verifique a empresa: registro, endereço, histórico e referências.
    4. Negocie por escrito especificação, preço, prazo, embalagem, condições de pagamento e responsabilidade em caso de defeito.
    5. Planeje frete, desembaraço e tributos antes de pagar o sinal.
    Etapas do contato na feira até o pedido
    O que fazer depois da feira.

    O caminho completo, da escolha do produto à nota fiscal, está no guia de como importar da China passo a passo.

    Riscos comuns e como reduzir

    RiscoComo reduzir
    Amostra de feira melhor que a produçãoQuando viável, amostra de produção e inspeção antes do embarque
    Produto com marca de terceirosNão comprar itens que usem marca sem licença; produtos com marca falsificada, alterada ou imitada podem ser retidos pela autoridade aduaneira (Regulamento Aduaneiro, art. 605)
    Exigências no Brasil não conferidasConferir NCM e exigências do produto antes do pedido
    Preço sem detalhesCotação escrita com o termo de venda (Incoterm) e o que está incluído
    Pagamento sem proteçãoPagamento rastreável e contrato

    Brinquedos, itens elétricos e outros produtos podem depender de avaliação da conformidade no Brasil, conforme as regras do Inmetro e de outros órgãos. A checagem é feita produto a produto.

    Vale a pena ir à Feira de Cantão?

    SituaçãoA feira tende a ajudar?
    Quer conhecer muitos fornecedores de um setor em poucos diasSim
    Já tem fornecedor e só quer repetir o pedidoMenos
    Volume de compra pequenoAvalie se a viagem cabe no custo
    Produto que exige certificação no BrasilSim, com checagem prévia das exigências

    Checklist da Feira de Cantão

    • ☐ Fase escolhida conforme o setor do produto
    • ☐ Datas conferidas no site oficial
    • ☐ Cadastro de comprador feito no site oficial
    • ☐ Regras de entrada na China conferidas
    • ☐ Lista de produtos com especificação e exigências no Brasil
    • ☐ Roteiro de perguntas para os estandes
    • ☐ Plano de amostras e checagem depois da feira

    Perguntas frequentes

    Quando é a Feira de Cantão em 2026?

    A edição de outono de 2026 (140ª) acontece em três fases: 15 a 19 de outubro, 23 a 27 de outubro e 31 de outubro a 4 de novembro, segundo o site oficial. Para planejar a participação na próxima edição, consulte as datas divulgadas pela organização no site oficial.

    Onde acontece a Feira de Cantão?

    Em Guangzhou, na província de Guangdong, no sul da China, no complexo de exposições da feira.

    Precisa pagar para entrar como comprador?

    As condições de cadastro e de crachá são definidas pela organização da feira. Consulte as instruções vigentes no site oficial.

    Dá para fechar compra na feira?

    Dá para negociar, mas o mais seguro é usar a feira para selecionar fornecedores e fechar o pedido depois das amostras e da checagem.

    Precisa de visto para ir à Feira de Cantão?

    As regras de entrada na China mudam. Confira a exigência vigente no Portal Consular do Itamaraty e nos canais oficiais da representação chinesa antes de viajar.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Número ou regra citadaTipoFonte (link)ConsultaValidade
    Datas das três fases da 140ª edição (outono de 2026)Oficial (organizadora)Canton Fair, General Information14/10/2026Publicado em 27/04/2026
    Setores de cada fase; intervalos de 20 a 22 e 28 a 30 de outubro (entre as datas oficiais das fases)Oficial (organizadora)Canton Fair, General Information14/10/2026Publicado em 27/04/2026
    Previsão de mais de 32 mil expositores; três fases de 15/10 a 04/11 em GuangzhouOficial (governo chinês)gov.cn, 140th Canton Fair to draw over 32,000 exhibitors14/10/2026Página atualizada em 19/09/2026; despacho da Xinhua datado de 18/09/2026
    Organização pelo China Foreign Trade Centre; endereço em GuangzhouOficial (organizadora)Canton Fair, About Us14/10/2026Vigente na consulta
    Retenção, na conferência aduaneira, de produtos com marcas falsificadas, alteradas ou imitadas (arts. 605 a 608)Oficial (legislação)Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro14/10/2026Vigente na consulta
    Avaliação da conformidade de produtosOficial (Inmetro)Inmetro, Avaliação da Conformidade14/10/2026Vigente na consulta
    Regras de entrada em outros paísesOficial (Itamaraty)Portal Consular14/10/2026Vigente na consulta
  • Taxas do Mercado Livre em 2026: quanto custa vender e como calcular a margem do produto importado

    Taxas do Mercado Livre em 2026: quanto custa vender e como calcular a margem do produto importado

    Resposta direta: em 2026, o Mercado Livre cobra uma tarifa de venda de 10% a 14% do preço no anúncio Clássico e de 15% a 19% no Premium, conforme a categoria. Em produtos abaixo de R$ 79, pode haver também um custo fixo por unidade, que desde 02/03/2026 depende da logística: no Mercado Envios, só o Flex cobra; Full, Coleta, Drop Off, Places e Turbo não cobram; logística própria ou envio personalizado sempre cobram. A partir de R$ 79, não há custo fixo. Além disso, entra o custo de envio (inclusive nas modalidades sem custo fixo), que varia com o produto e a forma de envio. O percentual exato da sua categoria aparece no Simulador de Custos do próprio Mercado Livre. Para saber se a venda vale a pena, calcule a margem de contribuição: preço menos tarifa, envio, imposto sobre a venda, custo do produto e embalagem.

    Este é o primeiro guia da série sobre vender no Mercado Livre.

    As taxas do Mercado Livre em 2026

    CustoComo funcionaFonte oficial
    Tarifa de venda — Clássico10% a 14% do valor da venda, conforme a categoria; sem parcelamento em 12x sem juros para o compradorCentral de Vendedores
    Tarifa de venda — Premium15% a 19%, conforme a categoria; mais visibilidade e parcelamento em até 12x sem jurosCentral de Vendedores
    Custo fixo por unidade (abaixo de R$ 79)Depende da logística (veja a tabela abaixo)Documentação “Custos por vender” e página de envios da Central de Vendedores
    Custo fixo a partir de R$ 79Não existeCentral de Vendedores e documentação oficial
    Custo de envioDepende do produto e da forma de envio; consulte no Simulador de CustosCentral de Vendedores

    Fontes: Mercado Livre — Central de Vendedores, “Como funcionam as taxas do Mercado Livre”, e Mercado Livre Developers, “Custos por vender” (atualizada em 03/09/2026), acesso em 11/10/2026.

    Dois detalhes importantes, segundo o próprio Mercado Livre:

    • A tarifa pode variar além da categoria. No Brasil, produtos de categorias selecionadas, em determinada faixa de preço, podem ter redução na tarifa, e essa redução depende de critérios adicionais. Por isso, o mesmo produto pode ter tarifas diferentes em momentos diferentes.
    • Algumas categorias têm tarifa reduzida, como Livros e Supermercado, e oferecer frete grátis, principalmente em compras acima de R$ 120, pode fazer o Mercado Livre subsidiar parte do custo de envio. As condições aparecem ao criar o anúncio.

    Custo fixo abaixo de R$ 79: depende da logística

    Quatro cartões mostrando quando o Mercado Livre cobra custo fixo abaixo de R$ 79 conforme a logística
    Fonte: páginas oficiais do Mercado Livre, consulta em 12/10/2026.

    Desde 02/03/2026, o custo fixo deixou de depender só do preço e passou a depender também do tipo de logística. Segundo a documentação oficial:

    Logística do anúncio (preço abaixo de R$ 79)Cobra custo fixo?
    Mercado Envios FlexSim
    Mercado Envios Full, Coleta, Drop Off, Places ou TurboNão
    Logística própria (ME1), envio personalizado ou não especificadoSim
    Qualquer logística, preço a partir de R$ 79Não

    Como as páginas oficiais se encaixam (consulta em 12/10/2026):

    • A documentação “Custos por vender” (atualizada em 03/09/2026) diz que, desde 02/03/2026 no Brasil, abaixo do limite de frete grátis obrigatório, no Mercado Envios só o Flex cobra custo fixo; logística própria (ME1), envio personalizado ou não especificado sempre cobram; a partir do limite, nenhuma logística cobra.
    • A página “Com nossos envios rápidos, você sempre vende mais”, da Central de Vendedores, mostra o mesmo quadro: no Full e em Coleta e Agências, os custos são a tarifa de venda e os custos de envio (no Full, também os custos para operar com Full); no Flex, a tarifa de venda e o custo fixo por unidade vendida, “apenas para produtos abaixo de R$ 79”. É daí que vem o limite de R$ 79.
    • A página “Como funcionam as taxas do Mercado Livre” descreve o custo fixo só pelo preço (50% do valor da unidade abaixo de R$ 12,50 e três faixas entre R$ 12,50 e R$ 79, sem publicar os valores) e não separa por logística.

    Na prática: no Full, em Coleta, Drop Off, Places e Turbo não há custo fixo abaixo de R$ 79, mas há custo de envio; no Flex e na logística própria, abaixo de R$ 79, há custo fixo. A página de taxas não diz a quais logísticas as faixas de preço se aplicam hoje, e não encontramos comprovação de que ela esteja desatualizada. Por isso, confira o custo fixo e o custo de envio do seu anúncio no Simulador de Custos antes de definir o preço.

    As tarifas e condições do Mercado Livre podem mudar. Antes de precificar, confira os valores no Simulador de Custos e nas páginas oficiais do Mercado Livre.

    Clássico ou Premium: qual compensa?

    ClássicoPremium
    Tarifa de venda10% a 14%15% a 19%
    Parcelamento em até 12x sem juros para o compradorNãoSim
    VisibilidadePadrãoMaior, segundo o Mercado Livre
    Quando tende a fazer sentidoProdutos de preço baixo, margem apertada, compra por impulsoProdutos de preço mais alto, em que o parcelamento ajuda a vender

    A diferença de 5 pontos percentuais pesa. Na simulação abaixo, ela tira R$ 6,49 de margem em um produto de R$ 129,90. A pergunta certa é: o Premium vai vender pelo menos o suficiente a mais para compensar? Teste os dois com dados reais de conversão antes de decidir para todo o catálogo.

    Como calcular a margem: margem de contribuição simplificada

    A margem de contribuição simplificada é o que sobra de cada venda para pagar as despesas fixas do negócio (aluguel, salários, ferramentas, publicidade) e gerar lucro:

    Margem de contribuição = preço − tarifa de venda − custo fixo (se houver) − custo de envio − imposto sobre a venda − custo do produto − embalagem

    Ela é “simplificada” porque não inclui despesas fixas, publicidade, devoluções, perdas, custo financeiro do estoque nem o efeito de créditos tributários. Serve para comparar produtos e canais, não para apurar lucro.

    Para o produto importado, o “custo do produto” é o custo nacionalizado por unidade: preço de fábrica, frete internacional, seguro, tributos de importação e despesas até o seu estoque.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de vender ou importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu contador.

    Simulação HIPOTÉTICA

    Gráfico em cascata da margem de contribuição simplificada, de R$ 129,90 de preço a R$ 37,02 de margem no anúncio Clássico
    Simulação hipotética com números fictícios.

    Atenção: simulação hipotética, com números fictícios, sem relação com nenhuma operação real e sem um produto específico. A tarifa usada está dentro das faixas oficiais, mas a da sua categoria pode ser outra. O custo de envio e o imposto sobre a venda são fictícios. Confira tudo no Simulador de Custos e com o seu contador.

    Premissas

    • Preço de venda: R$ 129,90 (acima de R$ 79, sem custo fixo);
    • Tarifa hipotética: 12% no Clássico e 17% no Premium (dentro das faixas oficiais de 10% a 14% e de 15% a 19%);
    • Custo de envio por conta do vendedor: R$ 22,00 (fictício);
    • Imposto sobre a venda: 6% do preço (alíquota hipotética; a sua depende do regime tributário e da atividade);
    • Custo nacionalizado do produto: R$ 45,00 por unidade (fictício);
    • Embalagem: R$ 2,50;
    • Arredondamento de cada valor em centavos.
    ItemClássico (12%)Premium (17%)
    Preço de venda129,90129,90
    (−) Tarifa de venda15,5922,08
    (−) Custo fixo0,000,00
    (−) Custo de envio22,0022,00
    (−) Imposto sobre a venda (6%)7,797,79
    (−) Custo do produto45,0045,00
    (−) Embalagem2,502,50
    = Margem de contribuição37,0230,53
    % do preço28,50%23,50%

    O mesmo produto comprado no Brasil (hipotético): se, no Clássico, o custo do produto fosse R$ 70,00 em vez de R$ 45,00, a margem de contribuição cairia para R$ 12,02 (9,25% do preço). É por isso que o custo de aquisição, nacional ou importado, decide boa parte do jogo no marketplace.

    Produto abaixo de R$ 79 (hipotético): um item de R$ 59,90 no Clássico, enviado pelo Full (sem custo fixo, segundo a documentação oficial), com envio fictício de R$ 12,00, custo de R$ 22,00 e embalagem de R$ 1,50, deixaria R$ 13,62 (22,74%). Se o mesmo anúncio usasse Flex ou logística própria, haveria custo fixo por unidade: consulte o valor no Simulador.

    Qual preço mínimo para a margem que você quer?

    Se você quer que a margem de contribuição seja um percentual m do preço:

    Preço mínimo = (custo do produto + embalagem + envio) ÷ (1 − tarifa − imposto sobre a venda − m)

    Com as premissas da simulação (válida para preços a partir de R$ 79, sem custo fixo):

    Margem de contribuição desejadaPreço mínimo no Clássico (12%)Preço mínimo no Premium (17%)
    10%R$ 96,53R$ 103,73
    20%R$ 112,10R$ 121,93
    30%R$ 133,65R$ 147,87

    Conferência: a R$ 112,10 no Clássico, a margem fica em R$ 22,42, exatamente 20% do preço. Se o preço mínimo ficar acima do que os concorrentes cobram, o problema está no custo do produto, no envio ou na escolha do anúncio, não no preço.

    Os erros mais comuns ao calcular as taxas

    ErroPor que é um problemaComo evitar
    Usar a tarifa de outra categoriaA tarifa varia por categoria e pode mudar com o tempoConsulte o Simulador de Custos para o anúncio real
    Esquecer o custo de envioPode ser um dos maiores custos da vendaInclua o envio do Simulador na conta
    Ignorar o custo fixo abaixo de R$ 79Em Flex e logística própria, ele existe e pesa nos itens baratosConfira a regra da sua logística
    Calcular a margem sobre o custo, e não sobre o preço“Markup” e margem são coisas diferentesUse sempre a margem como % do preço de venda
    Usar o preço de fábrica do importadoOs tributos de importação podem quase dobrar o custoUse o custo nacionalizado por unidade
    Esquecer o imposto sobre a vendaA venda no marketplace também é tributadaConfirme a alíquota com o contador
    Confundir margem de contribuição com lucroFaltam despesas fixas, publicidade e devoluçõesUse a margem para comparar; o lucro é apurado à parte

    Como usar o Simulador de Custos do Mercado Livre

    O Mercado Livre indica o Simulador de Custos como o caminho para calcular os custos de forma detalhada. Como a tarifa depende da categoria, do tipo de anúncio, do preço e da logística, simule com os dados reais do anúncio: categoria, preço, Clássico ou Premium e forma de envio. Depois, leve a tarifa e o custo de envio informados para a fórmula da margem de contribuição, junto com o custo do produto, a embalagem e o imposto sobre a venda.

    Refaça a simulação sempre que mudar preço, categoria, logística ou tipo de anúncio.

    Como decidir se o produto cabe no Mercado Livre

    • A margem de contribuição passa de zero com folga no Clássico? Se nem no Clássico sobra margem, revise o custo do produto ou o envio antes de anunciar.
    • O produto custa menos de R$ 79? Veja se a logística escolhida cobra custo fixo e quanto isso representa no preço.
    • O Premium se paga? Compare a margem perdida com o aumento de vendas esperado.
    • O produto é importado? Use o custo nacionalizado por unidade, com folga no câmbio.
    • O preço mínimo está acima do mercado? O produto pode não ser competitivo nesse canal.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Checklist de precificação no Mercado Livre

    • ☐ Categoria do anúncio definida
    • ☐ Tarifa da categoria conferida no Simulador (Clássico e Premium)
    • ☐ Regra de custo fixo da logística conferida (preço abaixo de R$ 79)
    • ☐ Custo de envio do Simulador anotado
    • ☐ Alíquota do imposto sobre a venda confirmada com o contador
    • ☐ Custo do produto (nacionalizado, se importado) por unidade
    • ☐ Embalagem incluída
    • ☐ Margem de contribuição calculada em R$ e em % do preço
    • ☐ Preço mínimo para a margem desejada calculado
    • ☐ Comparação com os preços dos concorrentes

    Perguntas frequentes

    Quanto o Mercado Livre cobra por venda em 2026?

    A tarifa de venda é de 10% a 14% do preço no Clássico e de 15% a 19% no Premium, conforme a categoria. Abaixo de R$ 79, pode haver custo fixo por unidade, dependendo da logística, e há o custo de envio.

    O Mercado Livre ainda cobra taxa fixa?

    Abaixo de R$ 79, depende da logística: segundo a documentação oficial, no Mercado Envios só o Flex cobra; Full, Coleta, Drop Off, Places e Turbo não cobram; logística própria e envio personalizado cobram. A partir de R$ 79, não há custo fixo.

    Qual a diferença entre o anúncio Clássico e o Premium?

    O Premium tem tarifa maior (15% a 19%, contra 10% a 14%), mais visibilidade e permite parcelamento em até 12x sem juros para o comprador.

    Como saber a tarifa exata da minha categoria?

    No Simulador de Custos do Mercado Livre. O próprio Mercado Livre informa que a tarifa pode variar por categoria, faixa de preço e outros critérios.

    Como calcular a margem de um produto importado no Mercado Livre?

    Subtraia do preço a tarifa, o custo fixo (se houver), o envio, o imposto sobre a venda, a embalagem e o custo nacionalizado do produto. O resultado é a margem de contribuição simplificada.

    Margem de contribuição é o mesmo que lucro?

    Não. A margem de contribuição ainda precisa pagar as despesas fixas, a publicidade e as devoluções. Só depois disso sobra lucro.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo importa direto da China há cerca de 3 anos e compartilha conteúdo sobre importação no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Todas acessadas em 11/10/2026.

  • Alibaba é confiável? Como comprar com segurança e evitar golpes

    Alibaba é confiável? Como comprar com segurança e evitar golpes

    Resposta direta: sim, o Alibaba.com é uma plataforma confiável para comprar de fabricantes chineses, desde que você compre e pague dentro da plataforma, com o Trade Assurance. Esse serviço, sem custo adicional para o comprador, protege pedidos feitos e pagos pelo Alibaba.com e permite solicitar reembolso se o pedido não for enviado, se não chegar ou se chegar com defeito ou diferente do combinado, em até 30 dias depois da entrega. O reembolso não é automático nem garantido em todos os casos: o Alibaba analisa o pedido online e as mensagens, faz a mediação com o fornecedor e reembolsa quando considera cabível. A maior parte dos golpes acontece fora dessas regras: pagamento para conta bancária “nova”, conversa levada para outro aplicativo, pedido sem especificação escrita ou cobrança falsa de “taxa de liberação”. O Alibaba é o principal canal de compra de Gustavo Frajo, que normalmente paga com Trade Assurance.

    Este artigo trata da segurança da plataforma e dos golpes para quem vai importar do Alibaba com menos risco. Para encontrar, comparar e verificar fábricas, veja o guia Como encontrar fornecedor na China.

    O que é o Alibaba.com (e o que ele não é)

    O Alibaba.com é um marketplace B2B: ele conecta compradores a fornecedores, que são empresas independentes. O Alibaba não fabrica nem vende os produtos anunciados. Por isso, a pergunta “o Alibaba é confiável?” tem duas partes:

    1. A plataforma é segura? Sim, quando você usa os mecanismos dela: pedido online, pagamento pelo checkout ou pelos dados bancários oficiais fornecidos pelo Alibaba e mensagens dentro do sistema.
    2. O fornecedor é confiável? Isso você verifica caso a caso, com selos, documentos, conversa e amostras. Esse processo está no como encontrar fornecedor na China.

    Não confunda com outros sites do mesmo grupo: o AliExpress é voltado ao varejo (compras em pequena quantidade, para o consumidor), e o 1688 é o atacado doméstico chinês, em chinês e para o mercado interno.

    Trade Assurance: o que cobre e o que não cobre

    Fluxo do Trade Assurance: pedido online, pagamento retido, envio, inspeção e confirmação ou reembolso em até 30 dias
    Segundo as páginas oficiais do Alibaba.com, consulta em 12/10/2026.

    O Trade Assurance é a proteção de pedidos do próprio Alibaba.com. Segundo as páginas oficiais da plataforma (acesso em 11/10/2026):

    SituaçãoCoberto?Condição
    Fornecedor não envia ou atrasa o envioSimPedido feito e pago pelo Alibaba.com; a política oficial prevê reembolso integral quando o pedido não é enviado como combinado, mediante solicitação do comprador
    Pedido some no caminhoSimPedido online com Trade Assurance
    Produto com defeito, errado, danificado ou fora do combinadoSimPedido de reembolso em até 30 dias após a entrega (60 dias para compradores Enterprise e Enterprise Pro)
    Cancelamento logo após o pagamentoSimAté 2 horas depois do pagamento, se o pedido ainda não foi enviado
    Pagamento feito fora da plataforma (conta indicada pelo vendedor, app de terceiros)NãoA proteção só vale com pagamento pelo Alibaba.com
    Combinações feitas fora do pedido e das mensagens da plataformaNa prática, nãoO pedido online e o histórico de mensagens são a base da análise do reembolso
    Qualidade “abaixo do esperado”, sem especificação escrita no pedidoDifícilSem critério escrito, não há como provar que o produto fugiu do combinado

    Outros pontos das regras oficiais:

    • Pagamento retido (escrow): o Alibaba informa que o pagamento fica retido e só é liberado ao fornecedor depois que você recebe e confirma o pedido.
    • Sem custo adicional: o Alibaba não cobra pelo Trade Assurance, mas cobra taxas de transação em alguns meios de pagamento.
    • Meios de pagamento: cartão, transferência online, transferência bancária (T/T) para os dados oficiais fornecidos pelo Alibaba, PayPal, Apple Pay, Google Pay e boleto, entre outros. A lista muda; confira no checkout.
    • Mediação: se você e o fornecedor não chegarem a um acordo, o caso pode ser escalado para o Alibaba, que investiga, faz a mediação e decide; segundo a própria plataforma, o reembolso acontece “quando apropriado”.
    • Atraso na entrega com a logística do Alibaba: nos pedidos com garantia de entrega no prazo, a compensação é de 10% do valor do pedido, limitada a US$ 100, paga em cupons para compras futuras.
    • Devolução local (Easy Return): a página oficial lista o Brasil entre os países elegíveis, para pedidos abaixo de US$ 3.000, com devolução a um armazém local em casos de defeito, produto errado ou danificado. Confira a elegibilidade do seu pedido antes de contar com ela.

    Requisitos e limitações da cobertura

    Segundo as páginas oficiais do Trade Assurance (consulta em 12/10/2026), a proteção depende de alguns requisitos:

    • Fornecedor com Trade Assurance: o Alibaba orienta a trabalhar só com fornecedores que exibem o símbolo do Trade Assurance.
    • Pedido online: a base da proteção é o pedido online do Alibaba.com. É nele que você e o fornecedor definem a qualidade do produto e a data de envio; revise-o com cuidado.
    • Pagamento pelo Alibaba.com: a proteção só vale quando o pagamento é feito online, pela plataforma de pagamento do Alibaba.com. No PayPal, por exemplo, ela só começa depois que o pagamento online é concluído.
    • Prazo: o pedido de reembolso deve ser feito em até 30 dias após a entrega (60 dias para compradores Enterprise e Enterprise Pro). Inspecione o lote logo que receber.
    • Provas: o pedido online e o histórico de mensagens são a base da análise do reembolso.

    E tem limitações:

    • Cobre o que foi combinado no pedido: qualidade do produto e data de envio. O que não está escrito no pedido online fica difícil de reclamar.
    • Não é reembolso automático: o Alibaba investiga, faz a mediação e reembolsa quando considera cabível. O resultado depende das provas e do que foi combinado.
    • Pagamento fora da plataforma fica sem proteção.
    • Devolução local (Easy Return) vale só para pedidos elegíveis abaixo de US$ 3.000, e a compensação por atraso na logística do Alibaba é limitada (10% do pedido, até US$ 100, em cupons).
    • Tributos e despesas de importação no Brasil não aparecem entre as situações cobertas nas páginas consultadas.

    Gustavo Frajo normalmente paga com Trade Assurance e prioriza a qualidade antes do preço. A proteção não substitui a escolha do fornecedor: ela ajuda a recuperar o dinheiro se algo der errado, dentro dessas regras.

    Os selos do Alibaba: o que cada um prova

    SeloO que significa, segundo o AlibabaO que não garante
    Gold SupplierEmpresa verificada por uma instituição terceirizada como legalmente registradaQue a empresa seja fabricante, nem a qualidade do seu lote
    Verified SupplierGold Supplier cujo perfil, gestão, capacidade de produção e processos foram avaliados, certificados ou inspecionados por terceirosA qualidade de cada pedido; leia o relatório, a data e o escopo
    Trade Assurance (no anúncio)Fornecedor aceita pagamento pelo Alibaba.com, com proteção do pedidoNada, se você pagar por fora

    Fonte: Alibaba Buyer Central, “How Sourcing on Alibaba.com Works” (acesso em 11/10/2026). Como ler o relatório de verificação e conferir a licença comercial no sistema oficial chinês está no como encontrar fornecedor na China.

    Os golpes mais comuns (e como reconhecer cada um)

    Oito cartões com golpes comuns em compras internacionais e como se proteger de cada um
    Os golpes acontecem fora das regras da plataforma.
    GolpeComo costuma aparecerComo se proteger
    Troca de conta bancáriaE-mail ou mensagem dizendo que a conta do fornecedor “mudou” e pedindo transferência para outro beneficiárioPague só pelo checkout ou pelos dados bancários oficiais que o Alibaba mostra no pedido. Nunca mude o beneficiário por mensagem
    Pagamento por fora com descontoOferta de desconto para pagar direto na conta do vendedorRecuse: pagamento fora da plataforma fica sem Trade Assurance
    Conversa levada para outro aplicativoPressa para ir ao WhatsApp, WeChat ou e-mail pessoalCombine preço, especificação e prazo nas mensagens do Alibaba; o próprio Alibaba recomenda isso nas regras do Trade Assurance
    Preço bom demaisValor muito abaixo dos outros fornecedores com a mesma especificaçãoCompare com outras cotações; desconfie do que destoa muito e peça amostra
    Phishing (conta roubada)E-mail parecido com o do Alibaba pedindo login, com ameaça de “suspensão da conta”Entre só por login.alibaba.com, nunca por link de e-mail; use senha única e diferente da do seu e-mail
    Cobrança falsa de “taxa de liberação”Mensagem por WhatsApp, SMS ou e-mail cobrando imposto ou “taxa de reenvio” por link ou Pix para liberar a encomendaA Receita Federal não envia mensagens de cobrança; na remessa, pague só no site dos Correios (“Minhas Importações”) ou da transportadora
    Produto com marca de terceirosRéplica de marca famosa a preço baixoNão compre: produto contrafeito pode ser retido e perdido na alfândega
    Amostra que nunca chegaPedido de pagamento de amostra por fora, “só o frete”Faça o pedido de amostra também pela plataforma, com Trade Assurance

    Fontes: Alibaba.com (Trade Assurance, Buyer Central e Central de Ajuda sobre contas roubadas) e Receita Federal (“É golpe?”), acesso em 11/10/2026.

    O que a Receita Federal diz sobre cobranças falsas

    Segundo a Receita Federal, ela nunca liga nem manda mensagem cobrando pagamento para liberar encomendas, não recebe pagamento de encomendas por links, QR Code ou cartão, e não existe “taxa de reenvio” ou “taxa de liberação” depois da compra. Encomendas que chegam pelos Correios são pagas só no “Minhas Importações”, no site ou no aplicativo dos Correios; as de courier, no site da transportadora. E-mails oficiais da Receita terminam em @rfb.gov.br. Desconfie mesmo quando a mensagem traz seus dados corretos, como nome, CPF e código de rastreamento.

    Como importar do Alibaba com segurança: passo a passo

    Infográfico com os 10 passos para comprar no Alibaba com segurança
    Os 10 passos, do cadastro à reclamação.

    1. Crie a conta e proteja o acesso. Propósito: evitar que alguém faça pedidos ou mude dados no seu nome. Cuidados: senha exclusiva, diferente da do e-mail; entrar só pelo endereço oficial.

    2. Filtre fornecedores com Trade Assurance e selos. Propósito: começar com quem aceita o pagamento protegido. Cuidados: o selo é ponto de partida, não garantia. Gustavo Frajo compara mais de cinco fornecedores antes de decidir.

    3. Converse só pelas mensagens do Alibaba. Propósito: guardar a prova do que foi combinado. Cuidados: se o fornecedor mandar algo importante por outro canal, peça que repita na plataforma.

    4. Escreva a especificação no pedido. Propósito: dar base a uma eventual reclamação. Cuidados: material, medidas, cor, embalagem, etiqueta, quantidade, tolerâncias, fotos de referência e prazo de envio. “Qualidade boa” não é especificação.

    5. Peça amostra quando houver dúvida de qualidade. Propósito: ver o produto antes do lote. Cuidados: faça o pedido de amostra pela plataforma e guarde a amostra aprovada como referência.

    6. Feche o pedido online com Trade Assurance. Propósito: ativar a proteção. Cuidados: confira valor, Incoterm, prazo de envio e a especificação anexada antes de pagar.

    7. Pague pelo checkout ou pelos dados bancários oficiais do Alibaba. Propósito: manter o dinheiro protegido. Cuidados: nunca pague a uma conta informada por mensagem, nem a uma conta pessoal.

    8. Acompanhe a produção e o envio. Propósito: identificar atrasos cedo. Cuidados: peça fotos ou vídeo do lote pronto antes do embarque; se o prazo de envio vencer, acione o Trade Assurance.

    9. Inspecione assim que receber. Propósito: não perder o prazo de reclamação de 30 dias após a entrega. Cuidados: abra caixas por amostragem, fotografe, compare com a amostra e com a especificação.

    10. Se algo der errado, reclame com provas. Propósito: fundamentar o pedido de reembolso. Cuidados: abra o pedido de reembolso dentro do prazo, com fotos, vídeos, o pedido e as mensagens. Se não houver acordo, escale para o Alibaba.

    Lembre que comprar com segurança é só metade da conta: a outra é o custo de trazer a mercadoria. Calcule os impostos de importação antes de pagar o fornecedor.

    Qual meio de pagamento usar

    MeioProtegido pelo Trade Assurance?Cuidado principal
    Cartão, PayPal, Apple Pay, Google Pay ou boleto no checkoutSim, quando o pagamento é feito no Alibaba.comTaxas de transação entram no custo
    Transferência bancária (T/T)Sim, se for para os dados bancários oficiais mostrados pelo Alibaba no pedidoConferir o beneficiário no próprio pedido, nunca em mensagem
    Transferência para conta indicada pelo fornecedorNãoÉ o cenário mais comum de perda de dinheiro
    Pagamento por aplicativos ou sites de terceirosNãoO Alibaba exige pagamento na plataforma para haver proteção

    Fonte: Alibaba Buyer Central e Trade Assurance (acesso em 11/10/2026).

    Caí em um golpe: o que fazer

    1. Pare de pagar. Golpistas costumam pedir uma “segunda taxa” depois da primeira; a Receita Federal descreve esse padrão nas cobranças falsas de encomendas.
    2. Se o pedido foi pelo Trade Assurance, abra o pedido de reembolso dentro do prazo, com o pedido, as mensagens e as provas.
    3. Se a conta foi invadida, siga a orientação da Central de Ajuda do Alibaba: troque a senha da conta e a do e-mail cadastrado (diferentes entre si), rode um antivírus, confira mensagens e configurações suspeitas e fale com o suporte.
    4. Avise o seu banco imediatamente se o pagamento saiu por transferência ou cartão.
    5. Guarde tudo: comprovantes, conversas, e-mails e links recebidos.

    Sinais de alerta antes de pagar

    • O fornecedor insiste em pagamento fora da plataforma ou em uma conta diferente da exibida pelo Alibaba;
    • os nomes da empresa no perfil, na licença comercial, na fatura e na conta bancária não batem;
    • o preço é muito menor que o de todas as outras cotações com a mesma especificação;
    • o fornecedor evita colocar a especificação por escrito no pedido;
    • há pressa e pressão (“a oferta acaba hoje”, “o estoque é o último”);
    • o produto tem marca de terceiros sem autorização.

    Um sinal sozinho não prova golpe, mas dois ou mais pedem uma pausa antes de pagar.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Alibaba no Reclame Aqui: como usar essa informação

    Muita gente pesquisa “alibaba reclame aqui” antes da primeira compra. As reclamações podem ajudar a entender onde os problemas costumam acontecer (prazo, reembolso, atendimento), mas tenha dois cuidados:

    • Leia o caso, não só a nota. Veja se o comprador pagou dentro da plataforma, se havia especificação escrita e se a reclamação foi feita dentro do prazo. Muitas histórias de prejuízo envolvem pagamento fora das regras do Trade Assurance.
    • Separe a plataforma do fornecedor. O Alibaba media, mas quem fabrica e envia é o fornecedor. Uma reclamação contra um fornecedor não diz nada sobre outro.

    Use o Reclame Aqui como mais um sinal, junto com os selos, a verificação da empresa e a amostra.

    Como decidir se o Alibaba serve para você

    • Quer comprar de fabricantes para revender, com CNPJ? O Alibaba é um bom ponto de partida: grande oferta de fábricas, filtros, selos e pagamento protegido.
    • Quer só uma ou poucas unidades para uso próprio? Um site de varejo pode ser mais simples; o Alibaba é pensado para compras em quantidade.
    • Não consegue escrever uma especificação clara? Comece por uma amostra; sem critério escrito, a proteção do Trade Assurance perde força.
    • O fornecedor só aceita pagamento por fora? Procure outro.

    Antes da primeira compra, entenda também o caminho da importação: CPF, MEI ou CNPJ, remessa ou importação formal — o mesmo cuidado vale quando você vai importar do Alibaba pela primeira vez. Veja em como importar da China.

    Checklist de compra segura no Alibaba

    • ☐ Conta com senha exclusiva, acesso só pelo endereço oficial
    • ☐ Fornecedor com Trade Assurance (e selos conferidos)
    • ☐ Empresa verificada (licença e nomes coerentes) — veja o guia de fornecedores
    • ☐ Toda a negociação nas mensagens do Alibaba
    • ☐ Especificação detalhada anexada ao pedido
    • ☐ Amostra aprovada, quando houver dúvida de qualidade
    • ☐ Pedido online com Trade Assurance
    • ☐ Pagamento pelo checkout ou pelos dados bancários oficiais do Alibaba
    • ☐ Custo nacionalizado calculado antes de pagar
    • ☐ Inspeção na chegada, dentro do prazo de 30 dias
    • ☐ Nenhum pagamento de “taxa de liberação” por link, Pix ou mensagem

    Perguntas frequentes

    O Alibaba é seguro para comprar?

    É mais seguro quando você faz o pedido e paga dentro do Alibaba.com, com Trade Assurance, e mantém a negociação nas mensagens da plataforma. Pagamentos fora da plataforma ficam sem proteção.

    O Alibaba.com é confiável ou é golpe?

    O Alibaba.com é uma plataforma legítima de comércio entre empresas. Os golpes associados ao nome costumam envolver fornecedores que pedem pagamento por fora, mensagens falsas que imitam o Alibaba ou cobranças falsas de taxas de importação.

    O que acontece se o produto chegar com defeito?

    Com Trade Assurance, você pode pedir reembolso em até 30 dias após a entrega (60 dias para compradores Enterprise e Enterprise Pro), com fotos, vídeos, o pedido e as mensagens como prova. O Alibaba investiga, faz a mediação e decide: o reembolso não é automático e depende das provas.

    Dá para pagar o Alibaba com boleto?

    Segundo o Alibaba, o boleto está entre os meios aceitos em pedidos com Trade Assurance. Os meios disponíveis podem mudar: confira no checkout do seu pedido.

    O Trade Assurance custa alguma coisa?

    O Alibaba informa que não cobra pelo Trade Assurance, mas cobra taxas de transação em alguns meios de pagamento.

    Recebi uma mensagem cobrando taxa para liberar minha encomenda. É golpe?

    Muito provavelmente. Segundo a Receita Federal, ela não envia mensagens de cobrança e não existe “taxa de liberação” depois da compra. Confira só no site dos Correios (“Minhas Importações”) ou da transportadora, sem clicar no link recebido.

    Preciso de CNPJ para comprar no Alibaba?

    Para revender o que importou, sim: a Receita Federal não permite que pessoa física importe com finalidade comercial, presumida pela quantidade, frequência, natureza ou variedade das compras.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo importa direto da China há cerca de 3 anos e compartilha conteúdo sobre importação no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Todas acessadas em 11/10/2026.

    • Alibaba.com — Trade Assurance (perguntas frequentes do comprador): https://buyer.alibaba.com/page/tradeassurance/buyer/story.html
    • Alibaba.com — Trade Assurance: política de reembolso: https://tradeassurance.alibaba.com/ta/MoneyBackPolicy.htm
    • Alibaba.com — Trade Assurance (guia em PDF): https://sc01.alicdn.com/kf/Hecf5553758054f109987e4261e84eb57z.pdf
    • Alibaba.com — Termos da garantia de entrega no prazo: https://terms.alicdn.com/legal-agreement/terms/common%5Fplatform%5Fservice/20250206115430183/20250206115430183.html
    • Alibaba Buyer Central — How Sourcing on Alibaba.com Works (selos e meios de pagamento): https://buyer.alibaba.com/page/HowItWorks/Page.html
    • Alibaba.com — Central de Ajuda: conta roubada e phishing: https://activity.alibaba.com/helpcenter/accountstolenggs.html
    • Receita Federal — É golpe?: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/e-golpe
    • Receita Federal — Compras em sites falsos ou redes sociais: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/e-golpe/compras-em-redes-sociais/compras-em-redes-sociais
    • Receita Federal — Encomendas internacionais: perguntas e respostas (pergunta 10.3, finalidade comercial): https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/topicos/Perguntas_e_Respostas
  • Impostos de importação: como calcular a taxa de importação da China (II, IPI, PIS/Cofins e ICMS)

    Impostos de importação: como calcular a taxa de importação da China (II, IPI, PIS/Cofins e ICMS)

    Resposta direta: na importação formal, os impostos de importação são calculados em cascata, nesta ordem: (1) converta para reais o valor aduaneiro (mercadoria + frete internacional + seguro) pelo câmbio da data de registro da declaração; (2) II = valor aduaneiro × alíquota da TEC; (3) IPI = (valor aduaneiro + II) × alíquota da TIPI (forma simplificada; veja o passo 3); (4) PIS-Importação (2,1%) e Cofins-Importação (9,65%) sobre o valor aduaneiro; (5) some AFRMM (8% do frete marítimo) e taxa Siscomex; (6) calcule o ICMS “por dentro”: base = soma de tudo ÷ (1 − alíquota do estado). Numa simulação hipotética deste artigo, em São Paulo, os tributos e taxas chegaram a cerca de 80% do preço FOB convertido. Na compra por remessa (Correios ou courier), a conta é outra: II de 60% (com regras especiais para pessoa física no Remessa Conforme) mais ICMS.

    Este guia é a parte de cálculo da série — para quem pesquisa taxas de importação e precisa calcular o imposto de importação com clareza. Se você ainda está decidindo entre CPF, MEI ou CNPJ, ou entre remessa e importação formal, resolva isso antes de calcular: o caminho escolhido muda os tributos (a remessa é tratada mais abaixo). O passo a passo está em como importar da China.

    Quais são as taxas de importação

    Infográfico com a ordem de cálculo dos impostos de importação, do valor aduaneiro ao ICMS por dentro
    Cada etapa usa o resultado da anterior.
    Tributo ou taxaSobre o que incideAlíquotaOnde confirmar
    Imposto de Importação (II)Valor aduaneiroVaria pelo NCMTEC (MDIC/Camex)
    IPIValor aduaneiro + II, mais encargos cambiais e taxas de entrada, se houver (veja o passo 3)Varia pelo NCM (pode ser 0%)TIPI; CTN, art. 47; RIPI, art. 190
    PIS-ImportaçãoValor aduaneiro2,1% (geral)Lei nº 10.865/2004
    Cofins-ImportaçãoValor aduaneiro9,65% (geral); alguns NCMs têm adicionalLei nº 10.865/2004
    AFRMMFrete marítimo de longo curso8%Lei nº 10.893/2004
    Taxa SiscomexPor declaração e por adiçãoR$ 115,67 + R$ 38,56 por adição (até a 2ª)IN RFB nº 2.024/2021
    ICMSValor aduaneiro + tributos, taxas e despesas aduaneiras + o próprio ICMSVaria por estadoLC nº 87/1996 e lei do seu estado

    Fontes: Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), arts. 75, 77, 90 e 97; Lei nº 10.865/2004, arts. 7º e 8º; Lei nº 10.893/2004, art. 6º; IN RFB nº 2.024/2021; LC nº 87/1996, art. 13, V e § 1º, I (acesso em 11/10/2026).

    Dois detalhes que confundem muita gente:

    • II zero não zera a conta. O Regulamento Aduaneiro (art. 93) diz que mercadorias importadas, mesmo com II de 0%, continuam sujeitas aos tributos internos. Ou seja: IPI, PIS/Cofins e ICMS continuam valendo.
    • “Taxa de importação” não é um número único. O que existe é a soma de vários tributos, cada um com a sua base. Por isso, dois produtos comprados pelo mesmo preço podem chegar com custos muito diferentes.

    Passo 1: monte o valor aduaneiro (a base de tudo)

    Quase todos os tributos partem do valor aduaneiro. Pelo Regulamento Aduaneiro (art. 77), ele inclui, além do preço da mercadoria:

    • o frete até o porto ou aeroporto de descarga no Brasil;
    • os gastos de carga, descarga e manuseio ligados a esse transporte, até a chegada ao Brasil;
    • o seguro da mercadoria nesse trajeto.

    Já os custos de transporte e seguro dentro do Brasil, depois do porto ou aeroporto de chegada, ficam fora do valor aduaneiro, desde que destacados na documentação (art. 79).

    O Incoterm muda a conta

    Infográfico com o que somar ao preço em cada Incoterm, EXW, FOB e CIF, para chegar ao valor aduaneiro
    O Incoterm define o que já está no preço.

    O Incoterm combinado com o fornecedor define o que o preço já inclui e o que você precisa somar:

    Incoterm na proformaO preço já incluiO que você soma para chegar ao valor aduaneiro
    EXW (na fábrica)Só a mercadoriaTransporte interno na China até o embarque, frete internacional e seguro
    FOB (embarcado no porto de origem)Mercadoria colocada a bordoFrete internacional e seguro
    CIF (custo, seguro e frete)Mercadoria, frete e seguro até o porto de destinoEm geral, nada (confira o que a fatura discrimina)

    O erro clássico é calcular os impostos só sobre o preço FOB. Na simulação abaixo, esquecer o frete e o seguro subestima os tributos em R$ 5.353,08.

    Câmbio: qual taxa usar

    Para calcular o imposto, os valores em moeda estrangeira são convertidos pela taxa de câmbio vigente na data do fato gerador (Regulamento Aduaneiro, art. 97), que, na importação para consumo, é a data do registro da declaração de importação (art. 73, I). O ICMS usa a mesma taxa do II (LC nº 87/1996, art. 14). Na prática: o câmbio do dia em que você pagou o fornecedor não é o câmbio dos impostos. Por isso, simule com folga.

    Passo 2: Imposto de Importação (II)

    Fórmula: II = valor aduaneiro × alíquota do II

    A alíquota é a da Tarifa Externa Comum (TEC) para o NCM do produto, na data do fato gerador (Regulamento Aduaneiro, arts. 90 e 94). A tabela vigente é publicada pelo MDIC/Camex. Alguns produtos têm alíquota reduzida por exceção; outros têm direito antidumping, cobrado à parte (consulte as medidas em vigor no MDIC pelo NCM e pela origem).

    O NCM é responsabilidade do importador. Classifique com o despachante antes de fechar o pedido: o NCM errado muda o II, o IPI e às vezes a Cofins, e pode gerar multa.

    Passo 3: IPI

    Fórmula usada neste guia (simplificada): IPI = (valor aduaneiro + II) × alíquota do IPI

    O que diz a norma: a base do IPI na importação é o valor que serve de base para os tributos aduaneiros (o valor aduaneiro), acrescido do II e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (Decreto nº 7.212/2010, Regulamento do IPI, art. 190, I, “a”). O Código Tributário Nacional (art. 47, I) também inclui na base as taxas exigidas para a entrada do produto no país. A alíquota vem da TIPI, pelo NCM, e muitos produtos têm IPI de 0%.

    Simplificações adotadas na fórmula, nas tabelas e nos infográficos deste guia:

    • Sem encargos cambiais: a operação simulada não tem encargos cambiais nem IOF de câmbio, então a base fica em valor aduaneiro + II.
    • Taxa Siscomex fora da base do IPI: se, na sua operação, ela ou outra taxa de entrada tiver de entrar na base, o IPI da simulação subiria R$ 15,42 e o custo total, R$ 18,81 (com o reflexo no ICMS). Confirme com o despachante.
    • Só o IPI do desembaraço: na revenda, o importador é equiparado a industrial (RIPI, art. 9º, I) e pode haver IPI na saída, com crédito do IPI pago no desembaraço (RIPI, art. 226, V). Isso depende do regime da empresa: confirme com o contador.

    Passo 4: PIS-Importação e Cofins-Importação

    Fórmulas: PIS = valor aduaneiro × 2,1% · Cofins = valor aduaneiro × 9,65%

    Desde a Lei nº 12.865/2013, a base das duas contribuições é só o valor aduaneiro (Lei nº 10.865/2004, art. 7º, I). As alíquotas gerais são de 2,1% e 9,65% (art. 8º, I). Atenção a duas exceções:

    • Adicional de Cofins: alguns NCMs listados na lei pagam um acréscimo na Cofins-Importação, de 0,6 ponto percentual em 2026 e 0,4 em 2027 (art. 8º, § 21-A). Na simulação, esse adicional encareceria o lote em R$ 444,52: R$ 364,50 a mais de Cofins e R$ 80,02 de reflexo no ICMS.
    • Alíquotas específicas: alguns setores têm alíquotas próprias. Confirme pelo NCM com o despachante.

    Passo 5: AFRMM e taxa Siscomex

    • AFRMM: 8% sobre o frete do transporte aquaviário de longo curso (Lei nº 10.893/2004, art. 6º, I). Só existe no frete marítimo: no aéreo, não há AFRMM.
    • Taxa Siscomex: R$ 115,67 por declaração (DI ou Duimp) e R$ 38,56 por adição até a 2ª; da 3ª adição em diante os valores por adição diminuem (IN RFB nº 2.024/2021). Cada adição agrupa mercadorias com o mesmo NCM e as mesmas condições.

    Passo 6: ICMS “por dentro”

    Infográfico em três passos mostrando como calcular o ICMS por dentro com o exemplo da simulação
    Exemplo da simulação hipotética, São Paulo, 18%.

    O ICMS é estadual e é o tributo que mais pesa, porque a base dele inclui todos os outros. Pela Lei Complementar nº 87/1996 (art. 13, V), a base do ICMS na importação soma o valor da mercadoria, o II, o IPI, o IOF de câmbio e “quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras”. E o § 1º, I, manda incluir o próprio ICMS na base. Por isso o cálculo é “por dentro”:

    Fórmula: base do ICMS = (soma do valor aduaneiro, tributos e taxas) ÷ (1 − alíquota) · ICMS = base × alíquota

    O que entra como “despesa aduaneira” é definido por cada estado. Em São Paulo, a alíquota interna geral é de 18% (Lei SP nº 6.374/1989, art. 34, I), e a Decisão Normativa CAT nº 6/2015 orienta que despachante, armazenagem e frete nacional não entram na base. Em outros estados, confirme a regra local: a alíquota, a base e os benefícios mudam.

    O ICMS da importação pode virar crédito para empresas que apuram o imposto no regime normal, o que muda o custo efetivo. Isso depende do regime da empresa e do estado: confirme com o seu contador.

    Simulação HIPOTÉTICA completa (importador em São Paulo)

    Atenção: simulação hipotética, com números fictícios, sem relação com nenhuma operação real e sem um produto específico. Serve para mostrar a ordem do cálculo e o peso de cada tributo. Os seus valores dependem do NCM, do frete, do câmbio, do estado e do regime tributário da empresa.

    Premissas

    • Lote genérico de 1.000 unidades, US$ 10.000 FOB (US$ 10,00 por unidade);
    • Frete marítimo de US$ 1.200 e seguro de US$ 50 (fictícios);
    • Câmbio de R$ 5,40 por US$, o mesmo para todos os itens;
    • Premissas hipotéticas do NCM: II de 16% e IPI de 10%. No seu produto, consulte a TEC e a TIPI;
    • PIS-Importação de 2,1% e Cofins-Importação de 9,65% (alíquotas gerais, sem adicional);
    • IPI sobre valor aduaneiro + II, sem encargos cambiais e sem taxa Siscomex na base (simplificações explicadas no passo 3);
    • AFRMM de 8% do frete; taxa Siscomex de 1 declaração com 1 adição;
    • Importador em São Paulo, ICMS de 18% (alíquota interna geral: Lei SP nº 6.374/1989, art. 34, I; RICMS/SP, art. 52, I), por dentro, com a base do RICMS/SP (art. 37, IV e § 6º) e da DN CAT nº 6/2015: despachante, armazenagem e frete nacional fora da base;
    • Despesas no Brasil (valores hipotéticos, escolhidos só para o exemplo; não são referência de mercado): despachante R$ 2.000, armazenagem R$ 1.500 e frete nacional R$ 800;
    • Sem antidumping, sem benefício fiscal, sem IOF de câmbio e sem créditos tributários considerados;
    • Arredondamento: cada valor em centavos.

    Memória de cálculo

    EtapaCálculoValor (R$)
    1. Valor aduaneiro(US$ 10.000 + 1.200 + 50) × 5,4060.750,00
    2. II (16%, premissa)60.750,00 × 16%9.720,00
    3. IPI (10%, premissa)(60.750,00 + 9.720,00) × 10%7.047,00
    4. PIS-Importação (2,1%)60.750,00 × 2,1%1.275,75
    5. Cofins-Importação (9,65%)60.750,00 × 9,65%5.862,38
    6. AFRMM (8% do frete)US$ 1.200 × 5,40 × 8%518,40
    7. Taxa Siscomex115,67 + 38,56154,23
    Soma antes do ICMSetapas 1 a 785.327,76
    8. Base do ICMS (por dentro)85.327,76 ÷ (1 − 0,18)104.058,24
    9. ICMS (18%)104.058,24 × 18%18.730,48
    Despesas fora da base do ICMS2.000 + 1.500 + 8004.300,00
    Custo total nacionalizado85.327,76 + 18.730,48 + 4.300,00108.358,24
    Custo por unidade108.358,24 ÷ 1.000≈ 108,36

    O que os números mostram

    Gráfico de barras com a composição hipotética do custo nacionalizado de R$ 108.358,24
    Simulação hipotética: importador em SP.
    • O preço FOB convertido é de R$ 54.000,00 (R$ 54,00 por unidade). Só os tributos e taxas (etapas 2 a 7 e 9) somam R$ 43.308,24, cerca de 80,2% do FOB.
    • Com frete, seguro e despesas no Brasil, o custo total chega a cerca de 2 vezes o preço FOB convertido (200,66%).
    • O ICMS é a maior parcela (R$ 18.730,48), seguido do II (R$ 9.720,00). Mesmo com II e IPI zerados, o ICMS, o PIS e a Cofins continuariam pesando.

    Quanto o NCM e o câmbio mexem no custo

    Mantendo todas as outras premissas (IPI de 10%):

    II do NCM (premissa)Tributos e taxas (R$)Custo total (R$)Custo por unidade (R$)
    0%30.269,2295.319,2295,32
    10%38.418,61103.468,61103,47
    16%43.308,24108.358,24108,36
    20%46.568,00111.618,00111,62
    35%58.792,09123.842,09123,84
    Câmbio no registro da declaraçãoCusto total (R$)Custo por unidade (R$)
    R$ 4,86 (−10%)97.971,2397,97
    R$ 5,40 (premissa)108.358,24108,36
    R$ 5,94 (+10%)118.745,26118,75

    Leitura prática: uma diferença de NCM entre II de 0% e 35% muda o custo por unidade em quase R$ 30 neste exemplo. Uma alta de 10% no câmbio entre o pedido e o registro da declaração acrescenta cerca de R$ 10 por unidade. Antes de comprar, rode a conta no pior cenário provável.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    Os erros mais comuns no cálculo (e quanto custam)

    Usando a mesma simulação hipotética:

    ErroO que aconteceEfeito na simulação
    Calcular o ICMS “por fora” (base sem o próprio ICMS)O ICMS fica subestimadoICMS de R$ 15.359,00 em vez de R$ 18.730,48: R$ 3.371,48 a menos no planejamento
    Calcular os tributos só sobre o FOBFrete e seguro ficam fora do valor aduaneiro, e o AFRMM someTributos e taxas R$ 5.353,08 menores que os reais
    Pôr a armazenagem na base do ICMS em SPICMS maior que o devidoR$ 329,27 a mais de ICMS
    Usar o câmbio do dia do pagamento ao fornecedorO imposto usa o câmbio do registro da declaraçãoAté ± R$ 10,39 mil no custo do lote, se o câmbio variar 10%
    Esquecer o adicional de Cofins de um NCM listadoCofins menor que a devidaR$ 364,50 a mais de Cofins (R$ 444,52 no custo total, com o reflexo no ICMS), se o NCM tiver o adicional
    Achar que II zero significa “sem imposto”IPI, PIS/Cofins e ICMS continuamCom II 0%, ainda há R$ 30.269,22 de tributos e taxas

    E na compra por remessa (Correios ou courier)?

    Na remessa, a Receita Federal aplica, por padrão, o Regime de Tributação Simplificada (RTS), para compras de até US$ 3.000. Não há IPI, PIS e Cofins na conta: só II e ICMS. As regras, segundo a Receita Federal (declarações registradas desde 12/05/2026, MP nº 1.357/2026, convertida na Lei nº 15.502/2026, e Portaria MF nº 1.342/2026):

    • Pessoa física, em site do Programa Remessa Conforme: II de 0% até US$ 50; de US$ 50,01 a US$ 3.000, II de 60% com desconto de US$ 30 sobre o imposto;
    • Fora do Remessa Conforme ou destinatário pessoa jurídica: II de 60%, sem desconto;
    • ICMS: de 17% a 20%, conforme o estado, por dentro (a calculadora da Receita usa 17%).

    Exemplos HIPOTÉTICOS (pessoa física, site do Remessa Conforme, ICMS de 17%)

    Compra (produto + frete)IIBase do ICMSICMSTotal pago
    US$ 40US$ 0 (até US$ 50)40 ÷ 0,83 = US$ 48,19US$ 8,19US$ 48,19
    US$ 100100 × 60% − 30 = US$ 30,00130 ÷ 0,83 = US$ 156,63US$ 26,63US$ 156,63

    Valores em dólar, para não depender do câmbio; a Receita converte pelo câmbio do dia. Essas regras são para uso próprio. Para revenda, a remessa só é feita com CNPJ (II de 60% sem desconto).

    Créditos e regime tributário: o custo “real” pode ser menor

    A simulação mostra o desembolso na importação. O custo efetivo depende do regime da empresa:

    • empresas no regime não cumulativo podem descontar créditos de PIS e Cofins pagos na importação, dentro das regras da Lei nº 10.865/2004;
    • empresas que apuram ICMS no regime normal podem se creditar do ICMS da importação, conforme a legislação do estado;
    • no Simples Nacional, os tributos da importação são pagos à parte, fora do DAS (LC nº 123/2006, art. 13, § 1º), e o aproveitamento de créditos segue regras próprias.

    Esse é o ponto em que o contador faz diferença: a mesma importação pode ter custos efetivos diferentes em duas empresas.

    Reforma tributária

    Segundo a Receita Federal, 2026 é ano de teste da CBS e do IBS. A partir de 2027, o PIS e a Cofins dão lugar à CBS e o IPI vai a zero para quase todos os produtos (exceto os da Zona Franca de Manaus); o ICMS é extinto em 2033, depois de uma transição entre 2029 e 2032. Para mercadorias que vão desembaraçar a partir de 2027, refaça a conta com o seu contador.

    Como usar o cálculo para decidir

    1. Antes de pedir cotação: confirme o NCM com o despachante e anote II, IPI, Cofins (com ou sem adicional), antidumping e exigências de licença.
    2. Com a cotação na mão: converta tudo para o mesmo Incoterm e monte o valor aduaneiro de cada fornecedor. O mais barato no FOB pode não ser o mais barato nacionalizado, se o frete ou o seguro forem maiores.
    3. Monte três cenários: câmbio atual, câmbio +10% e frete +20%. Se a margem só fecha no cenário otimista, não importe ainda.
    4. Compare com o preço de venda líquido: desconte tarifas do canal, frete ao cliente e impostos sobre a venda.

    Na experiência de Gustavo Frajo, que importa direto de fábricas chinesas há cerca de 3 anos, a importação só compensa quando essa conta completa é feita antes da compra: em alguns produtos a margem passou de 40% (antes de despesas fixas e publicidade), contra no máximo cerca de 15% comprando no Brasil.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Checklist do cálculo

    • ☐ NCM confirmado com o despachante
    • ☐ Alíquotas de II (TEC) e IPI (TIPI) do NCM anotadas
    • ☐ Adicional de Cofins e antidumping verificados
    • ☐ Incoterm convertido: frete internacional e seguro somados ao valor aduaneiro
    • ☐ Câmbio simulado com folga (o do registro da declaração)
    • ☐ AFRMM incluído (frete marítimo) e taxa Siscomex pelo número de adições
    • ☐ ICMS calculado por dentro, com a alíquota e a base do seu estado
    • ☐ Despesas fora da base do ICMS separadas (conforme a regra do estado)
    • ☐ Créditos tributários conferidos com o contador
    • ☐ Margem testada no cenário pessimista

    Perguntas frequentes

    Qual é a taxa de importação da China para o Brasil?

    Não existe uma taxa única. Na importação formal, o II e o IPI dependem do NCM, e somam-se PIS (2,1%), Cofins (9,65%), AFRMM, taxa Siscomex e ICMS do estado. Na remessa, o II é de 60% (pessoa física em site do Remessa Conforme: 0% até US$ 50; acima, 60% com desconto de US$ 30), mais ICMS de 17% a 20%.

    Como calcular o imposto de importação?

    Multiplique o valor aduaneiro (mercadoria + frete internacional + seguro, em reais, pelo câmbio da data de registro da declaração) pela alíquota do II do NCM na TEC. Os demais tributos vêm em seguida, cada um com a sua base.

    O ICMS entra na base do PIS e da Cofins?

    Não. Desde a Lei nº 12.865/2013, a base do PIS-Importação e da Cofins-Importação é só o valor aduaneiro. Já o ICMS tem na base todos os outros tributos e o próprio ICMS.

    Por que o ICMS é calculado “por dentro”?

    Porque a Lei Complementar nº 87/1996 manda incluir o montante do próprio imposto na sua base de cálculo. Por isso se divide a soma por (1 − alíquota) antes de aplicar a alíquota.

    Frete aéreo paga AFRMM?

    Não. O AFRMM incide sobre o frete do transporte aquaviário (marítimo de longo curso, na importação da China). No aéreo, o frete entra no valor aduaneiro, mas não há AFRMM.

    Se o II do meu produto for zero, não pago imposto?

    Paga. Com II de 0%, o IPI (se houver), o PIS, a Cofins, a taxa Siscomex e o ICMS continuam devidos. Na simulação deste artigo, ainda sobraram R$ 30.269,22 de tributos e taxas.

    Qual câmbio a Receita usa?

    A taxa vigente na data do fato gerador, que, na importação para consumo, é a data de registro da declaração de importação. O ICMS usa a mesma taxa do II.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo importa direto da China há cerca de 3 anos e compartilha conteúdo sobre importação no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Todas acessadas em 11/10/2026.

    • Planalto — Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), arts. 73, 75, 77, 79, 90, 93, 94 e 97: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6759.htm
    • Planalto — Decreto nº 7.212/2010 (Regulamento do IPI), arts. 9º, 190 e 226 (consulta em 12/10/2026): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7212.htm
    • Planalto — Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), art. 47: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm
    • Planalto — Lei nº 10.865/2004 (PIS/Cofins-Importação), arts. 7º e 8º: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.865.htm
    • Planalto — Lei nº 10.893/2004 (AFRMM): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.893compilado.htm
    • Planalto — Lei Complementar nº 87/1996 (ICMS), arts. 13 e 14: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp87.htm
    • Planalto — Lei Complementar nº 123/2006 (Simples Nacional): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm
    • DOU — IN RFB nº 2.024/2021 (taxa Siscomex): https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-rfb-n-2.024-de-28-de-abril-de-2021-317065137
    • MDIC/Camex — Tarifas vigentes (TEC): https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/camex/se-camex/strat/tarifas/vigentes
    • Receita Federal — TIPI: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/tipi-tabela-de-incidencia-do-imposto-sobre-produtos-industrializados
    • Receita Federal — Encomendas internacionais: tributação: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/topicos/tributacao
    • Receita Federal — Encomendas internacionais: novas regras (desde 12/05/2026): https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/regras-futuras/regras-futuras
    • Planalto — Lei nº 15.502/2026 (conversão da MP nº 1.357/2026): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/L15502.htm
    • Receita Federal — Quanto vou pagar de impostos? (calculadora): https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/preciso-pagar-impostos-nas-compras-internacionais/quanto-pagarei-de-imposto
    • Receita Federal — Reforma Tributária do Consumo: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas-e-atividades/reforma-tributaria-do-consumo/entenda
    • Sefaz-SP — Lei nº 6.374/1989, art. 34: https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/lei034.aspx
    • Sefaz-SP — RICMS/2000, art. 37: https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/art037.aspx
    • Sefaz-SP — Decisão Normativa CAT nº 6/2015: https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/denorm062015.aspx
    • MDIC — Defesa comercial: medidas em vigor: https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/comercio-exterior/defesa-comercial-e-interesse-publico/medidas-em-vigor
  • Como importar da China para o Brasil em 2026: passo a passo com CPF, MEI ou CNPJ

    Como importar da China para o Brasil em 2026: passo a passo com CPF, MEI ou CNPJ

    Resposta direta: para importar da China, primeiro defina para que você está comprando. Se é para uso próprio, o CPF basta: compras de até US$ 3.000 chegam por remessa (Correios ou courier), no Regime de Tributação Simplificada. Se é para revender, você precisa de CNPJ (MEI ou outra empresa), porque a Receita Federal não permite que pessoa física importe com finalidade comercial. Com CNPJ, há dois caminhos: a remessa expressa (até US$ 3.000 por remessa e US$ 150.000 por ano) ou a importação formal, com habilitação no Radar Siscomex, despachante e declaração de importação (Duimp). Antes de escolher o fornecedor, simule o custo nacionalizado: é ele, e não o preço de fábrica, que diz se a importação vale a pena.

    CPF, MEI ou CNPJ: quem pode importar o quê

    A primeira decisão não é o produto nem o fornecedor: é quem vai importar. A regra da Receita Federal é objetiva: a pessoa física que importa em nome próprio só pode trazer bens para uso e consumo próprio, coleção pessoal ou para as suas atividades profissionais (incluindo produtor rural, artesão, artista ou assemelhado). Importação em quantidade, frequência, natureza ou variedade que permita presumir finalidade comercial não é permitida para pessoa física.

    CPF (pessoa física)

    • Pode importar para revender? Não
    • Remessa (Correios ou courier): Sim, até US$ 3.000 por remessa, para uso próprio
    • Importação formal (Duimp): Só para uso próprio, coleção ou atividade profissional; dispensada de habilitação quando opera em nome próprio
    • Remessa Conforme (II zero até US$ 50): Sim, em plataformas certificadas
    • Limite que pesa: Finalidade: só uso próprio
    • Tributos na importação: II e ICMS (na remessa)

    MEI

    • Pode importar para revender? Sim
    • Remessa (Correios ou courier): Sim, até US$ 3.000 por remessa e US$ 150.000 por ano, com fatura em nome do CNPJ
    • Importação formal (Duimp): Sim, com habilitação no Radar Siscomex
    • Remessa Conforme (II zero até US$ 50): Não (PJ paga 60% no regime simplificado)
    • Limite que pesa: Faturamento do MEI: até R$ 81.000 no ano
    • Tributos na importação: II, IPI, PIS/Cofins-Importação e ICMS pagos à parte, fora do DAS

    CNPJ (ME, EPP ou demais empresas)

    • Pode importar para revender? Sim
    • Remessa (Correios ou courier): Sim, nos mesmos limites
    • Importação formal (Duimp): Sim, com habilitação no Radar Siscomex
    • Remessa Conforme (II zero até US$ 50): Não
    • Limite que pesa: Modalidade do Radar (limitada ou ilimitada)
    • Tributos na importação: Conforme o regime tributário da empresa

    Fontes: Receita Federal (Manual de Habilitação e Manual de Encomendas Internacionais) e Lei Complementar nº 123/2006, art. 13, § 1º, e art. 18-A, § 1º (acesso em 11/10/2026).

    Importar com CPF

    O CPF serve para compras pessoais em sites e marketplaces internacionais. Nessas compras, a Receita aplica o Regime de Tributação Simplificada (veja a próxima seção). Se a ideia é revender, o CPF não é o caminho: a Receita pode presumir finalidade comercial pela quantidade, pela frequência ou pela variedade das encomendas.

    Importar como MEI

    O MEI tem CNPJ e, por isso, pode importar mercadoria para revenda, por remessa expressa ou pela importação formal com Radar. Dois cuidados:

    • Limite de faturamento: o MEI é quem teve receita bruta de até R$ 81.000 no ano-calendário anterior (LC 123/2006, art. 18-A, § 1º). Um negócio de importação que dá certo costuma passar desse teto rapidamente; planeje a migração para ME com o seu contador.
    • Os tributos da importação não entram no DAS: a LC 123/2006 (art. 13, § 1º) manda observar a legislação aplicável às demais empresas para o Imposto de Importação, para o PIS/Cofins e o IPI incidentes na importação e para o ICMS no desembaraço aduaneiro. Ou seja: o MEI paga esses tributos na importação como qualquer empresa.

    Importar com CNPJ (ME, EPP e demais empresas)

    É o caminho de quem quer escala e previsibilidade. A empresa se habilita no Radar Siscomex e pode importar pela via formal, com despachante, ou usar a remessa expressa nos pedidos menores. O regime tributário (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real) muda o custo efetivo, porque, em alguns regimes, parte dos tributos pagos na importação gera crédito. Confirme com o seu contador antes da primeira operação.

    Gustavo Frajo importa direto de fábricas chinesas há cerca de 3 anos, sempre com CNPJ e documentação fiscal brasileira: sem nota fiscal de entrada, não há como vender com regularidade nos canais formais.

    Remessa ou importação formal: qual caminho escolher

    Fluxograma para escolher entre remessa e importação formal conforme a finalidade e o volume da compra
    Comece pela finalidade: uso próprio ou revenda.

    Existem dois “trilhos” para trazer mercadoria da China:

    • Remessa (encomenda internacional): a mercadoria vem pelos Correios ou por uma empresa de courier, que registra a Declaração de Importação de Remessa (DIR). Até US$ 3.000 por remessa, a tributação é, por padrão, a do Regime de Tributação Simplificada (RTS).
    • Importação formal (comum): a mercadoria vem como carga (marítima ou aérea), a declaração de importação é registrada (em geral, por um despachante), e os tributos são calculados pela classificação fiscal (NCM) do produto.
    Remessa (RTS)Importação formal
    Limite de valorAté US$ 3.000 por remessa (soma de produto, frete e seguro)Sem limite por operação; para empresas na modalidade limitada do Radar, até US$ 50.000 ou US$ 150.000 por semestre
    Quem usaPessoa física (uso próprio) e empresasEmpresas habilitadas no Radar; pessoa física só para uso próprio
    Para revenderSó com CNPJ: fatura e conhecimento de carga em nome da empresa, até US$ 150.000 por anoSim
    TributosII de 60% (PF em site do Remessa Conforme: 0% até US$ 50; acima, 60% com desconto de US$ 30) + ICMS de 17% a 20%II e IPI pelo NCM, PIS/Cofins-Importação, AFRMM (marítimo), taxa Siscomex e ICMS do estado
    Produto com licença de importaçãoNão pode, na remessa de empresa com fim comercialSim, com o licenciamento exigido
    DespachanteNão precisa: o courier ou os Correios registram a declaraçãoNão é obrigatório por lei (Decreto nº 6.759/2009, art. 809); na prática, quem está começando costuma contratar
    Indicado paraCompras pessoais, amostras e testes pequenosLotes de revenda, frete marítimo e operação recorrente

    Fontes: Receita Federal, Manual de Encomendas Internacionais (tributação; perguntas 10.3 e 12.4), Manual de Habilitação e IN RFB nº 1.984/2020, art. 17 (acesso em 11/10/2026).

    O que mudou nas remessas em 2026

    Segundo a Receita Federal, nas declarações de remessa registradas desde 12/05/2026 (MP nº 1.357/2026, convertida na Lei nº 15.502/2026, e Portaria MF nº 1.342/2026), as compras de pessoa física em sites certificados no Programa Remessa Conforme pagam II de 0% até US$ 50. Acima de US$ 50 e até US$ 3.000, o II é de 60%, com desconto de US$ 30 sobre o imposto. Entre 01/08/2024 e 11/05/2026, a alíquota até US$ 50 era de 20%, e o desconto, de US$ 20.

    Fora do Remessa Conforme, ou quando o destinatário é pessoa jurídica, o II é de 60% sobre o valor da compra, sem desconto. Em todos os casos, o estado cobra ICMS, de 17% a 20% conforme a UF, calculado “por dentro”.

    Na prática: o benefício do Remessa Conforme é para o consumidor. Para quem revende, a remessa só é usada em pedidos pequenos, para testar produtos ou para trazer amostras.

    Duimp: a declaração da importação formal

    A importação formal está migrando da antiga DI (Declaração de Importação) para a Duimp (Declaração Única de Importação), no Portal Único Siscomex. A troca é feita por etapas, conforme a Portaria Coana nº 165/2024 e o cronograma de desligamento da DI publicado pelo Siscomex (atualizado em 02/10/2026). Para muitas operações a Duimp já é obrigatória, e registrar DI quando a Duimp é exigida leva ao cancelamento da DI. Quem registra é, em geral, o despachante, mas o importador deve confirmar com ele qual declaração vale para a sua operação: o Siscomex tem um simulador oficial do desligamento.

    Passo a passo para importar da China

    Infográfico com as 12 etapas para importar da China, da escolha do produto à nota fiscal de entrada
    As 12 etapas, agrupadas em quatro fases.

    O roteiro abaixo é para quem vai importar para revender, com CNPJ. Quem compra para uso próprio pode pular os passos 2 e 3.

    1. Defina o produto e confirme a demanda. Propósito: não comprar no escuro. Cuidados: olhe volume de busca, vendas e preços nos marketplaces e calcule o preço de venda já descontando tarifas, frete ao cliente e impostos sobre a venda.

    2. Abra ou ajuste o CNPJ. Propósito: poder importar para revenda. Cuidados: confira com o contador se as atividades (CNAE) e o regime tributário servem para comércio de mercadoria importada e se o limite do MEI comporta o seu plano.

    3. Habilite a empresa no Radar Siscomex. Propósito: operar a importação formal. Cuidados: o pedido é feito no sistema Habilita, no Portal Único Siscomex. O sistema estima a capacidade financeira da empresa e define a modalidade: limitada (até US$ 50.000 ou US$ 150.000 de importações por semestre) ou ilimitada. Faça a habilitação com antecedência; se o limite não comportar a operação, existe a revisão de estimativa.

    4. Classifique o produto (NCM) e verifique as exigências. Propósito: saber quanto de tributo o produto paga e se precisa de licença, certificação ou anuência (Inmetro, Anatel, Anvisa e outros) ou se tem direito antidumping. Cuidados: o NCM é responsabilidade do importador; erros geram multa e diferença de tributos. Confirme com o despachante e consulte o tratamento administrativo no Portal Único Siscomex.

    5. Simule o custo nacionalizado. Propósito: saber se a operação fecha antes de gastar. Cuidados: use a simulação abaixo como modelo e piore as premissas (câmbio, frete) para ver se ainda sobra margem.

    6. Encontre e compare fornecedores. Propósito: achar fábricas que entregam a especificação. Cuidados: mande a mesma especificação a vários fabricantes e compare o custo final, não só o preço. O processo completo está em Como encontrar fornecedor na China.

    7. Verifique o fornecedor e avalie amostras. Propósito: confirmar que a empresa existe, é quem diz ser e produz com a qualidade esperada. Cuidados: conferir o registro da empresa no sistema oficial chinês (gsxt.gov.cn), investigar nomes diferentes entre licença, fatura e conta bancária e pedir amostra quando houver dúvida de qualidade.

    8. Negocie e formalize na fatura proforma. Propósito: registrar preço, especificação, embalagem, prazo, Incoterm (FOB, EXW etc.) e forma de pagamento. Cuidados: acordo sem detalhe técnico impede reclamar depois.

    9. Pague com proteção. Propósito: reduzir o risco de perder o dinheiro. Cuidados: use meios protegidos, como o Trade Assurance em pedidos feitos e pagos pelo Alibaba.com, e pague só a beneficiário confirmado.

    10. Contrate o transporte. Propósito: trazer a carga no custo e no prazo certos. Cuidados: o agente de carga cota o frete com as dimensões, o peso e a cubagem das caixas. Gustavo Frajo prefere o marítimo pelo custo e usa o aéreo principalmente para testes, mas a escolha depende de volume, peso, prazo e urgência de cada operação.

    11. Desembaraço aduaneiro. Propósito: registrar a declaração (Duimp), pagar os tributos e liberar a mercadoria. Cuidados: fatura comercial, packing list e conhecimento de embarque precisam ser coerentes entre si; demora na liberação gera armazenagem.

    12. Receba, emita a nota fiscal de entrada e venda. Propósito: vender com regularidade. Cuidados: confira quantidades e avarias na chegada e registre reclamações ao fornecedor rapidamente.

    Quanto custa importar da China

    O preço de fábrica é só o começo. Na importação formal, o custo da mercadoria no seu estoque soma:

    1. Mercadoria (no Incoterm combinado), frete internacional e seguro: juntos formam o valor aduaneiro;
    2. Imposto de Importação (II), sobre o valor aduaneiro, com a alíquota do NCM na TEC;
    3. IPI, sobre o valor aduaneiro mais o II, com a alíquota do NCM na TIPI;
    4. PIS-Importação (2,1%) e Cofins-Importação (9,65%), sobre o valor aduaneiro, nas alíquotas gerais da Lei nº 10.865/2004 (alguns NCMs têm adicional de Cofins);
    5. AFRMM: 8% sobre o frete marítimo de longo curso (Lei nº 10.893/2004);
    6. Taxa Siscomex: R$ 115,67 por declaração (DI ou Duimp) + R$ 38,56 por adição até a 2ª, com valores menores a partir da 3ª (IN RFB nº 2.024/2021);
    7. ICMS do estado, calculado “por dentro” (o próprio imposto entra na base);
    8. Despachante, armazenagem, capatazia e frete nacional.

    Na remessa (RTS), a conta é mais curta: II de 60% (para empresas, sem desconto) e ICMS de 17% a 20%, sem despachante.

    Simulação HIPOTÉTICA: importação formal × remessa expressa

    Atenção: simulação hipotética, com números fictícios, sem relação com nenhuma operação real e sem um produto específico. Serve só para mostrar como os tributos se acumulam e como comparar os dois caminhos. Os seus custos dependem do NCM, do frete, do câmbio, do estado e do regime tributário da empresa.

    Premissas

    Compra e câmbio

    • Produto genérico, sem NCM específico; 500 unidades a US$ 4,00 FOB = US$ 2.000;
    • Câmbio de R$ 5,50 por US$, o mesmo para todos os itens.

    Cenário A: importação formal (CNPJ habilitado, Duimp)

    • Frete marítimo (LCL) de US$ 600 e seguro de US$ 20 (valores hipotéticos);
    • Premissas hipotéticas do NCM: II de 18% e IPI de 0%. No seu produto, consulte a TEC e a TIPI pelo NCM;
    • PIS-Importação de 2,1% e Cofins-Importação de 9,65% (alíquotas gerais, sem adicional);
    • AFRMM de 8% sobre o frete marítimo; taxa Siscomex de 1 declaração com 1 adição;
    • Importador em São Paulo, com ICMS de 18% (alíquota interna geral: Lei SP nº 6.374/1989, art. 34, I; RICMS/SP, art. 52, I), por dentro. Produtos com alíquota específica, isenção, redução de base ou substituição tributária mudam a conta;
    • Base do ICMS conforme o RICMS/SP (art. 37, IV e § 6º) e a Decisão Normativa CAT nº 6/2015: despachante, armazenagem e frete nacional ficam fora da base;
    • Despesas no Brasil (valores hipotéticos, escolhidos só para o exemplo; não são referência de mercado): despachante R$ 1.500, armazenagem R$ 900 e frete nacional R$ 500. Honorários e armazenagem variam conforme o prestador, o terminal, o tipo de carga e o tempo parado: peça cotações reais;
    • Sem antidumping, sem benefício fiscal e sem créditos tributários considerados.

    Cenário B: a mesma compra por remessa expressa (RTS), em nome do CNPJ

    • Frete de courier de US$ 400 (valor hipotético), sem seguro; valor aduaneiro de US$ 2.400, dentro do limite de US$ 3.000;
    • II de 60% sem desconto (destinatário pessoa jurídica);
    • ICMS de 17% por dentro, a alíquota usada pela calculadora da Receita Federal (o seu estado pode cobrar até 20%);
    • Sem despachante, armazenagem e frete nacional considerados.

    Arredondamento: cada valor arredondado em centavos.

    Cenário A: importação formal

    ItemCálculoValor (R$)
    Valor aduaneiro (FOB + frete + seguro)US$ 2.620 × 5,5014.410,00
    II (18%, premissa)14.410,00 × 18%2.593,80
    IPI (0%, premissa)(14.410,00 + 2.593,80) × 0%0,00
    PIS-Importação (2,1%)14.410,00 × 2,1%302,61
    Cofins-Importação (9,65%)14.410,00 × 9,65%1.390,57
    AFRMM (8% do frete)US$ 600 × 5,50 × 8%264,00
    Taxa Siscomex115,67 + 38,56154,23
    Soma antes do ICMSsoma das linhas acima19.115,21
    Base do ICMS (por dentro)19.115,21 ÷ (1 − 0,18)23.311,23
    ICMS (18%)23.311,23 × 18%4.196,02
    Despachante + armazenagem + frete nacional (valores hipotéticos; fora da base do ICMS)1.500 + 900 + 5002.900,00
    Custo total nacionalizado19.115,21 + 4.196,02 + 2.900,0026.211,23
    Custo por unidade26.211,23 ÷ 500≈ 52,42

    Cenário B: remessa expressa (RTS)

    ItemCálculoValor (R$)
    Valor aduaneiro (FOB + frete)US$ 2.400 × 5,5013.200,00
    II (60%, sem desconto)13.200,00 × 60%7.920,00
    Base do ICMS (por dentro)(13.200,00 + 7.920,00) ÷ (1 − 0,17)25.445,78
    ICMS (17%)25.445,78 × 17%4.325,78
    Custo total13.200,00 + 7.920,00 + 4.325,7825.445,78
    Custo por unidade25.445,78 ÷ 500≈ 50,89

    O que a simulação mostra

    Gráfico mostrando como tributos e despesas elevam o custo de US$ 4,00 para cerca de R$ 52,42 por unidade
    Simulação hipotética: importador em SP, câmbio de R$ 5,50.
    • Um item de US$ 4,00 (R$ 22,00 no câmbio hipotético) chega ao estoque por cerca de R$ 52,42 na importação formal: mais que o dobro do preço de fábrica convertido.
    • Neste exemplo, a remessa ficou parecida com a importação formal, porque o II de 60% compensou a ausência de PIS, Cofins, AFRMM, taxa Siscomex e despachante. Isso não é regra: se o NCM do seu produto tiver II menor, ou se o volume crescer (o frete marítimo por unidade cai), a importação formal tende a ganhar com folga. Se o II do NCM for alto, a diferença diminui.
    • A remessa tem limites que a importação formal não tem: US$ 3.000 por remessa, US$ 150.000 por ano para empresas e nenhum produto sujeito a licença de importação.
    • Empresas no regime não cumulativo podem ter créditos de PIS, Cofins e ICMS na importação formal, o que reduz o custo efetivo do Cenário A. Confirme com o seu contador.
    • Colocar a armazenagem na base do ICMS por engano, no Cenário A, aumentaria o ICMS em R$ 197,56. Em São Paulo, ela fica fora da base; em outros estados, confirme a regra local.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    Reforma tributária

    Segundo a Receita Federal, 2026 é ano de teste da CBS e do IBS. A partir de 2027, o PIS e a Cofins dão lugar à CBS e o IPI vai a zero para quase todos os produtos (exceto os da Zona Franca de Manaus); o ICMS é extinto em 2033, depois de uma transição entre 2029 e 2032. Para mercadorias que vão desembaraçar a partir de 2027, refaça a conta com o seu contador.

    Riscos de importar da China (e como reduzir cada um)

    RiscoO que pode acontecerComo reduzir
    Importar para revender com CPFRetenção, cobrança e perda da mercadoria se a Receita presumir finalidade comercialRevender só com CNPJ
    NCM erradoMulta, diferença de tributos e exigências no desembaraçoClassificar com o despachante antes de fechar o pedido
    Produto com licença ou certificaçãoCarga retida até a anuência; produto que não pode ser vendidoConsultar o tratamento administrativo no Portal Único e os órgãos anuentes (Inmetro, Anatel, Anvisa)
    AntidumpingCusto bem maior que o simuladoConsultar as medidas em vigor no MDIC pelo NCM e pela origem
    Golpe ou fornecedor que não entregaPerda do pagamentoVerificar a empresa, conferir o beneficiário e pagar por meio protegido
    Qualidade diferente da amostraDevoluções, avaliações ruins, estoque paradoEspecificação na proforma, amostra e acompanhamento da produção
    Custo subestimadoMargem que some na chegadaSimular o custo nacionalizado com folga no câmbio e no frete
    Limite do Radar ou do MEIOperação travada ou desenquadramentoPlanejar o volume do semestre e acompanhar o faturamento com o contador
    Produto com marca de terceirosRetenção e perdimento por contrafaçãoNão importar réplicas nem produtos com marca sem autorização

    Como decidir o seu caminho

    • Vai usar o produto? CPF e remessa. Prefira plataformas do Remessa Conforme e confira a calculadora da Receita.
    • Vai revender e quer só testar? CNPJ (MEI serve) e remessa expressa em pedidos pequenos, com a fatura em nome da empresa.
    • Vai revender com recorrência, com volume ou frete marítimo? CNPJ habilitado no Radar e importação formal, com despachante e agente de carga.
    • A margem só fecha no cenário otimista? Não importe ainda: revise o produto, o fornecedor ou o preço de venda.

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.

    Checklist antes da primeira importação

    • ☐ Finalidade definida (uso próprio ou revenda)
    • ☐ CNPJ ativo, com atividade e regime tributário confirmados pelo contador (se for revender)
    • ☐ Limite do MEI conferido (R$ 81.000 por ano), se for MEI
    • ☐ Empresa habilitada no Radar Siscomex, com modalidade compatível com o volume do semestre (importação formal)
    • ☐ NCM confirmado com o despachante
    • ☐ Licenças, certificações e antidumping verificados
    • ☐ Caminho escolhido: remessa (até US$ 3.000) ou importação formal
    • ☐ Custo nacionalizado simulado, com folga no câmbio e no frete
    • ☐ Fornecedor verificado e amostra aprovada (quando necessário)
    • ☐ Proforma com especificação, embalagem, prazo, Incoterm e pagamento
    • ☐ Pagamento por meio protegido, a beneficiário confirmado
    • ☐ Agente de carga e despachante cotados
    • ☐ Documentos coerentes (fatura, packing list, conhecimento de embarque)
    • ☐ Nota fiscal de entrada prevista para a chegada

    Perguntas frequentes

    Posso importar da China com CPF para revender?

    Não. A Receita Federal não permite que a pessoa física importe bens que, pela quantidade, pela frequência, pela natureza ou pela variedade, permitam presumir finalidade comercial. Para revender, importe com CNPJ.

    MEI pode importar da China?

    Pode, porque tem CNPJ: por remessa expressa (fatura em nome da empresa) ou pela importação formal, com habilitação no Radar Siscomex. Os tributos da importação são pagos à parte, fora do DAS, e o faturamento precisa caber no limite de R$ 81.000 por ano.

    Quanto paga de imposto para importar da China em 2026?

    Depende do caminho. Na remessa, o II é de 60% (pessoa física em site do Remessa Conforme: 0% até US$ 50; acima disso, 60% com desconto de US$ 30), mais ICMS de 17% a 20%. Na importação formal, o II e o IPI dependem do NCM, e somam-se PIS/Cofins-Importação, AFRMM, taxa Siscomex e ICMS.

    O que é o Radar Siscomex?

    É a habilitação da empresa na Receita Federal para operar no comércio exterior. A modalidade (limitada ou ilimitada) depende da capacidade financeira estimada e define quanto a empresa pode importar por semestre.

    Preciso de despachante aduaneiro?

    Pela lei, não é obrigatório. Pelo art. 809 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), a empresa pode ser representada no despacho por um dirigente ou empregado com vínculo empregatício exclusivo e procuração com plenos poderes, e a pessoa física pode atuar em nome próprio; o despachante pode representar em qualquer caso. Na remessa, os Correios ou o courier registram a declaração. Na importação formal, quem está começando costuma contratar um despachante, porque registrar a Duimp, acompanhar a classificação fiscal e responder a exigências no desembaraço exige conhecimento técnico.

    O que é a Duimp?

    É a Declaração Única de Importação, no Portal Único Siscomex, que está substituindo a antiga DI por etapas. O cronograma oficial e o simulador do Siscomex mostram se a sua operação já exige Duimp.

    Vale a pena importar da China?

    Depende da conta completa de cada produto. Na experiência de Gustavo Frajo, em alguns produtos a margem passou de 40% importando direto da fábrica (antes de despesas fixas e publicidade), contra no máximo cerca de 15% comprando no Brasil. Mas isso só aparece quando o custo nacionalizado é simulado antes da compra.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo importa direto da China há cerca de 3 anos e compartilha conteúdo sobre importação no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    Todas acessadas em 11/10/2026.

    • Receita Federal — Manual de Habilitação no Siscomex: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/habilitacao
    • Receita Federal — Habilitação de pessoa física (em geral): https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/habilitacao/pessoas/pessoa-fisica-em-geral
    • Receita Federal — Modalidades limitada e ilimitada: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/habilitacao/Pessoa-Juridica/Submodalidade-Limitada-e-Ilimitada/modalidades-limitada-e-ilimitada-orientacoes-validas-a-partir-do-dia-01-12-2020-inicio-da-vigencia-da-in-rfb-no1984-2020
    • Receita Federal — Encomendas internacionais: tributação: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/topicos/tributacao
    • Receita Federal — Encomendas internacionais: novas regras (desde 12/05/2026): https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/regras-futuras/regras-futuras
    • Planalto — Lei nº 15.502/2026 (conversão da MP nº 1.357/2026): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/L15502.htm
    • Receita Federal — Encomendas internacionais: perguntas e respostas: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/topicos/Perguntas_e_Respostas
    • Receita Federal — Quanto vou pagar de impostos? (calculadora): https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/remessas-postal-e-expressa/preciso-pagar-impostos-nas-compras-internacionais/quanto-pagarei-de-imposto
    • Receita Federal — Migração da DI para Duimp: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/despacho-de-importacao/sistemas/duimp/migracao-da-di-para-duimp
    • Siscomex — Cronograma de desligamento da DI: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/programa-portal-unico/cronograma-de-desligamento-di
    • Planalto — Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), art. 809 (consulta em 12/10/2026): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6759.htm
    • Planalto — Lei Complementar nº 123/2006 (MEI e Simples Nacional): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm
    • Planalto — Lei nº 10.865/2004 (PIS/Cofins-Importação): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.865.htm
    • Planalto — Lei nº 10.893/2004 (AFRMM): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.893compilado.htm
    • DOU — IN RFB nº 2.024/2021 (taxa Siscomex): https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-rfb-n-2.024-de-28-de-abril-de-2021-317065137
    • MDIC/Camex — Tarifas vigentes (TEC): https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/camex/se-camex/strat/tarifas/vigentes
    • Receita Federal — TIPI: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/tipi-tabela-de-incidencia-do-imposto-sobre-produtos-industrializados
    • Receita Federal — Reforma Tributária do Consumo: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas-e-atividades/reforma-tributaria-do-consumo/entenda
    • Sefaz-SP — Lei nº 6.374/1989, art. 34: https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/lei034.aspx
    • Sefaz-SP — RICMS/2000, art. 37: https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/art037.aspx
    • Sefaz-SP — Decisão Normativa CAT nº 6/2015: https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/denorm062015.aspx
    • Portal Único Siscomex: https://portalunico.siscomex.gov.br
  • Como importar produtos esportivos da China: guia completo do segmento

    Como importar produtos esportivos da China: guia completo do segmento

    Resposta direta: importar produtos esportivos da China exige quatro decisões antes de falar com qualquer fábrica: o NCM correto (que define os tributos), a checagem de medidas especiais (como o antidumping de calçados), as exigências de certificação no Brasil e o custo logístico (muitos itens são volumosos ou pesados). Com isso definido, a busca de fornecedores pode começar pelo Alibaba.com, e a importação formal exige CNPJ habilitado no Radar Siscomex.

    O segmento esportivo na China

    Ilustração genérica com ícones de bola, calçado, camiseta e haltere, sem marcas
    Bolas, calçados, roupas e equipamentos: a China tem fábricas especializadas em cada categoria.

    A China concentra a fabricação de boa parte dos artigos esportivos vendidos no mundo, com polos industriais especializados. Conhecer esses polos ajuda a filtrar a busca por localização.

    PoloProvínciaEspecialidadeReferência oficial
    Ningjin (Dezhou)ShandongEquipamentos de academia de uso comercialAdministração Geral do Esporte da China; China Daily (2025)
    Tong’an (Xiamen)FujianEquipamentos fitness, incluindo esteirasGoverno municipal de Xiamen (2024)
    JinjiangFujianCalçados e roupas esportivasXinhua (2024); People’s Daily (2025)

    Segundo o governo de Xiamen, o polo da cidade é a maior base de fabricação e exportação de equipamentos fitness da Ásia. A imprensa oficial chinesa descreve Jinjiang como uma das principais capitais mundiais do calçado esportivo.

    Não é preciso viajar até os polos para comprar: muitas fábricas dessas regiões estão nas plataformas B2B, e a cidade aparece no perfil do fornecedor.

    Como escolher fábricas no segmento esportivo

    Fluxo em três etapas para escolher uma fábrica: pesquisa, comparação e verificação
    Três filtros antes de pedir amostra.

    Pesquisa

    Comece pela especificação do produto, não pelo fornecedor: material, medidas, tolerâncias, acabamento, embalagem e normas que o produto precisa atender no Brasil. Com isso em mãos, procure fabricantes em plataformas B2B como o Alibaba.com, filtrando por tipo de empresa (fabricante) e pela cidade do polo correspondente. Feiras setoriais e a Canton Fair são alternativas para quem pode viajar.

    Comparação

    Peça cotação a vários fabricantes com a mesma especificação, para que os preços sejam comparáveis. Compare preço, o que está incluído (Incoterm, embalagem, personalização), pedido mínimo, prazo de produção, capacidade, histórico e avaliações.

    Verificação

    • Registro da empresa: confira a licença comercial no sistema oficial chinês (gsxt.gov.cn) e o escopo de atividade.
    • Selos das plataformas: selos como o Verified Supplier do Alibaba indicam verificação por terceiros, mas não garantem a qualidade de cada lote.
    • Evidências de produção: fotos e vídeos da linha, relatórios de testes de laboratório reconhecido e certificações compatíveis com o mercado brasileiro.
    • Identidade das empresas: se os nomes na licença, na fatura e na conta bancária forem diferentes, investigue e confirme antes de pagar.

    O que avaliar numa fábrica de artigos esportivos

    • Materiais e resistência: muitos artigos esportivos sofrem impacto, tração ou desgaste repetido. Peça a especificação dos materiais e, quando fizer sentido, testes de resistência.
    • Consistência entre lotes: pergunte como a fábrica controla a qualidade na produção (inspeção de matéria-prima, inspeção durante e no fim da produção).
    • Capacidade de cumprir normas brasileiras: se o produto for regulamentado pelo Inmetro ou exigir homologação da Anatel, a fábrica precisa fornecer os ensaios e a documentação exigidos.
    • Embalagem para exportação: itens volumosos ou frágeis precisam de embalagem que resista ao transporte e de dimensões que otimizem a cubagem.
    • Comunicação: respostas completas, conhecimento técnico e transparência são sinais importantes de um fornecedor confiável.

    Por que não escolher só pelo preço

    O preço de fábrica é só uma parte do custo final (veja a simulação abaixo). Um produto mais barato com defeitos gera trocas, devoluções, avaliações negativas e perda de reputação nos marketplaces. Preço muito abaixo do mercado pede investigação: compare especificações, peça evidências e avalie amostras.

    O processo completo de verificação de fornecedores está em Como encontrar fornecedor na China.

    Categorias, NCM e tributos (conferidos em outubro de 2026)

    Quadro com NCM, imposto de importação, IPI e Cofins por categoria de produto esportivo
    Alíquotas conferidas em outubro de 2026; confirme o NCM com o despachante.

    Os valores abaixo vêm das tabelas oficiais: TEC (MDIC/Camex, alíquota aplicada no Brasil) e TIPI (Receita Federal). O NCM exato depende do produto e deve ser confirmado com o despachante.

    CategoriaNCM de referênciaIIIPICofins-Importação em 2026
    Artigos e equipamentos para cultura física, ginástica ou atletismo9506.91.0018%13%9,65% + 0,6 p.p. (adicional)
    Bolas infláveis9506.62.0018%0%9,65%
    Calçado para esporte (cabedal têxtil)6404.11.0035%0%9,65% + 0,6 p.p. (adicional)
    Vestuário feminino de fibras sintéticas (ex.: roupa esportiva)6211.43.0035%0%9,65% + 0,6 p.p. (adicional)

    O adicional de Cofins-Importação está no art. 8º, §§ 21 e 21-A, da Lei nº 10.865/2004: para os códigos listados (entre eles os capítulos 61 a 63, as posições 64.01 a 64.06 e o código 9506.91.00), o acréscimo é de 0,6 ponto percentual em 2026 e de 0,4 em 2027. Esse adicional não gera crédito de Cofins.

    Equipamentos de academia e fitness

    • O NCM 9506.91.00 cobre artigos e equipamentos para cultura física, ginástica ou atletismo.
    • São itens volumosos e pesados: frete e cubagem pesam muito no custo final. Calcule a logística antes de comparar preços de fábrica.
    • Equipamentos com motor, eletrônica ou conexão sem fio podem ter outro NCM e outras exigências. Antes de importar, verifique com o despachante a classificação e consulte o Inmetro (avaliação da conformidade) e a Anatel (produtos com radiofrequência, como Bluetooth e Wi-Fi, precisam de homologação).

    Bolas

    • Bolas infláveis: NCM 9506.62.00. No Brasil, a alíquota aplicada de II é de 18% (abaixo dos 20% da TEC).

    Calçados esportivos

    • NCM 6404.11.00 (calçado para esporte com parte superior têxtil): II de 35% e IPI de 0%.
    • Antidumping: calçados das posições 6402 a 6405 originários da China (com algumas exceções de código) pagam direito antidumping de US$ 10,22 por par, salvo fabricantes listados com direito zero. A medida foi prorrogada pela Resolução Gecex nº 303/2022 e vale até 25/02/2027, segundo o MDIC. Isso muda completamente a conta.

    Roupas esportivas

    • O NCM depende do tecido, da construção (malha ou tecido plano) e do tipo de peça. Exemplo: 6211.43.00 (vestuário feminino de fibras sintéticas) tem II de 35% e IPI de 0%.
    • Réplicas de marcas são falsificação: geram apreensão e problemas nos marketplaces.

    Regulamentação e documentação

    • Classificação fiscal (NCM): define o II, o IPI, eventuais adicionais e medidas como o antidumping. A classificação é responsabilidade do importador; erros geram multa e diferença de tributos. A Receita Federal oferece o sistema Classif para consulta da nomenclatura e o processo de consulta formal sobre classificação.
    • Habilitação no Radar Siscomex: a empresa precisa estar habilitada na Receita Federal para operar no comércio exterior. A modalidade de habilitação define limites de operação.
    • Tratamento administrativo: alguns produtos exigem licença ou anuência de órgãos como Inmetro ou Anatel antes do embarque ou do registro da declaração. Isso é verificado pelo NCM no Portal Único Siscomex.
    • Certificações: produtos regulamentados pelo Inmetro precisam de avaliação da conformidade; produtos com radiofrequência (Bluetooth, Wi-Fi) precisam de homologação da Anatel.
    • Defesa comercial: verifique no MDIC se o produto e a origem têm direito antidumping (caso dos calçados chineses).
    • Documentos da operação: fatura comercial (commercial invoice), romaneio de carga (packing list), conhecimento de embarque (marítimo ou aéreo), certificado de origem quando aplicável, declaração de importação registrada pelo despachante e nota fiscal de entrada emitida pelo importador.
    • Propriedade intelectual: produto com marca de terceiros sem autorização é contrafação, sujeita a retenção e perdimento.

    Logística por categoria

    Quadro com o que mais pesa no frete de bolas, calçados, roupas e equipamentos
    No segmento esportivo, o frete pode pesar mais que o tributo.

    No segmento esportivo, o frete pode pesar mais que o tributo. Antes de comparar fornecedores, entenda três conceitos:

    • Peso bruto: peso da caixa com o produto e a embalagem.
    • Cubagem (CBM): volume da caixa em metros cúbicos (comprimento × largura × altura, em metros). Uma caixa de 60 × 40 × 40 cm tem 0,096 m³.
    • Peso cubado: no aéreo, o volume é convertido em peso, e paga-se o maior entre o peso real e o cubado. A conversão usual é dividir o volume em cm³ por 6.000 (a mesma caixa de 60 × 40 × 40 cm equivale a 16 kg). No marítimo fracionado (LCL), o frete costuma ser cobrado por metro cúbico ou por tonelada, o que for maior. Confirme o critério com o seu agente de carga.
    CategoriaO que mais pesa no freteModal mais comumCuidados
    BolasVolume (cheias ocupam muito espaço); costumam viajar vaziasMarítimo; aéreo para amostras e testesConfirmar se vêm vazias ou cheias, a embalagem individual e a quantidade por caixa
    CalçadosVolume das caixas individuaisMarítimoCaixa individual aumenta a cubagem; somar o antidumping por par ao custo
    RoupasPeso e volume baixos por peçaMarítimo; aéreo é viável em lotes pequenosGrade de tamanhos e cores aumenta a quantidade de itens; confira a etiquetagem
    Equipamentos volumosos (academia, fitness)Peso bruto alto e caixas grandesMarítimo (LCL ou contêiner completo)Embalagem reforçada contra avaria; frete nacional e entrega ao cliente também ficam caros

    Exemplo genérico: 50 caixas de 60 × 40 × 40 cm, com 20 kg cada, somam 4,8 m³ e 1.000 kg. No LCL, se o critério for “o maior entre m³ e tonelada”, a cobrança seria sobre 4,8 unidades. O valor por unidade de frete depende da rota, da época e do agente.

    O que pedir ao fabricante antes de cotar o frete

    Se faltar algum destes dados, o agente de carga pode cotar com estimativas, e a cotação tende a ser imprecisa; a diferença costuma aparecer depois, na cobrança final, e distorce a sua simulação de custo.

    InformaçãoPor que importa
    Dimensões e peso bruto por caixaDefinem cubagem, peso cubado e o custo do frete
    Unidades por caixaPermitem calcular quantas caixas o pedido terá
    CBM total do pedidoMostra se compensa LCL ou contêiner completo
    MOQ (pedido mínimo)Define o capital mínimo e o tamanho do estoque
    Prazo de fabricaçãoEntra no planejamento de capital e de vendas
    Incoterm (ex.: FOB, EXW)Diz até onde vai a responsabilidade e o custo do fornecedor
    Local de embarque (porto ou aeroporto)Muda a rota e o preço do frete
    Tipo de embalagem (individual e caixa master)Afeta a cubagem, a proteção e a apresentação ao cliente
    Especificações técnicas (material, medidas, normas)Necessárias para o NCM, as certificações e a comparação entre fábricas

    Custo total da importação (custo nacionalizado)

    Gráfico de barras com os custos de uma simulação hipotética: valor aduaneiro, tributos e despesas somam R$ 37.448,87
    Simulação hipotética: importador em São Paulo, câmbio de R$ 5,50.

    O preço de fábrica é só o começo. O custo da mercadoria posta no seu estoque inclui:

    1. Mercadoria (valor FOB ou outro Incoterm combinado);
    2. Frete internacional (marítimo ou aéreo) e seguro: com a mercadoria, formam o valor aduaneiro;
    3. Tributos federais: II (sobre o valor aduaneiro), IPI (sobre valor aduaneiro + II), PIS-Importação e Cofins-Importação (sobre o valor aduaneiro), mais o adicional de Cofins quando o NCM estiver na lista;
    4. AFRMM: 8% sobre o frete marítimo de longo curso;
    5. Taxa Siscomex: R$ 115,67 por declaração + valor por adição (R$ 38,56 até a 2ª adição), conforme a Portaria ME nº 4.131/2021 e o art. 13 da IN SRF nº 680/2006, na redação da IN RFB nº 2.024/2021;
    6. ICMS: calculado “por dentro” (o próprio imposto entra na base). Pela Lei Complementar nº 87/1996 (art. 13, V), a base é o valor aduaneiro somado ao II, ao IPI, ao IOF-câmbio e a “quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras”. A alíquota e o detalhe do que é despesa aduaneira vêm da lei do estado do importador (veja a simulação, feita com as regras de São Paulo);
    7. Antidumping, quando houver;
    8. Despachante, armazenagem no porto ou aeroporto, capatazia e frete nacional até o estoque. São custos reais da operação, mas em São Paulo não entram na base do ICMS (Decisão Normativa CAT nº 6/2015, item 3.2). Em outros estados, confirme a regra local.

    Cubagem: no frete marítimo fracionado (LCL) e no aéreo, o preço depende do volume ou do peso cubado, o que for maior. Artigos esportivos volumosos (equipamentos, bolas cheias, tendas, bicicletas) podem pagar mais frete do que o seu peso sugere. Peça à fábrica as medidas e o peso da caixa master antes de comparar preços.

    Simulação HIPOTÉTICA (só para ilustrar o cálculo)

    Atenção: simulação hipotética, com números fictícios, sem relação com nenhuma operação real. Serve apenas para mostrar como os tributos se acumulam. Os seus custos dependem do produto, do frete, do câmbio, do estado e do regime tributário da sua empresa.

    Premissas

    Produto e compra
    – Bolas infláveis, NCM 9506.62.00;
    – 1.000 unidades a US$ 3,00 FOB = US$ 3.000.

    Logística e câmbio
    – Frete marítimo (LCL) de US$ 800 e seguro de US$ 30;
    – Câmbio de R$ 5,50 por US$, o mesmo para todos os itens.

    Tributos e estado
    – Importador estabelecido em São Paulo, com desembaraço e entrada da mercadoria no estado;
    – II de 18% (alíquota aplicada), IPI de 0%, PIS-Importação de 2,1% e Cofins-Importação de 9,65% (este NCM não tem o adicional), todos sobre o valor aduaneiro;
    – AFRMM de 8% sobre o frete marítimo;
    – Taxa Siscomex de 1 declaração com 1 adição;
    – ICMS de 18% (alíquota interna de São Paulo, Lei SP nº 6.374/1989, art. 34, I; RICMS/SP, art. 52, I), calculado por dentro. Conferimos o RICMS/SP: bolas infláveis não estão nas listas de alíquota de 12% ou 25%, nem nas isenções, reduções de base ou substituição tributária;
    – Sem antidumping, sem benefício fiscal estadual e sem créditos tributários considerados.

    Despesas no Brasil (valores fictícios)
    – Despachante R$ 1.500, armazenagem R$ 1.200 e frete nacional R$ 800.

    Arredondamento: cada valor arredondado em centavos.

    Cálculo

    ItemCálculoValor (R$)
    Valor aduaneiro (FOB + frete + seguro)US$ 3.830 × 5,5021.065,00
    II (18%)21.065,00 × 18%3.791,70
    IPI (0%)(21.065,00 + 3.791,70) × 0%0,00
    PIS-Importação (2,1%)21.065,00 × 2,1%442,37
    Cofins-Importação (9,65%)21.065,00 × 9,65%2.032,77
    AFRMM (8% do frete)US$ 800 × 5,50 × 8%352,00
    Taxa Siscomex115,67 + 38,56154,23
    Soma antes do ICMSsoma das linhas acima27.838,07
    Base do ICMS (por dentro)27.838,07 ÷ (1 − 0,18)33.948,87
    ICMS (18%)33.948,87 × 18%6.110,80
    Despachante + armazenagem + frete nacional (fora da base do ICMS)1.500 + 1.200 + 8003.500,00
    Custo total nacionalizado27.838,07 + 6.110,80 + 3.500,0037.448,87
    Custo por unidade37.448,87 ÷ 1.000≈ 37,45

    O que entra e o que não entra na base do ICMS (São Paulo)

    • Entram: o valor aduaneiro (que já inclui frete e seguro internacionais), o II, o IPI, o PIS e a Cofins-Importação, o AFRMM, a taxa Siscomex e outras despesas pagas à repartição alfandegária até o desembaraço, além do próprio ICMS (RICMS/SP, art. 37, IV e § 6º; Decisão Normativa CAT nº 6/2015, itens 1 e 2).
    • Não entram: seguro e frete nacionais, capatazia, armazenagem e remoção, comissão do despachante e corretagem de câmbio (Decisão Normativa CAT nº 6/2015, item 3.2; Resposta à Consulta nº 28.647/2023, sobre capatazia). Esses valores continuam no seu custo, mas não aumentam o ICMS.
    • Colocar a armazenagem na base, por engano, aumentaria o ICMS desta simulação em R$ 263,41. Cada estado tem sua regra: se você importa por outro estado, confirme com o despachante.

    Na simulação, um item de US$ 3,00 (R$ 16,50 no câmbio hipotético) chega ao estoque por cerca de R$ 37,45, mais que o dobro do preço de fábrica convertido. Por isso a comparação entre fornecedores e a decisão de importar devem ser feitas sobre o custo nacionalizado, e não sobre o preço de fábrica. Empresas no regime não cumulativo podem ter créditos de PIS, Cofins e ICMS, o que muda o custo efetivo: confirme com o seu contador.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    Reforma tributária (IBS/CBS)

    Segundo a Receita Federal, 2026 é ano de teste da CBS (0,9%) e do IBS (0,1%), compensados com PIS e Cofins. Em 2027, PIS e Cofins são extintos, a CBS passa a ser cobrada e o IPI vai a zero para quase todos os produtos (exceto itens também industrializados na Zona Franca de Manaus). O ICMS é substituído gradualmente pelo IBS entre 2029 e 2032 e extinto em 2033. Refaça a simulação para desembaraços a partir de 2027.

    Como saber se vale a pena importar um produto esportivo da China?

    Fluxograma com perguntas para decidir se vale importar um produto esportivo
    Se a margem não fecha no papel, não fecha na prática.

    O custo nacionalizado diz quanto o produto custa no seu estoque. Para decidir se vale a pena, compare esse custo com o que sobra de cada venda e com o risco que você assume. Responda a estas perguntas antes de pedir qualquer cotação:

    1. Demanda e concorrência. Existe procura constante, ou só sazonal (início de ano, Copa, verão)? Quantos vendedores já oferecem o mesmo item nos marketplaces e a que preço? Produto muito disputado tende a virar guerra de preço.
    2. Preço de venda realista. Use o preço que os concorrentes praticam hoje, não o preço que você gostaria de cobrar.
    3. Custo nacionalizado. Calcule como na simulação acima, com frete por cubagem e com os tributos do seu estado.
    4. Tarifas do marketplace. Comissão por venda, tarifa fixa e programas de frete variam por plataforma, categoria e anúncio. Consulte a tabela atual de cada uma.
    5. Frete até o cliente. Itens volumosos (equipamentos, tendas, kits) podem ter frete alto ou subsidiado por você.
    6. Impostos sobre a venda. Dependem do regime da empresa (Simples Nacional, lucro presumido ou lucro real). Peça a alíquota efetiva ao seu contador.
    7. Devoluções, defeitos e perdas. Reserve uma parte do preço para trocas, avarias no transporte e unidades com defeito.
    8. Margem de contribuição simplificada. O que sobra depois de todos os itens acima, antes de despesas fixas, publicidade e outros gastos não considerados.
    9. Capital e risco de estoque parado. O dinheiro fica preso do pagamento à fábrica até a venda (produção, transporte, desembaraço e giro). Pergunte quanto tempo você aguenta e o que acontece se o produto vender devagar.

    Exemplo de conta (percentuais fictícios)

    Os percentuais abaixo são inventados para ilustrar a conta. Não são tarifas de nenhum marketplace nem a carga de nenhum regime. Substitua pelos seus.

    ItemPremissa fictíciaValor por unidade (R$)
    Preço de vendadefinido pela concorrência89,90
    Tarifa do marketplace16% do preço− 14,38
    Frete até o cliente pago pelo vendedorvalor fixo− 12,00
    Impostos sobre a venda8% do preço− 7,19
    Reserva para devoluções, defeitos e perdas3% do preço− 2,70
    Custo nacionalizado (da simulação)—− 37,45
    Margem de contribuição simplificada (antes de despesas fixas, publicidade e outros gastos não considerados)16,18 (18,0%)

    Leia o resultado com cuidado: essa margem de contribuição simplificada ainda não paga publicidade, salários, aluguel e sistemas. Se ela fica pequena ou some quando você piora as premissas (câmbio mais alto, frete maior, preço de venda menor), o produto não tem folga para erros.

    Sinais de que não vale a pena (ou de que precisa de mais estudo)

    • a margem só fecha no cenário otimista;
    • o frete até o cliente é grande em relação ao preço;
    • o produto exige certificação que a fábrica não consegue comprovar;
    • o produto pega antidumping (como os calçados) e a conta não foi refeita;
    • o capital fica preso por meses em um item de venda lenta ou sazonal.

    Processo completo, da pesquisa à chegada

    Infográfico com as 12 etapas da importação da China, da pesquisa de mercado à venda
    As 12 etapas, agrupadas em quatro fases.

    1. Pesquisa de mercado. Propósito: confirmar demanda, concorrência e preço de venda. Riscos: escolher pela intuição e ficar com estoque parado. Cuidados: olhar volume de busca, vendas nos marketplaces e preço praticado, já descontando tarifas de venda.

    2. Classificação fiscal e regulamentação. Propósito: saber quanto de tributo o produto paga e se precisa de licença, certificação ou antidumping. Riscos: NCM errado gera multa e diferença de tributos; produto regulamentado sem certificação pode ser retido. Cuidados: confirmar o NCM com o despachante, consultar o tratamento administrativo no Portal Único Siscomex, Inmetro, Anatel e as medidas de defesa comercial do MDIC.

    3. Simulação de custo. Propósito: saber se a operação fecha antes de gastar. Riscos: esquecer frete por cubagem, ICMS por dentro, antidumping ou variação cambial. Cuidados: simular com margem de segurança no câmbio e no frete e comparar com o preço de venda real.

    4. Habilitação no Radar Siscomex. Propósito: permitir que a empresa importe. Riscos: modalidade com limite menor que a operação pretendida. Cuidados: fazer a habilitação com antecedência, com contador ou despachante.

    5. Busca e comparação de fornecedores. Propósito: achar fábricas capazes de entregar a especificação. Riscos: comparar cotações com especificações diferentes. Cuidados: enviar a mesma especificação a vários fabricantes e comparar o custo nacionalizado.

    6. Verificação e amostra. Propósito: confirmar que a empresa existe, é quem diz ser e produz com a qualidade esperada. Riscos: golpes, divergência de identidade, qualidade abaixo da amostra. Cuidados: conferir registro oficial, investigar divergências de nomes, avaliar amostras quando houver dúvida de qualidade.

    7. Negociação e fatura proforma. Propósito: formalizar preço, especificação, embalagem, prazo, Incoterm e pagamento. Riscos: acordo verbal sem detalhe técnico, que impede reclamar depois. Cuidados: PI com especificação completa, tolerâncias, embalagem e regras para defeitos.

    8. Pagamento. Propósito: pagar com o máximo de proteção. Riscos: pagamento a terceiros não verificados ou fora da plataforma. Cuidados: usar meios protegidos (como o Trade Assurance, em pedidos feitos e pagos pelo Alibaba) e pagar só a beneficiário confirmado.

    9. Produção e controle de qualidade. Propósito: garantir que o lote saia conforme o combinado. Riscos: atrasos e variação de qualidade em relação à amostra. Cuidados: acompanhar com fotos e vídeos; avaliar inspeção por empresa terceira em pedidos grandes ou fornecedores novos.

    10. Transporte internacional. Propósito: levar a carga ao Brasil no prazo e custo adequados. Riscos: frete subestimado, avaria, atraso. Cuidados: contratar agente de carga, escolher marítimo ou aéreo conforme volume, peso, cubagem, prazo e custo, e contratar seguro.

    11. Desembaraço aduaneiro. Propósito: registrar a declaração de importação, pagar os tributos e liberar a carga. Riscos: canal de conferência com exigências, documentação inconsistente, custos de armazenagem por demora. Cuidados: documentos coerentes entre si (fatura, packing list, conhecimento de embarque) e despachante acompanhando.

    12. Chegada, nota fiscal e venda. Propósito: receber, conferir e vender com regularidade. Riscos: vender sem nota fiscal de entrada ou sem conferir avarias. Cuidados: emitir a nota fiscal de entrada, conferir quantidades e estado da mercadoria e registrar reclamações ao fornecedor rapidamente.

    Checklist

    • [ ] NCM confirmado com despachante
    • [ ] Antidumping verificado (obrigatório para calçados)
    • [ ] Certificações verificadas no Inmetro/Anatel (itens elétricos ou com conexão sem fio)
    • [ ] Adicional de Cofins considerado (quando o NCM estiver na lista)
    • [ ] CNPJ habilitado no Radar Siscomex
    • [ ] Custo nacionalizado simulado (tributos em cascata, ICMS por dentro, frete por cubagem, despesas no Brasil)
    • [ ] Documentos coerentes (fatura, packing list, conhecimento de embarque)
    • [ ] Produto sem marca de terceiros
    • [ ] Fornecedor avaliado e amostra aprovada (quando necessário)
    • [ ] Dados logísticos pedidos ao fabricante (dimensões, peso bruto, unidades e CBM)
    • [ ] Viabilidade calculada com tarifas, frete ao cliente, impostos sobre a venda e perdas
    • [ ] Agente de carga e despachante cotados

    Perguntas frequentes

    Qual o NCM de equipamentos de ginástica e academia?

    Em geral, 9506.91.00, com II aplicado de 18% e IPI de 13% (TEC e TIPI, outubro de 2026). Itens elétricos podem ter outra classificação.

    Tem antidumping para tênis da China?

    Sim. Calçados das posições 6402 a 6405 originários da China pagam US$ 10,22 por par (exceto fabricantes listados com direito zero), com vigência até 25/02/2027.

    Onde ficam as fábricas de artigos esportivos na China?

    Entre os polos mais conhecidos estão Ningjin (Shandong) e Xiamen (Fujian), para equipamentos fitness, e Jinjiang (Fujian), para calçados e roupas esportivas.

    Bola importada paga IPI?

    Bolas infláveis (NCM 9506.62.00) têm IPI de 0% e II aplicado de 18%.

    Armazenagem entra na base do ICMS da importação?

    Em São Paulo, não: armazenagem, capatazia, comissão do despachante e frete nacional ficam fora da base (Decisão Normativa CAT nº 6/2015). Entram o valor aduaneiro, os tributos federais, o AFRMM, a taxa Siscomex e o próprio ICMS. Em outros estados, confirme a regra local.

    A reforma tributária muda a conta?

    Sim. A partir de 2027 o IPI vai a zero para quase todos os produtos e PIS/Cofins dão lugar à CBS. Refaça a simulação para desembaraços a partir de 2027.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo importa direto da China há cerca de 3 anos e compartilha conteúdo sobre importação no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes

    • MDIC/Camex — Tarifas vigentes, planilha dos Anexos I a X da Resolução Gecex nº 272/2021 (atualizada em 05/10/2026): https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/camex/se-camex/strat/tarifas/vigentes
    • Receita Federal — TIPI (atualizada pelo ADE RFB nº 1/2026): https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/tipi-tabela-de-incidencia-do-imposto-sobre-produtos-industrializados
    • Planalto — Lei nº 10.865/2004 (PIS/Cofins-Importação e adicional de Cofins): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.865.htm
    • Receita Federal — Habilitação no Radar Siscomex: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/habilitacao
    • Receita Federal — Classif (consulta de classificação fiscal): https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/classificacao-fiscal-de-mercadorias
    • Portal Único Siscomex (tratamento administrativo): https://portalunico.siscomex.gov.br
    • Inmetro — avaliação da conformidade: https://www.gov.br/inmetro/pt-br/assuntos/avaliacao-da-conformidade
    • Anatel — certificação e homologação de produtos: https://www.gov.br/anatel/pt-br/regulado/certificacao-de-produtos
    • Planalto — Lei nº 10.893/2004 (AFRMM): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.893compilado.htm
    • MDIC — Antidumping de calçados (China): https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/comercio-exterior/defesa-comercial-e-interesse-publico/medidas-em-vigor/medidas-em-vigor/calcados
    • DOU — Portaria ME nº 4.131/2021 (valores da taxa Siscomex): https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-me-n-4.131-de-14-de-abril-de-2021-314600552
    • DOU — IN RFB nº 2.024/2021 (altera o art. 13 da IN SRF nº 680/2006): https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-rfb-n-2.024-de-28-de-abril-de-2021-317065137
    • Receita Federal — Reforma Tributária do Consumo: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas-e-atividades/reforma-tributaria-do-consumo/entenda
    • Planalto — Lei Complementar nº 87/1996, art. 13, V e § 1º, I (base do ICMS na importação): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp87.htm
    • Sefaz-SP — RICMS/2000, art. 37, IV e § 6º: https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/art037.aspx
    • Sefaz-SP — Decisão Normativa CAT nº 6/2015: https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/denorm062015.aspx
    • Sefaz-SP — Resposta à Consulta Tributária nº 28.647/2023 (capatazia): https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/RC28647_2023.aspx
    • Sefaz-SP — Lei nº 6.374/1989, art. 34 (alíquota interna de 18%): https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/lei034.aspx
    • Sefaz-SP — RICMS/2000, arts. 52 a 56-C (alíquotas): https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/art052.aspx
    • Administração Geral do Esporte da China — polo de Ningjin: https://www.sport.gov.cn/n20001280/n20067608/n20067635/c28738796/content.html
    • China Daily — Ningjin (2025): https://regional.chinadaily.com.cn/shandong/2025-07/31/c_1113586.htm
    • Governo de Xiamen — indústria de equipamentos fitness (2024): http://en.swj.xm.gov.cn/2024-04/18/c_980605.htm
    • Xinhua — Jinjiang (2024): http://english.news.cn/20240824/4687d59db04d450ca0a7ae8ee7844dc1/c.html
    • People’s Daily — Jinjiang/Chendai (2025): https://en.people.cn/n3/2025/0402/c98649-20297240.html
  • Como encontrar fornecedor na China: guia para achar, comparar e negociar direto com a fábrica

    Como encontrar fornecedor na China: guia para achar, comparar e negociar direto com a fábrica

    Resposta direta: para encontrar um bom fornecedor na China, comece pelo Alibaba.com, compare vários fabricantes (eu comparo mais de cinco), use uma combinação de verificações (selos, licença comercial, conversa, fotos e vídeos, amostra quando fizer sentido), negocie e pague pelo Trade Assurance. O melhor fornecedor não é necessariamente o mais barato, e sim o que combina condições competitivas, qualidade, confiabilidade e boa comunicação.

    Eu, Gustavo Frajo, importo direto da China há cerca de 3 anos. Normalmente negocio direto com as fábricas e uso agentes de carga para o transporte, e as minhas compras têm documentação fiscal brasileira. Este guia mostra como eu encontro, comparo e escolho fornecedores.

    Quer acompanhar os bastidores de quem importa na prática? Siga @gusfrajo no Instagram.

    Por que comprar direto da fábrica

    Quando eu comprava de fornecedores no Brasil, a minha margem máxima era de cerca de 15%. Importando, alguns produtos passam de 40% de margem. Esses 40% já descontam mercadoria, frete internacional, desembaraço, transporte até o estoque, impostos e tarifas de marketplace, mas não descontam despesas fixas nem publicidade. Ou seja: não é lucro líquido, e não vale para todo produto.

    Às vezes, o custo final no Brasil ficou em cerca da metade do preço que eu pagaria a um fornecedor nacional. O motivo é simples: cada intermediário (importador, distribuidor, atacadista) coloca a sua margem no preço.

    Comprar direto faz sentido quando você:

    • já sabe o que quer vender e tem uma estimativa realista de custo e margem;
    • tem capital para o pedido mínimo e para os tributos pagos no desembaraço;
    • tem (ou vai ter) CNPJ habilitado no Radar Siscomex para a importação formal.

    Fábrica, agente de carga e despachante: quem faz o quê

    Diagrama com as funções da fábrica, do agente de carga e do despachante na importação
    Cada um cuida de uma parte: a fábrica produz, o agente transporta e o despachante libera a carga.
    QuemO que faz
    Fábrica (fornecedor)Produz, embala e entrega a mercadoria conforme o combinado (Incoterm)
    Agente de cargaOrganiza o transporte internacional (marítimo ou aéreo) e a documentação de embarque
    Despachante aduaneiroCuida do desembaraço no Brasil: classificação fiscal (NCM), registro da declaração de importação e recolhimento dos tributos

    Comprar direto da fábrica não significa fazer tudo sozinho: significa negociar sem intermediários comerciais, e contar com profissionais de logística e de aduana.

    Onde encontrar fornecedor na China

    Ilustração genérica de busca de fornecedores com filtros e duas fábricas fictícias
    Ilustração genérica: os filtros de verificação e de quantidade mínima ajudam a reduzir a lista.

    O Alibaba.com é por onde eu começo. Tem muitas fábricas excelentes, filtros por tipo de empresa, selos de verificação e proteção de pagamento.

    CanalVantagemCuidado
    Alibaba.comGrande oferta de fábricas, selos de verificação, Trade AssuranceLer os selos com atenção e combinar com outras verificações
    Made-in-China.comAlternativa com perfis verificadosMenos variedade em alguns segmentos
    1688.comPreços do mercado interno chinêsEm chinês; normalmente exige alguém na China
    Feiras (ex.: Canton Fair)Ver produto e fornecedor pessoalmenteCusto de viagem

    Como comparar fornecedores

    Fornecedor A

    Preço por unidade
    US$ 3,10
    Quantidade mínima
    300
    Prazo de produção
    25 dias
    Comunicação
    Clara e rápida
    Amostra
    Enviou
    Dados conferidos
    Sim

    Fornecedor B

    Preço por unidade
    US$ 2,85
    Quantidade mínima
    500
    Prazo de produção
    40 dias
    Comunicação
    Lenta
    Amostra
    Cobra caro
    Dados conferidos
    Parcial

    Fornecedor C

    Preço por unidade
    US$ 3,40
    Quantidade mínima
    200
    Prazo de produção
    20 dias
    Comunicação
    Clara
    Amostra
    Enviou
    Dados conferidos
    Sim
    Exemplo com três fornecedores fictícios. Compare pelo conjunto, não só pelo preço.

    Eu comparo mais de cinco fornecedores antes de decidir, e a minha prioridade é qualidade e confiabilidade, não o menor preço. Na comparação, olhe:

    • especificações técnicas (materiais, medidas, acabamento, embalagem);
    • preço e o que está incluído (Incoterm, embalagem, personalização);
    • prazo de produção e capacidade;
    • histórico na plataforma e avaliações;
    • qualidade da comunicação (veja abaixo).

    A comunicação é critério central

    Eu busco um parceiro de longo prazo. Resposta incompleta, lenta ou só com “sim” e “não” é motivo para eu desistir de um fornecedor. O que eu valorizo:

    • respostas completas às perguntas;
    • conhecimento real do produto;
    • fotos e vídeos quando solicitados;
    • transparência sobre limitações, prazos e custos;
    • interesse em uma relação duradoura, não só em fechar um pedido.

    Como verificar se o fornecedor é confiável

    Checklist com os passos para verificar um fornecedor chinês antes de pagar
    Confira os dados antes de pagar; nome diferente pede explicação, não é fraude automática.

    Nenhum selo sozinho garante um bom fornecedor. Eu uso uma combinação de verificações:

    1. Selos do Alibaba: o Verified Supplier indica que a empresa passou por verificação de terceiros (o Alibaba cita certificadoras como SGS e TÜV Rheinland); o relatório fica no perfil, com data e escopo. Leia o que foi verificado: o selo não garante a qualidade de cada lote.
    2. Licença comercial: peça a licença e confira nome, número de crédito social unificado e escopo no sistema oficial chinês de registro de empresas (gsxt.gov.cn).
    3. Nomes na licença, na fatura proforma (PI) e no beneficiário do pagamento: o ideal é que coincidam. Quando não coincidem, nem sempre é fraude: a diferença pode ter explicação legítima (empresas do mesmo grupo econômico, nome comercial diferente da razão social, trading ligada à fábrica que faz a exportação), mas também pode indicar risco. Investigue a divergência, peça a explicação por escrito e os documentos das empresas envolvidas, confira cada uma no registro oficial chinês e só pague depois de confirmar quem é quem.
    4. Conversa, fotos e vídeos: peça imagens do produto e da produção.
    5. Amostra: eu peço em alguns casos, não em toda importação. Ela faz sentido quando há dúvida relevante sobre a qualidade, e eu já usei amostra para avaliar uma oferta muito mais barata que as demais (veja o caso abaixo).
    6. PI detalhada: especificação, tolerâncias, embalagem, prazo e o que acontece em caso de defeito.
    7. Pagamento protegido: normalmente eu pago com Trade Assurance. A proteção vale para pedidos feitos e pagos pela plataforma, conforme as regras e prazos de reclamação do próprio Alibaba; pagamento fora da plataforma fica sem essa cobertura.
    8. Inspeção pré-embarque: é uma opção oferecida por empresas terceiras. Eu geralmente não contrato, mas ela pode fazer sentido em pedidos grandes, produtos novos ou fornecedores sem histórico.

    Caso real: o preço baixo que deu certo

    Em uma cotação, os fornecedores cobravam cerca de US$ 4 por unidade, e um deles oferecia um produto equivalente por cerca de US$ 2. Em vez de descartar a oferta, eu pedi amostra, e ela foi aprovada. O custo do produto no Brasil caiu de cerca de R$ 40 para cerca de R$ 20.

    Lição: preço muito baixo exige investigação, mas não significa qualidade inferior. Compare especificações, peça evidências e teste a amostra antes de decidir.

    Caso real: o problema de qualidade que afetou 5% das vendas

    Em outro caso, um produto era frágil e quebrou em cerca de 5% das vendas.

    Lição: avalie preço, especificações e qualidade em conjunto. Resistência e especificação técnica precisam entrar na comparação desde o início, não só depois que o produto chega ao cliente.

    Como negociar

    • Preço: normalmente eu negocio o preço. Ter várias cotações comparáveis ajuda.
    • MOQ (pedido mínimo): raramente eu negocio. O MOQ varia muito de fornecedor para fornecedor e de produto para produto; personalização (logo, cor, embalagem própria) costuma aumentá-lo.
    • Condições: prazo, embalagem, Incoterm e forma de pagamento também entram na negociação.

    Como pagar o fornecedor

    Antes de qualquer pagamento, confira se a empresa e o beneficiário são quem dizem ser. Os passos estão em como verificar se o fornecedor é confiável (licença, registro oficial chinês e nomes na licença, na PI e no beneficiário) e os sinais de alerta estão em Alibaba é confiável? — aqui o foco é a forma de pagar.

    Se o fornecedor está no Alibaba.com: a proteção da plataforma só vale para pedidos feitos e pagos dentro dela. Veja se o Alibaba é confiável e como usar a proteção da plataforma.

    Fora da plataforma (fábrica de feira, indicação, site próprio):

    • Transferência internacional com contrato de câmbio: o pagamento ao exterior é feito por instituição autorizada a operar no mercado de câmbio, conforme a Lei nº 14.286/2021 e a Resolução BCB nº 277/2022. Pague só ao beneficiário que consta na PI e foi conferido; dados bancários que “mudaram” por mensagem pedem confirmação por canal independente antes de qualquer envio.
    • Carta de crédito: o banco do importador se compromete a pagar o exportador contra a apresentação dos documentos combinados (Siscomex, modalidades de pagamento). Dá mais controle documental, com custo e burocracia bancária; avalie com o seu banco.
    • Pagamento antecipado: o importador paga antes do embarque (Siscomex). É o cenário de maior exposição para quem compra.
    • Sinal e saldo: na prática de mercado, é comum dividir o pagamento entre um sinal no pedido e o saldo antes do embarque ou contra documentos. Os percentuais são negociados caso a caso.

    Guarde a PI assinada, o contrato, a invoice e os comprovantes de cada pagamento. Nenhuma forma de pagamento elimina o risco; ela muda quem fica exposto e em que momento.

    Marítimo ou aéreo?

    Comparação entre frete marítimo e aéreo por custo, prazo e volume
    Marítimo costuma valer para volume; aéreo, para amostras, testes e urgências.

    Eu prefiro o marítimo pelo custo, nos volumes com que trabalho, e uso o aéreo principalmente para testes. Isso não é regra: a escolha depende de volume, peso, cubagem, prazo, custo, urgência e viabilidade comercial de cada operação.

    Tributos na importação formal (conferidos em fontes oficiais, outubro de 2026)

    Infográfico com o que entra no custo nacionalizado: produto, frete e seguro, tributos, taxas e despesas locais
    Some todos os custos antes de fechar o pedido; os tributos dependem do NCM.

    Os tributos dependem da classificação fiscal (NCM) da mercadoria. Confirme o NCM com o seu despachante antes de fechar o pedido.

    TributoValor / alíquotaBase
    Imposto de Importação (II)Varia por NCM (TEC, Resolução Gecex nº 272/2021)Valor aduaneiro
    IPIVaria por NCM (TIPI)Valor aduaneiro + II
    PIS/Pasep-Importação2,1% (regra geral)Valor aduaneiro
    Cofins-Importação9,65% (regra geral); alguns NCM têm adicional (em 2026, +0,6 ponto percentual)Valor aduaneiro
    ICMSDefinido por cada estadoInclui os demais tributos na base
    Taxa SiscomexR$ 115,67 por declaração + valor por adição (R$ 38,56 até a 2ª adição)Por declaração
    AFRMM8% na navegação de longo cursoFrete marítimo

    Somam-se frete internacional, seguro, agente de carga, despachante, armazenagem e frete interno.

    Reforma tributária (IBS/CBS)

    Segundo a Receita Federal:

    • 2026: ano de teste. CBS (0,9%) e IBS (0,1%) são compensados com o PIS e a Cofins devidos.
    • 2027 e 2028: PIS e Cofins são extintos; a CBS passa a ser cobrada; o IPI vai a zero para quase todos os produtos (fica só para itens também industrializados na Zona Franca de Manaus).
    • 2029 a 2032: transição gradual do ICMS para o IBS.
    • 2033: ICMS extinto e novo modelo em vigor integral.

    Para mercadorias que vão desembaraçar a partir de 2027, refaça a conta com o seu contador.

    As alíquotas, taxas e regras tributárias podem sofrer alterações. Antes de importar, consulte a legislação vigente e confirme os valores aplicáveis com seu despachante aduaneiro.

    Checklist antes de fechar

    • ☐ Custo e margem estimados com tributos, frete e tarifas de marketplace
    • ☐ NCM confirmado com despachante
    • ☐ CNPJ habilitado no Radar Siscomex
    • ☐ Mais de um fornecedor comparado (eu comparo mais de cinco)
    • ☐ Comunicação avaliada: respostas completas, fotos, vídeos, transparência
    • ☐ Selos e licença comercial conferidos
    • ☐ Nomes da licença, da PI e do beneficiário conferidos (divergência investigada e explicada antes de pagar)
    • ☐ Amostra, quando houver dúvida relevante sobre a qualidade
    • ☐ PI detalhada
    • ☐ Pagamento por canal protegido ou rastreável (Trade Assurance no Alibaba; fora dele, contrato de câmbio ou carta de crédito, ao beneficiário conferido)
    • ☐ Agente de carga e despachante definidos

    Perguntas frequentes

    Qual o melhor site para encontrar fornecedor na China?

    Eu começo pelo Alibaba.com, pela quantidade de fábricas, pelos filtros e pelo Trade Assurance.

    Como saber se um fornecedor da China é confiável?

    Combine verificações: selos e relatório, licença comercial, conferência dos nomes das empresas envolvidas, comunicação, fotos e vídeos, amostra quando necessário e pagamento protegido.

    O fornecedor mais barato é o melhor?

    Não necessariamente. Um bom fornecedor combina condições competitivas, qualidade, confiabilidade e boa comunicação. Preço muito baixo pede investigação, não descarte automático.

    Vale a pena comprar direto da fábrica?

    Para mim, sim: em alguns produtos a margem passou de 40% (antes de despesas fixas e publicidade), contra no máximo cerca de 15% comprando no Brasil. Mas depende de cada produto e da conta completa.

    Preciso de CNPJ para importar da China?

    Para revender com regularidade, o caminho é a importação formal, com CNPJ habilitado no Radar Siscomex.

    A reforma tributária muda os impostos de importação?

    Sim. A partir de 2027, PIS e Cofins dão lugar à CBS e o IPI vai a zero para quase todos os produtos; o ICMS é substituído pelo IBS gradualmente até 2033.

    Para continuar aprendendo

    Para acompanhar mais conteúdos sobre fornecedores, importação e empreendedorismo, conheça o trabalho de Gustavo Frajo no Instagram: @gusfrajo.


    Sobre o autor: Gustavo Frajo atua com importação direta da China há aproximadamente três anos, possui experiência prática em negociação com fabricantes internacionais, logística e comércio eletrônico e compartilha conhecimentos sobre importação e empreendedorismo. Acompanhe no Instagram: @gusfrajo.


    Fontes